«Como sabia que não iria ter maioria absoluta Costa informou que iria negociar com os partidos à esquerda para ter o governo viabilizado.
A situação muda pouco sendo o PS ou PSD vencedor. Aliás, a PAF já não existe. Serviu apenas um expediente eleitoral e haverá grupos parlamentares distintos do CDS e PSD.
Se o sistema fosse grego era diferente, mas aqui não há nada que distinga quem tem mais ou menos deputados.
A distinção é a maioria para governar, seja porque o PS se abstém e alinha com o PSD e CDS, seja porque o PS alinha com PCP e BE.
Parece-me que o PS estaria a defraudar o seu eleitorado se alinhasse com o PSD, pois foi isso que afirmou claramente que não faria.
Se o PS tivesse tido mais votos e precisasse dos votos do BE e PCP seria exactamente a mesma situação.
Essa dúvida só está a ser levantada por quem não tem forma de ter maioria.
Interessa ao BE e PCP que sozinhos nada podem, e interessa ao PSD e CDS que sozinhos nada podem.
O PS tem é que decidir se quer alinhar à esquerda ou se quer alinhar à direita.
Não pode fazer de conta que não tem hipótese.»
Do nosso leitor José S. A. A propósito deste texto do José Gomes André.

O PS tem toda a legitimidade para negociar com quem quiser.
Mas qualquer pessoa com dois dedos de testa compreende que para lá dos adjectivos, os programas do PS e da PàF são substantivamente mais compatíveis que os de PS+BE+PCP.
E, posto isto, faz toda a diferença quem ficou à frente. A PàF e o PSD ganharam, pelo que é natural que seja o seu programa a base do programa de governo, e sejam aceites sugestões relevantes do PS.
Mas 80% dos portugueses votaram na UE, no cumprimento (ainda que inteligente) do tratado orçamental, no pagamento (mesmo que negociado) da dívida, na flexibilização dos contratos laborais, na NATO e política de defesa comum, etc.
Parece que todas estas coisas são detalhes, ou que de repetente devemos por de lado 40 anos de luta dos partidos à esquerda do PS contra elas. A UGT entende isto, só mesmo alguns comunas envergonhados do PS é que parecem que não perceber.
Eu até seria capaz de votar bloco ou num qualquer dos mais pequenos só para entalar o PS de Costa, daí que juntos a somar não passa de uma indecorosa falácia. Fui arrebanhado abusivamente contra a minha vontade pelo que vou apresentar recurso no Tribunal Constitucional para saber se é licito impingirem-me um Costa que pretendia rejeitar. O meu argumento é que o anuncio do produto em vez de indiciar esse desfecho bem pelo contrário afirmava sem papas na língua o seu oposto. Publicidade enganosa deliberada é ou não crime? Um sem carácter que apenas quer salvar a própria pele nem se dá conta que no próprio reduto onde se acoita já está a ser esfolado.
“Parece-me que o PS estaria a defraudar o seu eleitorado se alinhasse com o PSD.”
O PCP também estaria a defraudar o seu eleitorado, se mantivesse o euro, a democracia, a liberdade e a propriedade privada dos meios de produção.
O PS tem de ir ao encontro daquilo que a apregoou em campanha. O governo empossado tem de saber ouvir e ceder que é aquilo que a coligação nunca soube.