«Quanto à realidade nua e crua, é tudo muito simples: nos tempos que correm, o dinheiro compra tudo e todos. A única diferença está no preço. E muitos até se vendem baratinho.
Tendo como premissa esta realidade, isto de confiar ou não confiar em políticos nem sequer é relevante, pois a única coisa que os cidadãos deveriam exigir é saber para onde vai o nosso dinheiro até ao último cêntimo. Isso apenas seria possível num sistema transparente com contas transparentes porque, nem que seja virtualmente com zeros e uns, o dinheiro deixa rasto. Com a tecnologia seria bem fácil saber quem recebeu e para quê. No entanto, andam todos distraídos com assuntos menores.
Se qualquer empresa tem de mostrar as contas, o cidadão comum, pagador de impostos, não tem o mesmo direito de saber exactamente quem ou que empresa o recebeu? Suponho que a grande maioria dos portugueses nem sequer sabe que também paga para projectos europeus como o CERN ou outros que nem sequer imaginamos. Com a entrada na União Europeia mais difícil será conseguir essa transparência nas contas: um verdadeiro paraíso… para os que querem comprar e os que se querem vender.
Claro que uns dirão que tudo pode ser pago com futuros cargos ou benesses, mas isso já estaria acautelado e travado com a transparência das contas: ninguém paga o que não lhe foi dado ou vendido. No entanto, esta oportunidade já passou. Agora até já há quem pense que meia dúzia de países possa controlar as contas todas.
A única coisa que podemos ter a certeza absoluta é quem as vai pagar.
Eu vivo descansada porque ninguém me quer comprar. E, mesmo que quisesse, o meu preço estaria… muito inflacionado.»
Da nossa leitora Isa, neste texto do Rui Rocha.

Comecei a ler o texto, franzi a testa… parece que conheço isto de qualquer lado… lol
Agradeço mas, a única coisa que este comentário poderá ter de especial é ser feito como todos os outros que eu costumo fazer, livremente, sem amarras, sem segundas intensões, sem tentar convencer ninguém de coisa nenhuma, apenas, e só, falar de coisas óbvias que, alguns, até gostam de manter “debaixo do tapete” 😉
Foi a primeira vez, Isa. Mas julgo que não terá sido a última.
A História é o produto resultante da mistura entre aquilo que somos e aquilo que podíamos ser.
Podíamos ser perfeitos? Pois podíamos, mas deixaríamos de ser humanos. Eu entendo que o ser humano além de precisar, nunca se vai livrar do confronto entre o Bem e Mal, pois dele dependemos para nos formarmos individualmente e socialmente. Esse confronto é a energia que produz as referencias que necessitamos para traçar as nossas rotas de desejos entre os pontos de partida e os da realização dos nossos sonhos.
Acontece que hoje vivemos atrapalhados com a quantidade de informação e contra informação que nos chega constantemente e que nos sufoca o discernimento. Somos analistas das análises de analistas que analisam de pontos de vista muito, ou até mesmo totalmente ligados aos interesses pessoais e egoístas dos seus locutores e de quem os mesmos representam.
Vivemos coniventes com a mentira da publicidade, com a mentira da promessa, com a mentira da ilusão de que o materialismo dos sonhos por si só é a única e a melhor fonte da felicidade eterna. Nisto a informação revela-se mais e cada vez mais uma ferramenta de manipulação e de entretenimento do que um honesto relato dos factos. Já cunharam até um novo termo para descrever esta intoxicação do discernimento, ao fenómeno chamaram de infóxão “.
Em relação aos números é simples. São muito simples de seguir. Todos sabemos onde estão, só que no fundo fingimos não saber. A grande maioria porque no fundo alimenta a ambição de subir e entrar no mundo dos ricos e por saberem que sem pobres não existem ricos o melhor é não desmontar o esquema. Outros talvez simplesmente por medo. Outros talvez até por terem descoberto outras fontes de felicidade. O facto é que ninguém ousa seguir os números, mas todos sabemos onde eles vão dar.
Por sinal é tudo mais simples do que parece, o que se passa neste momento, já está mais que estudado e repetido ao longo da História humana, um contínuo nascer de civilizações, o seu auge e o seu fim, nós apenas estamos a assistir ao fim da nossa… por acaso falei mais sobre este assunto, no poste, do Rui Rocha – Pérolas de sabedoria para uso quotidiano, o do dia 26/07/2015 por acaso o tema estava a fugir para os Leões e, como “as conversas são como as cerejas” 😉 acabei por falar num assunto que pode complementar este.