O comentário da semana


Pedro Correia,

«O único instrumento económico que tem sido usado desde a era socrática (mas antes também) tem sido o ENCANTAMENTO.
Foi precisamente este tipo de ENCANTAMENTO que conduziu ao crash bolsista em 1929. Mas este carácter especulativo dos ditos agentes económicos já tinha antecedentes naquilo que tinha acontecido na Florida (Miami, Miami Beach, Coral Gables, a costa Oriental até Palm Beach e toda a região ao longo do golfo) no sector da especulação de terrenos e, consequentemente, na construção.
Quero com isto dizer que a situação económica e financeira da Europa, e em particular em Portugal, só é boa e tem boas perspectivas através da conduta de encantamento que se faz sentir nas bocas dos políticos e até mesmo de reguladores.
Neste sentido, tendo em conta a recessão no mercado português (e não só), do qual o sector da construção é o indicativo fiel, não se avizinham perspectivas de que a actividade bancária possa refelectir uma realidade contrária à própria realidade.
Sonhar com uma realidade destas é não compreender que a ruína de um boom especulativo tem como causa e efeito a existência desse mesmo boom.

Aqui chegados, e pelos factos expostos, é correr um risco alto obrigar a banca a participar naquilo que não tem condições para fazer, ainda que haja as garantias dos activos do Novo Banco.

A Europa não pode pensar que o risco sistémico se resume ao facto do BCE, e dos Bancos que aí injectaram dinheiro, em particular os alemães, deixarem de receber as rendas, os juros, dos empréstimos concedidos para a compra da dívida soberana.

Por isto mesmo a solução que se avizinha racional era a participação directa do estado através da CGD como já referi aqui num post de Luís Leitão.

Para atender a esta realidade não são necessários bitaites de ditos economistas e financeiros que tanto têm inquinado de informação ignorante a realidade do nosso país. Para isto basta bom senso e experiência e não mais canudos e canudinhos, papéis e papeizinhos que já demonstraram que os que entram no circuito dos bitaites e na economia, tal como seus mestres, nunca entenderam nada desta merda. E são eles, tal como os anteriores, os principais responsáveis pela falta de uma reacção adequada a uma realidade que começará a sair da recessão para entrar numa depressão.

Haja juízo, porque as pessoas desesperadas querem sempre sangue.»

 

Do nosso leitor Vento. A propósito deste post do Sérgio de Almeida Correia.

2 comentários em “O comentário da semana”

  1. Não posso concordar com esta posição “doutoral” de Vento: pôr a CGD a gerir o Banco, Novo ou Velho,tal como aconteceu no caso BPN, era o pior que nos podia acontecer. Era coisa que demoraria duas ou três gerações a pagar. Ou seja, mais uma desgraça, na minha opinião.

    1. Agradeço seu comentário, mas fiquei na mesma quanto aos porquês de tal opinião.
      Se se isolar a CGD, por exemplo através da constituição de um fundo no montante que se pretende injectar no Novo Banco, que é avançado pelo estado para esse fundo de gestão, verificará que a CGD, por esse mesmo serviço, passa a ser credora directa do Novo Banco, podendo mesmo cativar verbas para o efeito. O dinheiro injectado passaria automaticamente a ser garantido pelos activos existentes, constituindo-se a favor do estado os valores patrimoniais existentes acrescendo-se juros vencidos à data da liquidação. Encerrando-se, assim, o fundo.

      Logo, a CGD não só não ficaria contaminada por nada como também não o restante sistema bancário.
      A evolução da situação ditaria novas atitudes.

      O que é importante realçar é o facto do restante sistema europeu não pensar que o sistema bancário nacional deve ficar refém de seus interesses.
      Os bancos portugueses, na minha posição “doutoral” (sic), para entrarem nesta aventura certamente que deverão constituir provisões para risco futuro, e ao fazê-lo retiram liquidez para financiamentos à economia. Tudo isto vai assim, “doutoralmente” escrevendo, para que as pessoas normais entendam. Porque os doutores que deambulam por esta minorca galáxia têm a cabeça vazia de ideias e cheia de vaidades.

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