O comentário da semana


Pedro Correia,

«Havendo uma estagnação demográfica, a questão Malthusiana não se coloca.
Não há gastos de recursos acima do possível, ao contrário do que se tenta repetidamente fazer crer.
Convém distinguir economia de finança.
A economia é possível, a finança é insaciável.

A finança, apesar de servir um meio de controlo de poder, é também um catalisador da economia. É essa finança que vai puxando uns desenvolvimentos e matando outros, ao gosto de quem a controla.

O mundo ocidental fez a aposta de largar a economia e passar para o lado da finança. Foi na fábrica de ilusões financeira que construiu um império de castelos de cartas, mas com uma poderosa armada militar para quando o bluff da ilusão é desafiado.
Assim, ainda que toda a gente saiba que o dólar americano pode tender a valer o mesmo do que o do Zimbabué, quando o exército americano acha que não, quem somos nós para duvidar? Se Mugabe tivesse às ordens tal arsenal também ninguém se teria atrevido a gozar com o dólar zimbabuéano.

Por isso, não há nenhum problema com as reservas mundiais, seja lá do que for.
Para o que interessa para uma vida confortável, sobra duas ou três vezes, e por isso as pensões estariam mais que pagas.
São pagas pela economia, mas esse pagamento nunca satisfaz a finança, para manter a populaça dependente, com vontade de trabalhar, e não encostada à preguiça do estado social, ou a andar a fazer sabe-se lá o quê.

Assim, se a população não crescer acima de 10 mil milhões, discutir problemas económicos é uma falsa questão induzida pela especulação financeira.
A tecnologia actual permite tornar auto-suficiente qualquer comunidade.
Não estamos no tempo em que uma colheita azarada podia trazer fome e miséria.
No entanto, não permite que todos tenham o último Mercedes topo de gama.
Ainda que permitisse, o pessoal haveria de querer algo distintivo. Em tempos já chegou a ser a secreção do boi-almiscarado, só para impressionar as damas.
É tudo uma questão de faro, quando não há farol.»

 

Do nosso leitor da Maia. A propósito deste meu texto.

2 comentários em “O comentário da semana”

  1. “Estagnação demográfica” é coisa que não existe. O que existe é: mais mortes que nascimentos.

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