O comentário da semana


Pedro Correia,

«É verdade que as ‘Escolas Superiores de Educação’ vieram descredibilizar o ensino. Mas o que dizer de milhares de professores, cuja formação foi feita em Universidades públicas e que, agora, vêem o seu ‘estatuto’ de profissionais ser posto em causa? E o problema coloca-se aqui. Para ser uma ‘avaliação’ justa, teria de haver uma selecção no que diz respeito às instituições onde se obteve a formação. Mas isso algum vez vai ser possível? Claro que não! A ideia de se atribuir o mesmo estatuto a todos, de se comparar universidades com ensino politénico, fez com que não haja distinção entre o que é de qualidade e o que não é. E há outras questões que se levantam: que tal professores que, não tendo colocação, decidiram investir na sua formação e, neste momento, além de serem mestres (por universidades públicas e pré-Bolonha), encontram-se a concluir doutoramentos (também em universidades públicas) ou em pós-doutoramentos?! Esses deverão ser colocados ao mesmo nível daqueles que, tendo apenas, licenciatura, leccionam há mais anos do que eles?! Mas o que está em causa com esta ‘avaliação’ que o ministro quer exigir?! Não é avaliar os conhecimentos?! Então, um professor que tem mais habilitações a nível científico não está mais apto do que um que, tendo apenas um curso superior, passou uma década a reproduzir os conhecimentos que vinham nos manuais?!

É fácil criar rotinas na disciplina que se lecciona, quando se repetem conteúdos ao fim de dez anos… Não é preciso preparar uma aula…»

Da nossa leitora Isa. A propósito deste texto do Rui Rocha.

13 comentários em “O comentário da semana”

  1. “É fácil criar rotinas na disciplina que se lecciona, quando se repetem conteúdos ao fim de dez anos… Não é preciso preparar uma aula…»”Podem criar-se rotinas, mas as rotinas quebram-se, pois os alunos são diferentes entre si e nem todos percebem da mesma maneira logo a rotina tem muito que se lhe diga. Essa rotina podia utilizar-se no antigamente quando só alguns estudavam, hoje todos vão à escola e os alunos são muito diferentes entre si, logo as rotinas não fazem mais sentido. Podem fazer-se mestrados, doutoramentos,
    tudo e mais alguma coisa, mas a prática essa vêm dos anos de batalha frente àqueles que nos exigem sempre algo de novo e que só a prática nos faz ser melhores dia após dia. Um bom professor tem de preparar sempre aulas, tenha mais ou menos formação, mais ou menos anos de trabalho.
    PS: Não vamos comparar escolas superiores de educação, universidades públicas ou privadas e politécnicos porque se entramos nesse campo está tudo muito mal, mesmo muito mal………..

  2. Que comentário tão parvo.
    É claro que, quando se faz uma avaliação por exame, não se vai separar os examinandos de acordo com a escola onde foram formados; examina-se todos por igual.
    Mesmo que formado numa faculdade, mesmo que mestre e até doutor, não podemos garantir que um professor é bom. Nada garante que o que foi formado numa Escola Superior de Educação não seja melhor.

  3. De um modo geral concordo com o comentário da Isabel. Sou professora há mais de vinte anos e nunca deixei de preparar uma aula. Essa ausência de rotina é, de resto, um dos aliciantes de ser professor. entre outros. Fui sempre encontrando novas maneiras de falar das mesmas coisas, de as melhorar e de as adaptar a quem elas se dirigem. Só um mau porfessor (que os há, hélas!), ou quem não percebe nada do assunto, pode dizer que ao fim de dez anos já não é preciso preparar aulas.
    Quanto ao resto, a formação dada pelas ESEs e pelos politécnicos deixa muito a desejar; e ter o mestrado, ou mesmo o doutoramento, não é garantia de coisa nenhuma. Não é isso que faz um bom professor. Há aliás actualmente muita gente com mesatrdos e doutoramentos em Ciências da Educação, por exemplo, que nunca deu uma aula, ou que já não o faz há anos e não tem a mais pequena noção do que é uma sala de aula, hoje. É só isto…

  4. “Dei” umas aulas no princípio da minha vida profissional e não carecia propriamente de conhecimentos académicos, MAS SIM DE FORMAÇÃO PARA LIDAR COM ADOLESCENTES INDISCIPLINADOS, QUE IAM ÀS AULAS APENAS PARA DESTABILIZAR.

    Não me parece que um exame que incida apenas sobre conhecimentos académicos, sem haver formação na área educativa nem ser avaliada a simples vocação/aptidão para se ser professor, resolva o problema. Mas que, através de uma prova qualquer, se ponha cobro a casos que vêm sendo apontados, como ensinar matemática quem sempre foi uma nódoa no assunto, parece-me indispensável.

  5. O desempenho e capacidade de um professor pode (e deve) ser avaliado em duas vertentes: os seus conhecimentos (e capacidade) científicos e a sua capacidade para os transmitir. Alguém por um ter um Doutoramento de Física Teórica pelo MIT não é melhor professor de Físico-Química que um Licenciado pela Universidade de Lisboa que já ensina a 10 anos (até pode ser pior).

    No caso de acesso à profissão (e, por isso mesmo, considero que o exame apenas se aplicaria a novos professores ou professores com menos de 3 anos de serviço), é óbvio que apenas a componente científica pode ser avaliada. A componente pedagógica deve ser avaliada em estágio.

  6. Toda esta conversa não refere o essencial:
    A prova existe apenas para o número de professores desempregados baixar, correndo da profissão um número substancial de candidatos.
    Vamos por partes:
    Se o interesse da prova fosse avaliar conhecimentos dos professores, então destinava-se a todos os professores.
    Se fosse avaliar professores em início de carreira não se aplicava aos que têm muitos anos de ensino.
    Se fosse para garantir que os professores que pretendem ingressar na carreira têm determinado número de conhecimentos, então o formato da prova, as matérias analisadas e os conhecimentos que são necessários seriam já públicos. Não são. Ninguém sabe que tipo de prova vão fazer nem o que vai ser avaliado em concreto.
    Se a prova se destinasse a avaliar desempenhos dos que já estão ao serviço então duplicaria a famosa avaliação de desempenho dos professores, instituída recentemente e incensada como a verdade absoluta pelo governo.
    Se a qualificação de professores fosse verdadeiramente importante para o ministro da Educação, não teriam diminuído as exigências para os professores do ensino privado (baixando o custo dos professores do privado e promovendo concorrência desleal com o Estado).
    Só vejo três justificações possíveis para uma avaliação feita nestes moldes:
    1 – Tentar aparentar um rigor na formação de professores que não existe nem se tem interesse em implementar.
    2 – Reprovar um número grande de pessoas e poder assim dizer que os professores que tem vindo a dispensar não são necessários (este governo parece ser exímio em diminuir o desemprego e os postos de trabalho em simultâneo).
    3 – Ganhar e dar a ganhar uns cobres com a elaboração de mais um exame. Seria interessante que alguém apresentasse quais são os custos da febre examinatória deste governo. Curiosamente nunca sabemos quanto custa fazer exames nacionais a tudo e mais alguma coisa nem quem são as gráficas e gabinetes de criação de exame que lucram com isto.

    1. “O formato da prova, as matérias analisadas e os conhecimentos que são necessários seriam já públicos. Não são”.
      “Só vejo três justificações possíveis para uma avaliação feita nestes moldes”.
      Não lhe parece, jo, que entrou em contradição? Se não sabe as matérias do exame, como encontrou justificações para os “moldes” em que vai ser feito?
      Não será de esperar mais um bocado e falar depois, com conhecimento de causa?

      1. O facto de não se saber qual é o conteúdo da prova é o sinal evidente que esta não é séria nem é levada a sério pelo ministro. É também uma mostra do amadorismo e incompetência dos serviços do ministério.

        De acordo com o seu raciocínio se todas os atos do governo fossem mantidos em segredo, este não seria passível de reprovação nunca.

        1. E o jo insiste. Quem diz que se não sabe o conteúdo das provas é o jo; quem se interessa por estas coisas sabe qual o conteúdo.
          Há gente que gosta de andar informada e há gente que gosta de criar confusão. O mundo é assim.

          1. Pelos vistos as únicas pessoas que se interessam pelo âmbito das provas são as pessoas que as fazem, porque ele não foi tornado público para mais ninguém.

            Já viu algum teste modelo? Não sei se reparou nunca foi feito um teste destes logo não há termo de comparação.
            A prova incide sobre que conhecimentos?
            O que quer dizer cultura geral?
            Quantas perguntas tem o teste?
            Duração do teste?

            De qualquer modo ainda bem que só discorda deste ponto. Fico satisfeito por concordar com os outros enunciados.
            É que mesmo que o conteúdo da prova fosse conhecido, o teste ficava sem sentido nenhum.

  7. noto aqui uma incoerencia : para desempenhar uma tarefa e bem é necessario uma determinada formação/preparação . Ter o dobro da formação ou o triplo ou o que se queira não acrescenta nada ao bom desempenho. Como oprova os resultados da escola publica nossa após a tomada do espaço por este heroicos lutaores+ ministros apos a queda da diatura= os primeiros 50 lugares que eram das escola oficiais passaram para os colegios e não por aumento grande dodesempenho dos colegios ,isto tudo com mestres e doutorados a mostrarem como são tão competentes.

  8. Um texto que defende a aristocracia do titulo nobiliárquico…estatuto…pois…

    Já uma empresa vai a exame todos os dias.
    Um profissional liberal de projecto a projecto, ou de cliente a cliente.

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