«O António Rosa Mendes partiu ontem. Partiu cedo, muito cedo. Sobretudo para quem, como ele, sempre esteve bem com a vida e com os outros. Foi com profunda tristeza que recebi a má notícia. Mais do que o homem culto e homem de cultura, mais do que os reconhecidos méritos e qualidades como académico e historiador, mais do que o poeta, o jurista ou o editor, sempre admirei em António Rosa Mendes o seu profundo humanismo, a fina inteligência, o apurado sentido de humor, a humildade, o trato amigável e afável, o incansável conversador. Conhecemo-nos há quase 40 anos – tinha ele 21 e eu 24. Nessa altura, viajámos, mais do que uma vez, na sua 4L azul, através da Espanha, França, Itália, Suíça, Bélgica. Viagens inesquecíveis, sobretudo graças à forma sempre bem-disposta, com um sorriso e uma frase bem-humorada com que encarava todos os percalços e contrariedades. Fizemos um jornal mensal durante mais de um ano, grande parte saído da sua caneta. Depois, durante muitos anos, vimo-nos muito espaçadamente, apesar de cada um ir observando o outro à distância. Fez questão de me enviar, há pouco mais de dois anos, o seu livro recém-publicado: Olhão fez-se a si próprio. O ano passado, eu e ele, fomos os oradores convidados pelo presidente da Câmara de Tavira na sessão comemorativa da implantação da República. Almoçámos juntos, falámos da situação política e recordámos – o que era inevitável – uma ou outra cena das nossas viagens inesquecíveis. Foi a última vez que estive com o António Rosa Mendes – um homem íntegro, desprendido, humilde. Um social-democrata vertical. Um humanista como poucos. Um Amigo. Até sempre, António Rosa Mendes.»
Do nosso leitor Tomás Vasques. A propósito deste texto do António Manuel Venda.

