«Mais do que não lamentar, terei um gosto feroz na falência de algumas delas [editoras]. De servidoras e defensoras dos seus clientes, tomaram para si o papel de comissárias do acordês.
Porque são os editores: uma “cronista” dizia que escrevia em acordês para não desiludir (ou algo semelhante) o seu editor. Percebi então que as crónicas eram um assunto entre cronista e editor e que nós, pobres leitores, éramos apenas destinatário mediatos e secundários daquela correspondência, a quem cabia pagar e calar.
Claro está que nunca mais na vida lerei uma palavra escrita por alguém que nem percebe a grosseria do que escreveu…
Quanto às livrarias, pergunto se têm em português ou acordês. Se não têm digo-lhes que comprarei quando voltarem a publicar em português.»
Do nosso leitor SC. A propósito deste texto do JAA.

Também já recusei comprar livros assim que reparei que estavam escritos em acordês.
O ano passado adquiri “A Curva do Rio” (V. S. Naipul), e arrepiava-me cada vez que aparecia “receção” em vez de “recepção”…
Ainda há dias me aconteceu, com um livro do Martin Amis intitulado ‘Lionel Asbo’. Felizmente a editora (Queztal) teve a franqueza de realçar na capa a seguinte frase: «O melhor escritor português da atualidade (sic).»
Chama-se a isto transparência editorial…
Foi quanto bastou para pôr o livro de parte. Trouxe, em alternativa, ‘Um Gentleman na Ásia’, de Somerset Maugham, agora editado pela Tinta da China. Em português correcto – com todas as voigais e consoantes.
Ainda bem que lhe agrada. Mas está um bocado desconchavado na confusão entre livrarias e editoras.
Lapso meu. Já emendei. Agradeço-lhe o reparo.
O desconchavo é do texto, meu. Sua, a simpatia.