"Não estou muito por dentro do tema das Novas Oportunidades, mas as críticas que tenho ouvido são de puro facilitismo. Eu sei que este tipo de cursos tem de colocar o formando no centro da aprendizagem, ir ao encontro das suas necessidades e valorizá-lo, dar-lhe auto-estima. Mas isso para mim não é justificação para certos facilitismos de que vou ouvindo falar.
Nos cursos de formação então, é um escândalo. Uma amiga trabalha num instituto de formação profissional e conta-me que todos os dias recebe chamadas de pessoas que só querem fazer cursos para receber o subsídio, e que vão fazendo cursos enquanto puderem, que basta aparecer nem que não se faça quase nada, e que as reprovações estão quase elas mesmas ‘reprovadas’, ou seja, o formador está coagido a não deixar ninguém para trás.
Sei que há casos e casos, sei que as Novas Oportunidades terão mudado a vida a muita gente, mas a verdade é que o facilitismo acaba por dar uma imagem negativa à sociedade… e como não acreditar na veracidade do facilitismo se o Governo está numa corrida urgente para aumentar o nível de instrução da população?"
Da nossa leitora Sara. A propósito deste texto do Carlos Barbosa de Oliveira


Se eu sabia que podia correr o risco de ser lida por tanta gente já tinha começado a escrever com mais cuidado e a deixar os “ah e tal” de lado 🙂
Entretanto deixei de seguir a discussão no post e pelo que vi agora descambou um bocadinho, com opiniões mais “quentes” do que aquilo que seria espectável para um tema como este…
Congratulo-me com a escolha do seu comentário e também pelo facto de ter concordado com a resposta que lhe dei e a seguir transcrevo:
“Os facilitismos também existem nas escolas e nas Universidades, como todos sabemos. Conheço uma pessoa, por exemplo, que andou a marinar na Faculdade de Direito durante 5 anos, sem ter concluído o 2º ano. Foi para uma universidade privada e em dois anos fez 17 cadeiras, com boas notas!!!
Hoje, ocupa um lugar de destaque numa autarquia e não é por ela ter concluído o curso com surpreendente facilidade, que vou desacreditar o ensino do direito em Portugal, certo?”
Se reproduzo aqui o meu comentário, é apenas para evitar que os leitores que não acompanharam a sucessão de comentários no post original, façam interpretações descontextualizadas.
Carlos, ontem fui ver o resto da discussão e aproveitei para lhe responder, dizendo que me está a dar razão com esse exemplo… o ensino privado em Portugal também tem fama de facilitista, ao contrário do que se passa, por exemplo nos Estados Unidos, onde ensino privado é sinal de rigor e qualidade no ensino.
Um articulista, a dar destaque sob a forma de artigo a um comentário ‘negativo’ que alguém fez a um outro artigo de um outro articulista do mesmo espaço de debate…é original, no mínimo. Reflexos da guerra ‘suja’ entre PR e 1º ministro ou simplesmente reflexo das ‘amplas liberdades democráticas’?
O seu conceito de debate, de discussão de ideias e de «comentário negativo» é verdadeiramente original. Muito próximo do «centralismo democrático» do Partido Comunista. Este blogue chama-se DELITO DE OPINIÃO, e não é por acaso. Não se chama pensamento único. Nesse, provavelmente, você sentir-se-ia como se estivesse em casa.
Centralismo não é comigo, o meu amigo errou o alvo por muitos quilómetros, quanto a comunismos muito menos, alvo novamente falhado, há dias assim, quando preferimos a adivinhação à ciência pura.
Pelo facto de o blog não se chamar pensamento único é que eu tive a veleidade de exprimir livremente o meu pensamento mas pelos vistos o meu amigo em vez de se focar no âmago do meu comentário, contraditando-o, preferiu dar a palavra à sua serotonina…
Paulo Quintela, por acaso já ouviu falar em democracia e liberdade de expressão? Se não, fique atento a este blogue: aqui praticam-se ambas.
Ó Ana, V. é mesmo lírica, caramba!
Obrigada pelo elogio, meu caro. Vindo de alguém que se auto-intitula “poetastro”, tem ainda mais valor.
Minha cara amiga, pelo que tenho observado, isso aqui depende da maior ou menor auto-estima dos articulistas…
Só aqui? Eu diria que a auto-estima de cada um é sempre fundamental para a capacidade de se exprimir. Mas a liberdade para fazê-lo, essa depende muito do ambiente. E aqui o ambiente é de total liberdade.
Estamos quase em 2010. O mundo pula e avança. É espantoso como alguns preferem os blogues monolíticos com todos a remar para o mesmo lado, como soldadinhos de chumbo, Ana. Alguns desses clamam contra o pensamento único em teoria. Mas só em teoria. Na prática são alérgicos a tudo quanto é debate. Ecos da maioria absoluta, que felizmente já pertence ao passado.
Os monolitos dão a ilusão de solidez e de segurança. Deve ser por isso que alguns os preferem, embora nesses casos a auto-estima deixe muito a desejar…
Cara Sara,
Cuidado com as generalizações. A minha experiência:
1) Antiga funcionária minha, hoje no desemprego, pede uma apreciação minha para as novas oportunidades. O seu caso é ter 12 anos, mas 3 anos de curso profissional (e estágio reconhecido) na África do Sul, em 1988 não teve as habilitações escolares e/ou profissionais reconhecidas em Portugal, contudo na empresa as multinacionais para quem exportávamos exigiam que só ela fosse o contacto deles, salientando o seu alto desempenho profissional. Não será um caso de justiça reconhecer as capacidades reais que tem?
2) Soldador e serralheiro que fez vários cursos pagos por multinacional petrolífera (em entidades no UK e USA). Regressa a Portugal e na minha empresa, nos organismos de ensino, nos organismos oficiais nada daquilo é reconhecido. É uma pessoa que exige aos engenheiros desenhos técnicos, assinados e validados, para executar as suas tarefas. Farto da falta de profissionalismo dos subordinados, dos colegas, das chefias e das administrações volta a emigrar para França onde entra na Framatome e transita para a Areva . Costuma disser-me que só olhamos em Portugal para o Dr ou Eng , tirado à longos anos, mas a formação contínua ao longo da vida (pessoal e profissional) é desprezada em Portugal.
Carlos, em momento algum disse que quem tem títulos académicos é com certeza superior a quem não tem. Sei bem que há muitos doutores e engenheiros incompetentes, e que há muita gente que é extremamente competente naquilo que faz, mas que não progride mais porque lhe falta o diploma… mas penso que isto nada tem a ver as Novas Oportunidades ou EFA 🙂