O comentário da semana


Pedro Correia,

"Não estou muito por dentro do tema das Novas Oportunidades, mas as críticas que tenho ouvido são de puro facilitismo. Eu sei que este tipo de cursos tem de colocar o formando no centro da aprendizagem, ir ao encontro das suas necessidades e valorizá-lo, dar-lhe auto-estima. Mas isso para mim não é justificação para certos facilitismos de que vou ouvindo falar.

Nos cursos de formação então, é um escândalo. Uma amiga trabalha num instituto de formação profissional e conta-me que todos os dias recebe chamadas de pessoas que só querem fazer cursos para receber o subsídio, e que vão fazendo cursos enquanto puderem, que basta aparecer nem que não se faça quase nada, e que as reprovações estão quase elas mesmas ‘reprovadas’, ou seja, o formador está coagido a não deixar ninguém para trás.

Sei que há casos e casos, sei que as Novas Oportunidades terão mudado a vida a muita gente, mas a verdade é que o facilitismo acaba por dar uma imagem negativa à sociedade… e como não acreditar na veracidade do facilitismo se o Governo está numa corrida urgente para aumentar o nível de instrução da população?"

 

Da nossa leitora Sara. A propósito deste texto do Carlos Barbosa de Oliveira

15 comentários em “O comentário da semana”

  1. Se eu sabia que podia correr o risco de ser lida por tanta gente já tinha começado a escrever com mais cuidado e a deixar os “ah e tal” de lado 🙂
    Entretanto deixei de seguir a discussão no post e pelo que vi agora descambou um bocadinho, com opiniões mais “quentes” do que aquilo que seria espectável para um tema como este…

    1. Congratulo-me com a escolha do seu comentário e também pelo facto de ter concordado com a resposta que lhe dei e a seguir transcrevo:
      “Os facilitismos também existem nas escolas e nas Universidades, como todos sabemos. Conheço uma pessoa, por exemplo, que andou a marinar na Faculdade de Direito durante 5 anos, sem ter concluído o 2º ano. Foi para uma universidade privada e em dois anos fez 17 cadeiras, com boas notas!!!
      Hoje, ocupa um lugar de destaque numa autarquia e não é por ela ter concluído o curso com surpreendente facilidade, que vou desacreditar o ensino do direito em Portugal, certo?”
      Se reproduzo aqui o meu comentário, é apenas para evitar que os leitores que não acompanharam a sucessão de comentários no post original, façam interpretações descontextualizadas.

      1. Carlos, ontem fui ver o resto da discussão e aproveitei para lhe responder, dizendo que me está a dar razão com esse exemplo… o ensino privado em Portugal também tem fama de facilitista, ao contrário do que se passa, por exemplo nos Estados Unidos, onde ensino privado é sinal de rigor e qualidade no ensino.

  2. Um articulista, a dar destaque sob a forma de artigo a um comentário ‘negativo’ que alguém fez a um outro artigo de um outro articulista do mesmo espaço de debate…é original, no mínimo. Reflexos da guerra ‘suja’ entre PR e 1º ministro ou simplesmente reflexo das ‘amplas liberdades democráticas’?

    1. O seu conceito de debate, de discussão de ideias e de «comentário negativo» é verdadeiramente original. Muito próximo do «centralismo democrático» do Partido Comunista. Este blogue chama-se DELITO DE OPINIÃO, e não é por acaso. Não se chama pensamento único. Nesse, provavelmente, você sentir-se-ia como se estivesse em casa.

      1. Centralismo não é comigo, o meu amigo errou o alvo por muitos quilómetros, quanto a comunismos muito menos, alvo novamente falhado, há dias assim, quando preferimos a adivinhação à ciência pura.

        Pelo facto de o blog não se chamar pensamento único é que eu tive a veleidade de exprimir livremente o meu pensamento mas pelos vistos o meu amigo em vez de se focar no âmago do meu comentário, contraditando-o, preferiu dar a palavra à sua serotonina…

        1. Só aqui? Eu diria que a auto-estima de cada um é sempre fundamental para a capacidade de se exprimir. Mas a liberdade para fazê-lo, essa depende muito do ambiente. E aqui o ambiente é de total liberdade.

          1. Estamos quase em 2010. O mundo pula e avança. É espantoso como alguns preferem os blogues monolíticos com todos a remar para o mesmo lado, como soldadinhos de chumbo, Ana. Alguns desses clamam contra o pensamento único em teoria. Mas só em teoria. Na prática são alérgicos a tudo quanto é debate. Ecos da maioria absoluta, que felizmente já pertence ao passado.

          2. Os monolitos dão a ilusão de solidez e de segurança. Deve ser por isso que alguns os preferem, embora nesses casos a auto-estima deixe muito a desejar…

  3. Cara Sara,
    Cuidado com as generalizações. A minha experiência:
    1) Antiga funcionária minha, hoje no desemprego, pede uma apreciação minha para as novas oportunidades. O seu caso é ter 12 anos, mas 3 anos de curso profissional (e estágio reconhecido) na África do Sul, em 1988 não teve as habilitações escolares e/ou profissionais reconhecidas em Portugal, contudo na empresa as multinacionais para quem exportávamos exigiam que só ela fosse o contacto deles, salientando o seu alto desempenho profissional. Não será um caso de justiça reconhecer as capacidades reais que tem?
    2) Soldador e serralheiro que fez vários cursos pagos por multinacional petrolífera (em entidades no UK e USA). Regressa a Portugal e na minha empresa, nos organismos de ensino, nos organismos oficiais nada daquilo é reconhecido. É uma pessoa que exige aos engenheiros desenhos técnicos, assinados e validados, para executar as suas tarefas. Farto da falta de profissionalismo dos subordinados, dos colegas, das chefias e das administrações volta a emigrar para França onde entra na Framatome e transita para a Areva . Costuma disser-me que só olhamos em Portugal para o Dr ou Eng , tirado à longos anos, mas a formação contínua ao longo da vida (pessoal e profissional) é desprezada em Portugal.

    1. Carlos, em momento algum disse que quem tem títulos académicos é com certeza superior a quem não tem. Sei bem que há muitos doutores e engenheiros incompetentes, e que há muita gente que é extremamente competente naquilo que faz, mas que não progride mais porque lhe falta o diploma… mas penso que isto nada tem a ver as Novas Oportunidades ou EFA 🙂

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *