«Ao João Manuel,
Eu e o João éramos amigos desde os nossos 14 ou 15 anos. Tendo-nos conhecido ainda tão novos, fomos ao longo dos anos vendo crescer e solidificar uma amizade que durou até ao presente. Era, portanto, uma amizade para a vida. Vários interesses comuns de adolescentes, o modelismo, os carros, as motas, as corridas (não perdíamos um circuito de Vila do Conde ou de Vila Real), foram apenas o início do percurso. Mais tarde, já homens feitos e depois de Abril, despertámos para a realidade das coisas e aí começou um novo ciclo de causas e interesses. Um dia – início dos anos 80 – desapareceu e soube mais tarde por um amigo comum que tinha ido para Macau. Durante esse período longo, o pouco que ia sabendo dele chegava-me precisamente através desse amigo. Reapareceu-me um dia, finais de 90’s, com um daqueles grandes sorrisos estampados no rosto e um forte abraço que só os grandes amigos têm para dar, mesmo quando deixam de se ver durante quase 15 anos. E então, sim, sentimos uma alegria imensa quando, ao reabrirmos o “estojo” da amizade, vimos que tudo continuava impecavelmente conservado. Depois, foi Lisboa, os Açores, mas não mais nos perdemos de vista.
Há cerca de 2 anos, telefonou um dia a dar-me a novidade que tinha de vir ao Porto para fazer uns “exames”. Eu, que tinha recentemente perdido uma amiga íntima, vítima de doença cruel e brutal (não tenho tido sorte com os amigos mais chegados), desde então acompanhei-o o mais que pude. A amizade, intacta, reforçava-se agora ainda mais pela força das circunstâncias adversas. Ambos sabíamos que isto não ia ser fácil, mas apesar disso, nunca permitimos que a alegria, o bom humor e o riso contagiante se afastassem dos nossos encontros frequentes. Sempre brincando, com aquele seu inigualável, inteligente e aguçado humor, dizia-me constantemente: “o teu defeito é estares sempre a rir-te”. E, logo de seguida, a rir, concluíamos que ambos tínhamos o mesmo “defeito”. Era uma onda, uma terapia que brotava naturalmente e que, sem receita nem doses certas, ambos sabíamos ser essencial para minorar o mal que começava a consumi-lo.
A recta final foi dura, muito dura mesmo, e com resignação mas nunca perdendo a esperança nem a coragem, tu foste capaz de dar luta até ao fim.
“A um amigo nunca se diz adeus”, já aqui alguém escreveu, e bem. Por isso, meu querido amigo, digo-te um “até já, João”. Vemo-nos na próxima corrida.
Eu e o João éramos amigos desde os nossos 14 ou 15 anos. Tendo-nos conhecido ainda tão novos, fomos ao longo dos anos vendo crescer e solidificar uma amizade que durou até ao presente. Era, portanto, uma amizade para a vida. Vários interesses comuns de adolescentes, o modelismo, os carros, as motas, as corridas (não perdíamos um circuito de Vila do Conde ou de Vila Real), foram apenas o início do percurso. Mais tarde, já homens feitos e depois de Abril, despertámos para a realidade das coisas e aí começou um novo ciclo de causas e interesses. Um dia – início dos anos 80 – desapareceu e soube mais tarde por um amigo comum que tinha ido para Macau. Durante esse período longo, o pouco que ia sabendo dele chegava-me precisamente através desse amigo. Reapareceu-me um dia, finais de 90’s, com um daqueles grandes sorrisos estampados no rosto e um forte abraço que só os grandes amigos têm para dar, mesmo quando deixam de se ver durante quase 15 anos. E então, sim, sentimos uma alegria imensa quando, ao reabrirmos o “estojo” da amizade, vimos que tudo continuava impecavelmente conservado. Depois, foi Lisboa, os Açores, mas não mais nos perdemos de vista.
Há cerca de 2 anos, telefonou um dia a dar-me a novidade que tinha de vir ao Porto para fazer uns “exames”. Eu, que tinha recentemente perdido uma amiga íntima, vítima de doença cruel e brutal (não tenho tido sorte com os amigos mais chegados), desde então acompanhei-o o mais que pude. A amizade, intacta, reforçava-se agora ainda mais pela força das circunstâncias adversas. Ambos sabíamos que isto não ia ser fácil, mas apesar disso, nunca permitimos que a alegria, o bom humor e o riso contagiante se afastassem dos nossos encontros frequentes. Sempre brincando, com aquele seu inigualável, inteligente e aguçado humor, dizia-me constantemente: “o teu defeito é estares sempre a rir-te”. E, logo de seguida, a rir, concluíamos que ambos tínhamos o mesmo “defeito”. Era uma onda, uma terapia que brotava naturalmente e que, sem receita nem doses certas, ambos sabíamos ser essencial para minorar o mal que começava a consumi-lo.
A recta final foi dura, muito dura mesmo, e com resignação mas nunca perdendo a esperança nem a coragem, tu foste capaz de dar luta até ao fim.
“A um amigo nunca se diz adeus”, já aqui alguém escreveu, e bem. Por isso, meu querido amigo, digo-te um “até já, João”. Vemo-nos na próxima corrida.
Do nosso leitor Luís Reis Figueira. A propósito deste post da Laura Ramos.

Um beijo para si, Luís.
Obrigado, Ana, também um beijo muito grande para si. O João vai-nos fazer muita falta a todos, penso eu. Quando vier ao Porto, diga qualquer coisa, está bem? 😉
Também para o Luís, como sempre foi para o João, a amizade é um posto. Deu ainda mais provas disso – dia a dia, semana a semana, mês a mês – ao longo destes últimos dois anos. Merece, sem dúvida, o título de membro honorário do DELITO. E um caloroso abraço.
É verdade, Pedro, a amizade verdadeira para mim é um valor inestimável, que merece toda a nossa entrega. Quanto às suas simpáticas palavras, limitei-me a fazer por um amigo tudo aquilo que seria de esperar dos amigos. E, naturalmente, fico também muito sensibilizado com a “honoris causa” que me atribui. Um grande abraço para si e até sempre.
Um texto muito bonito, Luís!
Um verdadeiro retrato de toda uma vida juntos.
Um retrato, também, da sua imensa coragem e da vossa terapia, que nos invadia.
Até ao fim.
Obrigada, Luís!
Obrigado, Xanda e, como sabes, nada tens que me agradecer. Só lamento que a “terapia” não tenha sido tão eficaz e duradoura como todos gostaríamos que tivesse sido. O João continua na nossa memória e a melhor maneira de o honrarmos é continuarmos a nossa amizade. Um grande abraço e um beijo muito, muito grande.