O comentário da semana


Pedro Correia,

«Como Medina Carreira tem repisado, nós votamos em listas cozinhadas pelos aparelhos partidários, a nossa escolha não passa daí. Estamos à partida impossibilitados de saber quem nos representa.
E ainda há pouco veio no Jornal de Negócios um estudo sobre o que fazem os deputados, e seria de espantar se não fizéssemos já uma ideia de qual a situação (assim é apenas de confirmação) – é ver o que sobre este tema tem sido referido por Paulo Morais e a sua associação Transparência e Integridade…
Quanto à CdR [Constituição da República], é um texto longo, datado, que nos faz eleger directamente um Presidente da República que de pouco serve, e que pretende regular inumeráveis domínios, quando deveria ser apenas um apanhado de princípios fundamentais claros e aceites por todos. Não passa, assim, de um amontoado de palavras sem grande significado, e houve, do mesmo passo, o cuidado de lá meter expressões como “tendencialmente gratuito”, que permitem discussões intermináveis e inconsequentes.
E depois passa-se que, nem submarinos, nem BPN, nem Freeport, nem Portucale, nem nada em que políticos e poderosos estejam metidos, se averigua e transita em julgado, condenando-se quem prevaricou e mandando em paz quem não o fez.
Resumindo, é um não acabar de vícios.»

 

Do nosso leitor Optimista. A propósito deste texto do Rui Rocha.

4 comentários em “O comentário da semana”

  1. Um Optimista um bocado pessimista, parece-me. Ou então não ouviu a ministra da Justiça afiançar que “acabou o tempo da impunidade”.
    Enfim, realista é que será, infelizmente.
    Falta ética à nossa classe política.
    Aqueles malandros fazem (quase) tudo dentro da lei que eles próprios também cozinham, mas da legalidade à HONESTIDADE vai uma imensidão.
    Já nos tempos do Eça assim era, pelo que não se prevê grandes alterações nos tempos mais próximos. Entretanto já passámos da monarquia para a república e nada; da democracia para a ditadura e nicles; e novamente para a democracia e… népia.
    Isto não vai lá com operações de cosmética. A sujeita está de tal forma entranhada que é preciso um esfregão de arame.
    O algodão não engana…

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