«Realidades imaginárias;
Director IEFP Tavira: – Oh Clarinha (a secretária) faça lá aí um anúncio no Gilão (jornal da terra) para admitir uma educadora ali para o jardim de infância, sff.
Clarinha – Oh sr. Director, olhe que agora temos que fazer ali pelo portal do emprego na net!
– Oh que diabo… então e isso é donde?
– Na net…
– Mas aqui em Tavira?
– Hum?
– Se fazemos aqui em Tavira! Irra, não entende o que digo?
– Sim, fazemos, basta entrar no site e colocar o anúncio…
– Hum… claro, então trate lá disso e no fim fale comigo.
Enquanto espera pela Clarinha o director recebe um telefonema.
– ‘Tou, és tu, Verita?
– Sim, padrinho, sou eu.
– Olha, aquilo do lugar ali no jardim ’tá garantido, só que tem que ir ao portal na net.
– Hum?
– Pois aqui a Clarinha ’tá a tratar de tudo.
– Pois mas então assim, se o torna público…
– Não é nada público! É o portal da net!
– Oh padrinho, não vê que assim toda a gente fica a saber do lugar?
– Hum? Então mas o portal da net é só uma forma de coiso o anúncio… para depois eu meter lá o teu nome e ficas assim escolhida!
– Tem a certeza, padrinho?
– Ora então quem manda aqui? Claro que sim, Verita! Olha e tu ’tás bem? A mãezita já ’tá melhor das cruzes?
(nisto entra a Clarinha)
– Sr. Director… er… já fiz o anúncio… agora é só colocar no portal… qual a data limite para as candidaturas?
– Hum? Candidaturas? Quais candidaturas???
– Então, para o lugar de educadora…
– ‘Tou, Verita, logo te ligo, ’tá bem?
– Oh… Oh… Oh, Clarinha, chega lá aqui… não te lembras de eu te ter falado na Verita, a educadora que é minha… afilhada?
– Er… sim aquela novita que estava no outro dia aqui no gabinete…
– Pois essa mesmo! Anda tão necessitadita de trabalho, sabes? E por isso a ver se lhe calhava esta posiçãozita… Já a mandei lá ir à creche e tudo!
– Mas oh sr. director e então como fazemos com o anúncio? É que vão chegar candidatas…
– Oh Clarinha, então eu não posso lá meter uma indicação que o lugar é da Verita?
– Eu acho que não…
– Ora não digas isso… vamos lá ver, senta lá aqui ao pé de mim e vamos lá a isso do portal. Disseste que era em Tavira, aqui no instituto… Dá, não dá?
– Hum? Sim, pode ser no seu computador…
(Depois de preencher o formulário)
– Pronto, Sr. Director, o formulário está preenchido, agora é só dar ok e publicar no portal.
– Oh rai’s parta, outra a dizer que é público. Oh Clarinha, é o portal na net, não é o público! Bom e então onde posso meter o nome da Verita?
– Oh sr. director, olhe, que acho que não pode…
– Deixa lá ver isso… olha aqui! Achei logo o sítio! Vês onde diz ‘Outros conhecimentos’? Tem espaço à frente para caber o nome da Verita! E é um conhecimento que eu dou! Um outro conhecimento! Vá, escreve lá: Para a Verita.
– Oh, Sr Director…
– Pois… é capaz de ‘tar mal… Mete assim: Admitir a Verita!
– Hum?
– Pois, a Verita… anda, põe o nome dela, é Vera Pereira… fica mais de acordo com as normas. E põe em letras das grandes, que é para não haver enganos!
(passados uns segundos…)
– Deixa lá ver… Oh… Clarinha, então não vês que falta um A?
– Onde, Sr. Director?
– Ai essa quarta classe mal tirada… Aqui! Põe lá, e letras grandes!
(A Clarinha sai do escritório).»


Caro Pedro, obrigado pelo destaque! Sabe que a realidade por vezes dá asas à nossa imaginação 🙂
A hiistorinha está bonita. Pena é que não tenha qualquer ligação à realidade, como pretende o autor.
Tiro ao alvo, o autor não pretende qualquer ligação à realidade. Relaxe. 🙂
Tiago, ainda bem que o amigo confessa que a sua imaginária história não tem, como deu a entender, qualquer ligação à realidade. É que, quem a ler e estiver desprevenido, pode pensar que história podia ser verdadeira.