«Precisamente: [ph é “antigo” apenas em Portugal e noutros países com iguais ou superiores índices de analfabetismo] iguais ou superiores índices de analfabetismo.
Ou de devastadora incultura, mesmo entre os alfabetizados. E de penosíssima falta de amor-próprio, coisa típica de um povo para quem o patriotismo se revela (e extingue) no fervor por uma “selecção” que no caso da de futebol nem carece dessa precisão; a coisa é presumida. E se exterioriza pela bandeira nacional exibida na varanda a pretexto do pontapé na bola – mesmo que colocada invertida… – e nada mais.
Um povo que não lê – a não ser os três jornais diários (!) de futebol – e as revistas de (perdoem-me a palavra) “sopeiras”. Donde, um povo para quem a única visão que interessa do idioma que falam é a funcional: entende-se o que se diz? Óptimo! Escrever não é problema, porque não se pratica. E para uma comunicação apenas rudimentar, uma fala ou escrita embrutecida serve muito bem.
E sempre é “pogresso”, num país onde o antigo é “velho” (donde a abater, demolir, substituir).
E é por isso que bem temo que o Acordo Ortográfico paulatinamente vingue. É o que este povo merece.»
Do nosso leitor Costa. A propósito deste meu post.

O director da escola onde trabalho lê A Bola e escreve “contatos”. Até passou a dizer “contatos”, vejam lá. E também anda de calções e chinelos. É um programa de modernidade? Será por ser retornado? Não. É apenas estupidez e imbecilidade profunda.
Esse director é um imbecil. Direi mesmo mais: é um diretor.
Estupidez e imbecilidade profunda, mas alimentadas por uma campanha de desinformação nunca vista em Portugal – à altura do inédito do crime.
Para a alfabetização nunca houve nenhuma.
Por falar em futebol:
Esta preciosidade da nossa correspondente da RTP, Drª Veloso, em Madrid:
…” Mourinho despensa o futebolista português Carvalho…
portanto, irá acabar a carreira ou em França, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Italia… ou quem sabe em Portugal…!
Aí já será apenas uma questão de pronúncia, suponho.
Li ontem numa legenda, nem me recordo em que canal televisivo, a palavra “exeção”. Juro. Eu nem queria acreditar nos meus olhos – e mesmo estando numa frase, levei um bom par de segundos a convencer-me de que aquilo era suposto ser “excepção”. Parafraseando Passos Coelho, isto é ir além da idiotice.
Ainda pior que essa é “receção”, que pela grafia se torna homófona de recessão. Um profundo disparate.
A substituição do ph pelo f (por exemplo em ph/f/armácia):
1. Só aconteceu em países com elevado analfabetismo? Ena, tantos países analfabetos por essa Europa fora!
2. Para um País sem patriotismo, é impressionante como os Portugueses conseguiram ser o único povo da Península a resistir a Castela ao longo de tantos séculos.
3. O povo lê pouco, é um facto. Lerá muito o americano comum?
4. Entender o que os outros dizem/escrevem é bem bom. Infelizmente, não me parece assim tão comum…
5. Essa do “pogresso” só pode ser a gozar com o nosso mais alto magistrado. Brincalhão…
6. Bem verdade, antigo é sinónimo de velho, que por sua vez significa caduco, ultrapassado. Mas é só em Portugal?
7. “É o que este povo merece”. Sentença bem azeda…
Dez anos depois, dessa falta de cultura (pior, desse militante desprezo pela cultura; em regra afirmada em nada mais do que alegados festivais etnográficos – de básico folclore repetido – e de gastronomia – sardinhas, febras, entremeada, frango assado e mau tinto -, em festas de aldeia) pouco há a dizer: está robusta, é orgulhosa, arrogante. Essas revistas parecem multiplicar-se e os jornais da bola cá andam, umas e outros brilhantes e, como agora se consagra, “resilientes” representantes da imprensa portuguesa. Do uso da bandeira nacional como orgulhoso capacho desse fervor simiesco por uma selecção que nem é necessário dizer de quê, nada a dizer: está bem e recomenda-se.
A fornada geracional que se segue à “mais bem preparada de sempre”, essa, já está formatada integralmente pelo AO90. E escreverá ainda menos que a anterior. Escreverá e lerá. Quando o faz é nos louvabilíssimos tik toks e afins (o facebook consta que já é para “cotas”, coisa largamente do passado: “velho”, cá está e talvez até demasiado sério, denso, para as nossas mentes só futuro) e, com AO90 ou sem AO90, em verdadeiras criptografias da estupidez.
De modo que, de forma muito natural e fervorosamente desejada, entre Poder e Povo, a coisa vingou paulatinamente. Ainda há, é certo, uns “irredutíveis gauleses” (expressão cujo significado será já largamente ignorado).
Mas a aldeia, temo, vai envelhecendo.
Tal e qual. Há dez anos e agora.