"O medo e a intolerância triunfaram. Mas não creio que seja o medo e a intolerância do eleitorado, antes o medo e a intolerância dos proponentes da medida. Da parte do eleitorado houve provavelmente, e acima de tudo, ignorância. E o principal derrotado, além da justiça, terá sido a comunidade islâmica europeia.
Falta informação sobre o Islão, sobre o que significa ser muçulmano. Falta acção em vez de reacção. Os muçulmanos reagem demasiado de forma negativa quando a sua religião é acusada e de forma defensiva quando muçulmanos cometem crimes ou acções moralmente condenáveis. Falta a pedagogia para demonstrar as virtudes do Islão e os pontos em contacto que possui com o cristianismo e com o judaísmo. Não só os muçulmanos europeus beneficiariam, mas também os do resto do mundo e, muito especificamente, a Turquia, que poderia ver os seus pedidos de adesão à União Europeia a avançarem finalmente.
Medo e intolerância sim, mas essencialmente ignorância por preguiça."
Do nosso leitor João André. A propósito deste texto do Paulo Gorjão.


Muito bem.
Correctíssimo, Pedro. «Gritar» só contra os suíços não ajuda a compreender o problema.
É isso mesmo, Joana.
Informação é, de facto, o que falta. Para que as decisões dos eleitorados ocidentais não sejam ditadas pelo medo de uma “invasão” islâmica ou de abrir as portas ao terrorismo.
E o Rui Tavares põe o dedo na ferida ao referir que foi nos cantões com maior predominância de muçulmanos que a proibição mais foi rejeitada. A convivência dá origem à familiariedade e a que os receios sejam menores.
É verdade.