«Quando há dias estive no balcão da FNAC-Colombo a adquirir bilhetes para o “Espirito da Dança” para o Coliseu do Porto, a menina que me atendeu olhou-me de olhos postos no além e perguntou-me, pensamento posto talvez num bisavô, se eu já tinha 65 anos…
“Esta gaja tá pitosga”, pensei, “ou então, estou com pior aspecto do que penso”.
Respondi-lhe que ainda não. Olhou de novo para o monitor e esclareceu-me, que se tivesse 65 anos, teria direito a um desconto. Então, com uma ponta de malícia, retorqui-lhe:
– Nesse caso, se acreditar na minha palavra, torno-me imediatamente num sexagenário, ou num septuagenário, ou até mesmo num octogenário, depende da percentagem do desconto…
Não ligou à minha resposta. Ou então, para se vingar do meu atrevimento, colocou-me nova pergunta:
– E não quer fazer um seguro de bilhete?
– Um seguro? Mas que tipo de seguro? Contra terceiros, de riscos próprios, de incêndio, contra fenómenos sísmicos, raios ou explosões?
– Não. Para o caso de à última hora não poder assistir ao espectáculo!
– Ah… nesse caso, como suponho que os bilhetes irão esgotar, coloco um anúncio na net e ainda os vendo, mais caros do que comprei. É a isto que se chama um sistema de economia capitalista…
– Então não quer fazer o seguro? Olhe que vale a pena, são só mais um euro e cinquenta por bilhete…
– Não brinque comigo, menina. Então ainda há pouco me queria oferecer um desconto de idade e agora está a querer encarecer-me o bilhete?! Afinal qual é o seu negócio: é vender bilhetes ou seguros?
Fechou a expressão facial, estendeu-me os bilhetes, olhou para o lado e, relutante, anunciou: “O próximo…”»
Do nosso leitor Bartolomeu. A propósito deste texto do JAA.

Que grande destaque me dedica o caro Pedro Correia.
Para além do merecimento da simpatia, é uma honra figurar com tão singelo relato, na “montra” do Delito.
De agora em diante, vou aprumar-me mais nos comment’s!
😉
Singela homenagem à qualidade, assiduidade e boa disposição dos seus comentários, meu caro.