O comentário da semana


Pedro Correia,

 

«Parece ser já um dado adquirido que a geração do Emanuel, os que nasceram dos 80s para cá, nunca mais terá as facilidades para a compra de casa que existiram até há dois anos, por várias razões cuja discussão daria pano para mangas.
No que diz respeito aos contratos existentes, quando os utentes deixam de ter maneira de pagar, e entregam as casas ao banco, é justo que o banco, ao receber as casas que avaliou por um certo valor, considere as respectivas dívidas pagas. Os bancos em Portugal são privados e funcionam numa economia de mercado, que por isso mesmo implica riscos, e não podem pôr o ónus todo em cima dos clientes. É um facto que há muitos casos em que as casas foram sobreavaliadas, porque com o empréstimo para a casa vinha dinheiro para obras, para mobílias e às vezes até para um automóvel. Mas os bancos faziam-no conscientemente e sabiam os riscos que corriam. Agora têm de se aguentar, e não se pode exigir a pessoas que ficam sem nada que ainda por cima fiquem o resto da vida a pagar ao banco para este não ter prejuizo, ou apenas para manter a margem de lucro prevista. O banco avaliou por 10? então agora não pode dizer que só vale 7.
Alturas houve que os bancos apenas emprestavam no máximo 70-80% do valor da avaliação, mas depois veio a desbunda que todos sabemos, e até agora a corda tem partido pelo lado do mais fraco, situação que, espero eu, esta sentença venha alterar.


P. S. – Convém não nos esquecermos que já depois da crise do Lehmans ter rebentado, e quando a economia portuguesa já dava grandes sinais de crise, com o desemprego a vir por aí acima, os bancos portugueses continuavam a anunciar todos os trimestres lucros obscenos, bastas vezes até superiores aos do tempo das vacas gordas. Até parecia que estavam a gozar com o pagode.»

 

Do nosso leitor Alexandre Carvalho da Silveira. A propósito deste texto do João Carvalho.

6 comentários em “O comentário da semana”

  1. As pessoas foram no engodo do crédito barato e fácil, para a compra:
    – De casa / férias/ automóveis/Obras sem pedreiros/ luxos…. ontem foram”levadas” pelo Pingo Doce….

    Tanta gente enganada por tão poucos!

    Não será demais?

  2. É óbvio que os Bancos devem limitar-se a ficar com o imóvel. Os riscos são para os dois lados.

    Claro que o resto do texto é tudo asneira, critica aos bancos quer dizer que muito menos casas teriam sido fabricadas, muito menos emprego existiria.
    E a definição de “lucros obscenos”…
    Ou seja como a maioria temos mais uma vez a esquizofrenia portuguesa: alguém a dizer mal do crédito mas a querer os resultados dos anos dourados desse crédito.
    Os prédios que se construíam e colocavam o desemprego em 6-7%, toda a bolha que proporcionou o que agora parece tempos dourados quando na verdade eram e ainda são tempos insustentáveis.

    Claro que se não houvesse facilidade de crédito então as críticas avassaladoras dos mesmos seriam de descriminação dos pobres no acesso ao crédito etc etc…o Estado Português sobre pressão talvez criasse umas Fanny Mae e Freddie Mac…e o filme seria o mesmo…

      1. Muito obrigado Pedro, pela sua generosidade. De facto no Delito sinto-me em casa, e é com todo o gosto que participo nas sempre interessantes discussões que aqui acontecem.
        Um abraço.

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