«Há dois meses fui com dois colegas de serviço ver um jogo de futebol. Embora eu fosse da equipa da casa, os meus amigos eram da equipa de fora e fomos para o espaço dedicado aos adeptos da equipa forasteira.
Quando o jogo acabou, furámos o cordão de segurança e fomos para um centro comercial, nas imediações, jantar. Acabado o jantar, sentimos que estávamos a ser perseguidos e tentámos despistar os perseguidores. Fizeram-nos uma emboscada dentro do próprio centro comercial e acabámos por ser agredidos por cerca de seis elementos. Por sorte, ainda estávamos dentro do centro comercial e os seguranças rapidamente actuaram e fizeram com que os agressores nos deixassem em paz.
Alertada a PSP, que se encontrava nas imediações do estádio, ainda conseguiram interceptar dois dos agressores, se bem que tivessem trocado bonés e casacos para que fosse mais difícil reconhecê-los. Estivemos nas instalações da administração do centro comercial cerca de duas horas, até que os meus colegas fossem para o hospital e eu para a esquadra, pois não sentia necessidade de receber tratamento e queria apresentar a queixa o mais rápido possível.
A agressão ocorreu por volta da 23 horas e já passava das 4 da manhã quando saí da esquadra, uma vez que o agente esteve a redigir no computador o alegado pelos agressores e só depois me chamou, cerca das 3 da manhã, para prestar o meu depoimento e apresentar queixa. Quando finalmente entrei na sala, ele pensava cada frase que eu dizia e escrevia, apagava, voltava a escrever e pensava imenso. Eu, que até trabalho na área da justiça e conheço muitos termos técnicos, tentei que as minha palavras fossem adequadas e que constassem nas declarações.
Enquanto estive à espera fui conversando com vários agentes que iam e vinham, das rondas que andavam a fazer, e alguns até me diziam “olhe que se fizer queixa, tem de ir ao Instituto Médico-Legal fazer exames” como a tentar dissuadir-me de a apresentar.
Dito isto, acho que as forças policiais deviam ter pessoas específicas, que até podiam ser “civis”, para tratar deste tipo de situações, pois é inadmissível que, não tendo ninguém à minha frente, tenha estado mais de três horas na esquadra para poder apresentar a minha queixa.»


Muito bem: uma história e tanto. E um bom contributo.
Também achei, Laura.
Muito zelo é o que há.