![21614489_VMzVp[1].jpg 21614489_VMzVp[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21617140_Z4ZdR.jpeg)
«Começou com parte substancial das mulheres e dos homens (perdão, toda a gente) a ser engolido pela voragem do aparente, numa emancipação artificial. Como modelo de felicidade apareceram os casais delgados muito alinhados, iguais aos dos anúncios a margarinas magras com sabor a manteiga, ele de ar blasé, de camisa azul clara aberta, calças de sarja bege e sapatilhas adidas, ela de blusinha de viscose, saiinha a condizer e sapatinho de bailarina, ambos a sorrir muito para irradiar aquela felicidade pessoal e profissional que se reconhece ter sido alcançada com a prática da outrora auto-ajuda, hoje couching.
A seita dita proibições na alimentação e impõe o exercício físico. A seita com muitos e muitas beatas prontos a catequizarem todos os hereges que não resistem aos pecados capitais da gula e da preguiça. Começaram por ser adeptos do chamado estilo de vida saudável e vão alargando o seu campo de acção. Cada vez que os contestamos (a medo, nunca se sabe) temos de ouvir sermão e missa cantada. Porque é blasfémia, porque deturpamos tudo e só estamos a demonstrar a nossa ignorância e apego aos mitos antigos.
O facto é que quando se começa por confundir apetite, desejo e humanidade com perversão acaba-se a ver pecado numa simples travessa e a pugnar pela ausência de corpo, esse pedaço de culpa, que a modernidade há de querer esconder.»
Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

Agora quase me sinto menos mal por ontem ter ido devorar um empadão de perdiz, pernil e sei lá mais quantas iguarias no Dona Isilda (o mais indigesto foram as fotos de Ricardo Salgado, Paulo Portas e Joe Berardo na parede).
Pelos vistos escapou-se a fotos indigestas de gentes como Antónios Costas e Josés Sócrates e outros que tais!….
É que a juntar aos mencionados, deixava de ser indigesto e entrava no domínio da indução ao vómito!!!
Erro gramatical.
Os casais felizes praticam o coaching. Ou couching estou eu a fazer agora.
Tem razão, obrigada. 🙂
Falta autocrítica.
Reparem no caso do Bernardo.
A indignação que se levanta… tudo por causa de uma onda de indignação. Aqueles que atacam a decisão têm exactamente o mesmo comportamento do que o dos que atacaram a publicação.
Ah, mas esta causa é justa. Pois, na mente dos outros, a causa do conguito também o era.
E fazendo uma conjectura, caso tivesse sido um mulato brazuca a comparar o Bernardo a um padeiro, e por isso fosse castigado, que diriam os luso-indignados?
Riríamos com a piada e, se soubéssemos, zombaríamos dos brasileiros. O que está bastante longe de processar alguém por fazer uma piada.
Como portugueses – no limbo entre os povos mais ricos e influentes e os mais desfavorecidos -, temos a obrigação de não ser infantis e perceber que a vitimização não conduz ao respeito.
Obrigada pelo destaque, Pedro. 🙂
Merecido, Isabel. Sem dúvida.
Comentário da Semana bem escolhido. Aqui está um texto que merece ser lido duas vezes. Ou mais.
Como escrevo mais acima, foi uma escolha inteiramente merecida.
Que nenhum verdadeiro português se atreva a dizer mal do “coaching”! Estavam quase todos os nossos compatriotas a praticá-lo intensamente há mais de hora e meia quando um ilustre herói nacional (perdoem-me os pleonasmos), ele também beneficiário confesso de “coaching”, deu o pontapé definitivo na malapata. Viva o “coaching”, pois foi graças a ele que se “fez” história !
Um tiro ao lado.
A forja da culpa nos outros como instrumento para os excluir e afastá-los como concorrentes na urbe.
lucklucky