«Eu que vivo em Gaia City há apenas uns meses, sou de Aveiro e trabalho em Gaia, já pude verificar umas coisas: Gaia é um concelho já de si bastante grande. É curioso que as pessoas que vivem em São Félix da Marinha se identificam mais com Espinho e não tanto com Gaia. Acho estranho que um concelho pequeno como Espinho esteja rodeado por 2 enormes (Gaia e Feira), podendo perfeitamente abarcar freguesias como a que já disse, ou Grijó, Seixezelo ou Nogueira da Regedoura.
Outro caso curioso é São João da Madeira que tem apenas 1 freguesia e 8 kms quadrados, no entanto é um núcleo urbano maior que Feira ou Oliveira de Azeméis (que juntas têm tipo 50 freguesias). Outra área que conheço bem é da de Lafões: quem vir um mapa dos três concelhos (Oliveira de Frades, Vouzelas e S. Pedro do Sul) não percebe minimamente o porquê daquela divisão.
Murtosa podia perfeitamente integrar o concelho de Estarreja, integrando também a freguesia de S. Jacinto (cuja única ligação directa à sede de concelho é por água), Mira podia ser dividida entre Vagos e Cantanhede. Bastava um pouco de estudo e reduziam para 200 o número de concelhos, sem precisar de mexer em muita coisa.»
Do nosso leitor Emanuel Lopes. A propósito deste texto do JAA.


Tudo isto é muito bonito e, em grande medida, estou de acordo.
Porém, isto vai contra os orgulhos de muitas vilas. Eliminar Murtosa ou Mira como sedes de concelho? Integrar São João da Madeira num dos concelhos vizinhos? Isso está muito certo, mas levantaria revoltas populares nessas vilas/cidades.
É preciso compreender que os concelhos estão construídos, em grande parte, sobre o desejo de poder de burguesias locais. As burguesias das vilas desejam ter um território no qual mandar.
Estou à espera de o governo pôr estas propostas do leitor Emanuel Lopes no papel. Mas acho que posso esperar sentado. É que o governo não tem coragem para subscrever uma proposta de fusão de concelhos. Fica-se por aguardar (sentado, claro) o voluntarismo destes.