O comboio que via passar os homens


jmmcc,

Com a discussão na especialidade, o País terá em breve o seu Orçamento para 2011. Afinal, o que significa realmente o ruidoso acordo que permitirá a sua aprovação? Não faltaram palpites sobre isso, mas creio que ficou por salientar um enorme logro, o monstruoso engano que continua a empurrar-nos para o abismo já ali adiante: o nonsense de manter na gestão orçamental os comprovadamente maus gestores que nos arrastaram até aqui.

Se a manutenção dos talvez piores executivos de sempre à frente da próxima execução orçamental é o que achamos que nos permitirá respirar por mais um tempinho, então podemos ir comprando garrafas de oxigénio. O ar será cada vez mais irrespirável, governados por um executivo que nunca cumpriu os orçamentos e os PEC que ele próprio apresentou e que, ainda por cima, é mantido a governar sem programa de governo: o seu programa deixou de existir quando, logo depois das eleições e da aprovação do dito cujo, foi conhecida a realidade das contas públicas, escondidas durante a campanha eleitoral.

Portugal vive um dos seus momentos mais dramáticos do modo mais inexplicável e inesperado, ou seja, na mais complexa e insólita contradição. É como se tivéssemos um TGV estacionado no Poceirão a ver passar os ministros de avião para a Europa.

6 comentários em “O comboio que via passar os homens”

  1. Muito bem. Percebo bem a tua indignação, que é também a minha e a da maioria dos portugueses (as sondagens comprovam isto). Este governo que nos últimos dois anos foi incapaz de acertar em qualquer das previsões macro-económicas que anunciou e que em 2009 apresentou um programa eleitoral fraudulento aos portugueses perdeu toda a legitimidade política para continuar em funções.

    1. É que é mesmo isso. Portugal é conduzido pela fraude, de fraude em fraude. O ministro Mendonça (acaba de saber-se) é o protagonista de mais uma fraude (o desastroso custo escondido do Poceirão/TGV) e o país fica sempre à espera da fraude seguinte.

      1. Por um lado, o Governo exige que o PSD viabilize o Orçamento para 2011. Por outro, faz tudo na prática para que isso não aconteça, desenterrando periodicamente os ‘grandes empreendimentos’ que os sociais-democratas, na fase actual, nunca aceitariam (e muito bem). Esta duplicidade estratégica – que anseia pela ruptura negocial enquanto se pede à oposiçao que negoceie – explica a declaração de hoje do ministro da Obras Adiadas.

        1. Não tenho dúvidas. Portugal tornou-se um país de contradições. E os protagonistas são mantidos à tona, para garantir a institucionalidade da contradição vigente.

  2. Essas insólitas contradições
    de um Governo desgovernado
    são as mais exactas aberrações
    de um regime envenenado.

    Nesta política vergada
    por tantos erros cometidos
    há muita gente engasgada
    após abjectos desmentidos.

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