O combate dos chefes.


Luís Menezes Leitão,

 

Se há coisa para que não há verdadeiramente pachorra é para a constante troca de mimos entre Soares e Cavaco. Já vemos isto desde 1985. Soares, quando Cavaco surgiu, qualificou-o como alguém sem currículo político, tendo depois que engolir que ele tenha causado ao PS a maior derrota política que alguma vez o seu partido sofreu. Soares vingou-se, fazendo-se eleger Presidente da República, derrotando por uma unha negra o candidato de Cavaco, Freitas do Amaral. Cavaco teve assim que engolir Soares como Presidente da República durante dez anos, não deixando de o mimosear com epítetos como “força de bloqueio” e garantindo que o iria fazer “terminar o mandato com dignidade”. E Soares de facto terminou dignamente o mandato, conseguindo derrotar Cavaco e eleger Jorge Sampaio, garantindo em seguida que a presidência ficava “em boas mãos”. 

 

Cavaco viu-se assim obrigado a uma travessia no deserto durante dez anos. Mal se quis candidatar a Presidente, Soares atravessou-se, tentando evitar a sua eleição, o que redundou na derrota mais humilhante que alguma vez teve. Mas a partir daí não deixou de infernizar a vida a Cavaco em sucessivas declarações assassinas. A última foi a de que Cavaco deveria ser julgado no caso BPN, o que levou Cavaco a esta declaração de ataque claro a Soares.

 

Por muitas voltas que dê a política em Portugal, estes dois vão continuar em combate permanente. É a nossa versão do combate dos chefes.

11 comentários em “O combate dos chefes.”

  1. Bem, que eu saiba, Soares não tem qualquer autoridade. Lembremo-nos, entre outros, do episódio do livro de Rui Mateus, contendo graves acusações (face a cujas o MP permaneceu mudo e quedo), que misteriosamente desapareceu das livrarias, sobre que Marinho Pinto (!) escreveu na altura o seguinte:

    “Não havia seguramente no PS ninguém em quem Soares depositasse mais confiança. Ainda hoje subsistem muitas dúvidas (e não só as lançadas no livro de Rui Mateus) sobre o verdadeiro destino dos financiamentos vindos de Macau. No entanto, em Tribunal os pretensos corruptores foram processualmente separados dos alegados corrompidos, com esta peculiaridade (que não é inédita) judicial: os pretensos corruptores foram condenados, enquanto os alegados corrompidos foram absolvidos. Aliás, no que respeita a Macau só um Pais sem dignidade e um povo sem brio nem vergonha é que toleravam o que se passou nos últimos anos (e nos últimos dias) de administração portuguesa naquele Território, com os chineses pura e simplesmente a chamarem ladrões aos portugueses. E isso não foi só dirigido a alguns colaboradores de cartazes do MASP que a dada altura enxamearam aquele território. Esse epíteto chegou a ser dirigido aos mais altos representantes do Estado Português. Tudo por causa das fundações criadas para tirar dinheiro de Macau. Mas isso é outra história cujos verdadeiros contornos hão-de ser um dia conhecidos. Não foi só em Portugal que Mário Soares conviveu com pessoas pouco recomendáveis. Veja-se o caso de Betino Craxi, o líder do PS italiano, condenado a vários anos de prisão pelas autoridades judiciais do seu país, devido a graves crimes como corrupção. Soares fez questão de lhe manifestar publicamente solidariedade quando ele se refugiou na Tunísia.”

  2. Um dos princípios da Revolução Francesa, tão querida de Mário Soares, é o princípio da legalidade criminal que faz com que um tiranete (um “político”) não possa alegar de outrem a prática de crime , porque lhe apetece , sem dizer a lei ou o crime a que se refere.

    Posto isto, a que crimes (só os previstos na lei, como se traduz tal princípio) se refere?
    A justiça funciona aplicando a lei, mediada por factos, encadeados por regras de acesso probatório;
    A justiça não funciona aplicando a vontade do Poder, ou de alguém que diz o que diz, sem regras para afirmar a culpa de alguém.
    É bom que a nossa Sociedade Civil perceba isto em absoluto.

    Por respeito (devido sempre!) nada mais impõe a dizer a Mário Soares.

  3. Declarações assassinas? Não gramo Cavaco nem pintado, mas Soares apenas está a passar por anti-democrata, arrogante e chéché—uma pessoa que com todo o seu mundo e socialismo detesta ver um campónio na cadeira da Presidência. Como toda a Maçonaria, aliás.

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