
Não há nada de que eu mais goste de que assistir a ex-políticos, que falharam rotundamente quando estiveram em funções, mas que mais tarde se permitem, do alto do seu estatuto senatorial, tecer comentários críticos sobre quem lhes sucedeu. Provavelmente essas críticas devem ter imenso efeito nas pessoas mais novas ou em gente desmemoriada. Para quem se lembra dos tempos em que eles exerceram funções, como é o meu caso, confesso que o descaramento me espanta.
Balsemão foi primeiro-ministro entre Janeiro de 1981 e Junho de 1983, tendo sucedido a Sá Carneiro, após a sua trágica morte a 4 de Dezembro de 1980. Herdou uma maioria absoluta no parlamento, resultante de duas vitórias eleitorais sucessivas de Sá Carneiro e Freitas do Amaral. Apesar disso, foi absolutamente incapaz de assegurar um governo estável, tendo-se demitido por duas vezes do cargo de primeiro-ministro, em virtude de meras críticas internas. Da segunda vez, a pretexto de “se ir dedicar ao partido”, resolveu apresentar um primeiro-ministro interposto, Vítor Crespo, que tratou de arranjar um governo de segundas linhas. Freitas do Amaral, vendo o que se passava, demitiu-se a correr de todos os seus cargos políticos. Com o país em estado de choque, só o Presidente Eanes resolveu o assunto, rejeitando o governo proposto e dissolvendo o parlamento. O governo de Balsemão deixou o país em tal estado que, a seguir, o PSD viu-se forçado a aceitar um governo de bloco central com o PS, presidido por Mário Soares, que chamou imediatamente outra vez o FMI.
É espantoso que, tendo este currículo governamental, Balsemão se permita dizer que Passos Coelho é um “cocheiro frustrado” “com os cavalos um pouco cansados”. Eu pessoalmente tenho sido muito crítico de Passos Coelho, mas reconheço que foi primeiro-ministro na situação mais difícil que Portugal atravessou desde o 25 de Abril e conseguiu levar o barco a bom porto, resolvendo todas as tormentas que surgiam. Qualquer comparação com Balsemão é arrasadora para o próprio Balsemão. Basta lembrar a maneira como Passos Coelho segurou Portas, quando ele quis fugir do governo, ao contrário do próprio Balsemão, que não só se demitiu duas vezes, como deixou Freitas do Amaral dar às de Vila Diogo.
O futuro político de Passos Coelho depende de conseguir ultrapassar ou não a situação política nova que António Costa lhe criou. Mas, venha ou não a ter sucesso, nunca será um “cocheiro frustrado”, pois soube conduzir o coche na perfeição na altura em que foi primeiro-ministro. O mesmo não se pode dizer de Balsemão, pelo que, se esse epíteto assenta a alguém como uma luva, é a ele próprio.

Subscrevo, dei a possibilidade de Passos liderar o partido e de chegar a Primeiro-ministro, em muitas coisas desiludiu-me, mas mostrou-se sempre determinado em enfrentar os obstáculos, divergimos ideologicamente, mas foi um condutor desta carruagem nacional forte nas suas convicções ao contrário de Balsemão, que se tornou grande à sombra de OCS mas por onde joga em todos os tabuleiros parecendo mais para garantir público do que por ter uma ideia para este Portugal
Pelo rosto … se nota que está muito “cansado”….
Só transformar o Expresso num pasquim do PS…. dá uma trabalheira !!!!
“foi primeiro-ministro na situação mais difícil que Portugal atravessou desde o 25 de Abril e conseguiu levar o barco a bom porto,
Se calhar é um exagero. tinha maioria absoluta e uma ajuda externa para cumprir o seu programa. Ajuda que ele pagou sendo o verdadeiro “puxa-sacos” da troika.”
E falhou todo o programa económico.
“Basta lembrar a maneira como Passos Coelho segurou Portas, quando ele quis fugir do governo, ao contrário do próprio Balsemão, que não só se demitiu duas vezes, como deixou Freitas do Amaral dar às de Vila Diogo.”
Tem razão se virmos a política como a arte da traição.
Pode admirar Passos Coelho, mas dizer que ele conseguiu levar o barco a bom porto, é demais. Só se esse bom porto foi aumentar a dívida e pôr os portugueses a pão e água. Passos segurou Portas porque lhe deu, o que ele quis, um cargo de vice primeiro ministro e Cavaco ajudou. Passos Coelho, teimoso e incapaz de desempenhar o cargo porque nada fez, a não ser, fazer o que Bruxelas dizia sem nunca negociar nada.
Diria mais:
– cocheiro frustrado, funcionário fiel dos mercados, de cuja frota foi surpreendentemente apeado pelo povo português em eleições livres.
Quem diria?!
Sr. L. M. Leitão:
Disse: «Eu pessoalmente tenho sido muito crítico de Passos Coelho, mas reconheço que foi primeiro-ministro na situação mais difícil que Portugal atravessou desde o 25 de Abril e conseguiu levar o barco a bom porto, resolvendo todas as tormentas que surgiam.»
Considerar a situação de 2011 a mais difícil, quando tivemos o suporte da UE e do BCE, é, no mínimo, irrealista, isto apenas para não usar um adjectivo mais desagradável.
Em que grau diferiu a situação de 2011 do pós-PREC ou a da pós-calamidade em que a AD deixou o país em 1983?
E que possibilidades de apoio externo houve alem do habitual FMI?
E dizer que Passos «conseguiu levar o barco a bom porto» só de um extra-terrestre.
Veja os principais indicadores da economia portuguesa formulados (não pelo BE, não pelo PCP, nem sequer pelo PS) pelo ex-ministro de Passos Coelho, Santos Pereira, em 2011, e compare a sua evolução em Dezembro de 2015.
É preciso ter topete.
Sim comparemos:
Topete é alguém que delira com 0.5% de crescimento e um défice do valor orçamentado de 25%.
Mas 5,6% negativos de crescimento do PIB em, 4 anos de passismo/portismo, esses é que foram bons.
A velhice é sempre uma segunda infância no sentido em que ressurgem crenças e tíques que a maturidade dominou ou esbateu.
Não admiraria que o betinho ressurgisse com suas pompas e presunções.