O Che Guevara grego.


Luís Menezes Leitão,

 

É interessantíssimo ver como o Die Welt qualifica Alexis Tsipras: o Che Guevara grego ou o Messias da esquerda europeia. As suas propostas políticas lembram o PREC português de 1975, altura que o nosso Otelo também se proclamava o Fidel Castro da Europa. Tsipras tem o retrato de Che Guevara no seu gabinete e deseja fazer uma revolução como ele. A revolução passa naturalmente pela nacionalização de todos os bancos e pelo combate ao desemprego através da criação de novos cargos públicos e de empresas estatais. E quem vai pagar os custos desta política será naturalmente a solidariedade europeia, já que Tsipras não quer sair do euro. Mas não deixará de declarar a bancarrota, causando o caos em toda a Europa, se os restantes governos europeus não estiverem dispostos a financiar a sua revolução.

 

Alexis Tsipras também não se considera isolado pelo facto de, na sua viagem às capitais europeias, não ter sido recebido por nenhum governante mas apenas pelos partidos de extrema esquerda. Ela acha que é Merkel que está “extremamente isolada” na Europa. Vai ver o que o espera após a sua eleição.

 

O dramático desta história é que, contra toda a racionalidade, este homem pode mesmo ser o chefe do novo Governo grego. E a culpa disto é dos aprendizes de feiticeiro europeus que criaram esta situação.

19 comentários em “O Che Guevara grego.”

  1. Com um bocado de sorte (e azar para os Gregos) vamos poder assistir a um ensaio do que seria se o Bloco ou o PC chegassem a soluções de Governo para Portugal. E o susto – perdão, o resultado – vai ser de tal ordem que a esquerda (em conjunto) vai ficar reduzida a 5% do Parlamento nas próximas eleições, o que não deixa de ser um desfecho positivo nos acontecimentos. Ou talvez não: as pessoas são estúpidas.

    1. Isso é a tese de Kissinger de que Portugal deveria em 1975 ter-se tornado comunista pois seria uma vacina na Europa contra o comunismo. Um disparate que os Estados Unidos cometeriam e que só Carlucci evitou.

      1. Essa do Kissinger não sabia. Mas a questão da Grécia podia ser uma valente vacina para nós, portugueses. Esse Che Guevara grego ainda não percebeu que o maior drama dos gregos é o dracma. E enquanto não perceberem isto está tudo mal. Tenho pena que a insanidade ganhe votos.

    2. Claro. Com um jeitinho ainda diz que o estado actual da Grécia é o resultado das políticas do PC e do BE lá do sítio!

    3. As pessoas quando votam nos partidos que nos trouxeram até aqui na Grécia, Portugal, Espanha, Italia , Irlanda etc…, são democratas e é o povo quem fala, mas se votam no Alexis Tsipras , isso já não é democracia nem o povo a escolher livremente, é só a estupidez das pessoas, e segundo a teoria tambem vão baixar a votação no Bloco e no PC a niveis nunca vistos, em consequencia disso, como se fossem eles a causa da desgraça que o PS, PPD E CDS nos impuseram. O que vale é que a Democracia tolera tudo, até aqueles que só acham que ela só é valida quando vai ao encontro dos seus interesses. Haja Vergonha.

      1. Não detrupe o que eu disse. Tenho o maior respeito pelas escolhas livres das pessoas expressas em votos. Agora não tente fazer passar a ideia de que um governo ainda mais à esquerda aliviava o défice do Estado. É disso que se trata e foi esse o sentido que quis dar ao meu primeiro comentário. O termo “estupidez” foi uma má escolha, concordo – a ideia era salientar mais o desconhecimento e a falta de memória.

        1. Não deturpo nada, apenas li e sobre o que li fiz um comentario. Tomo nota do seu respeito pela escolha livre das pessoas que votam (salvo a dos estupidos ). não compreendo é essa de um Governo ainda mais á esquerda, mais á esquerda quê ou de quem???? Será desconhecimento ou falta de memoria que o leva a fazer essa afirmação e que o faz esquecer que foi sempre a direita embora ás vezes com rotulos de esquerda que nos desgovernaram??? que é a direita agora no poder que afirma que estar desempregado é uma oportunidade, que a carga fiscal é incomportavel , mas aplica-a sem querer saber das consequencias para a vida das pessoas?? Ao contrario do que diz e que eu não disse ou tentei fazer passar a ideia de que seria a esquerda que ía aliviar o defice , isso não sei, mas sei que não são os que nos puseram nesta situação que nos vão tirar dela, e isso custe-lhe o que custar foi a direita e foram politicas de direita aplicadas por alguns que se dizem de esquerda, esta é a verdade dos factos, e como dizia o poeta “VEMOS OUVIMOS E LEMOS NÂO PODEMOS IGNORAR”.

  2. No estado em que a Grécia se encontra, financeiramente, perece-me adequado que os bancos sejam nacionalizados. Já quanto à criação de empresas estatais, acho que o senhor Tripas, está a deixar que o coração lhe deturpe a visão.
    Agora, declarar a bancarota e esperar que o dinheiro da UE continue a escorrer para a Grécia… parece-me uma estratégia de mestre, de que nem 10 Chés eram capazes de se lembrar.
    Adelante comandante Tripas!!!
    http://www.youtube.com/watch?v=HpFDbc7DdQA

      1. Então… mas caro Luís, não é isso precisamente que se passa actualmente com os bancos?
        De uma forma directa ou indirecta, somos nós, o público que estamos a pagar os prejuízos dos bancos privados. No caso de Portugal, chegamos a pagar inclusivamente, as privatizações, ou seja; pagámos à filha do Sr. Eduardo dos Santos, para ficar com um banco de que já tinhamos págo a falência. Pagamos também aos chinezes para ficarem com a EDP…
        Falta-nos pagar por existir, ou seja; já pagamos… mas chamam-lhe outra coisa.

  3. “A revolução passa naturalmente pela nacionalização de todos os bancos e pelo combate ao desemprego através da criação de novos cargos públicos e de empresas estatais.”

    Eu também sou uma pessoa séria que acha que a banca que não está na falência graças a dinheiros públicos, deve seguir o seu caminho nas mãos de privados.

  4. O Syriza deve deixar de lutar pelo socialismo e, à semelhança do pensamento avançadíssimo de kissinger, deixar que a grécia vá ao fundo e mostre ao mundo que o capitalismo está moribundo. A porra é que se a Grécia fosse um estado socialista, o seu falhanço seria suficiente para mostrar a inviabilidade do socialismo. Sendo um país capitalista, governado pelos partidos do centrão, os defeitos da situação presente não se relacionam com esses factos. A política é uma coisa tramada, sobretudo quando nos molda a visão para um prazo sempre menos longo que 4 anos.

    1. O fenomeno Syrisa, tem pelo menos a vantagem de nos pôr novamente a falar de politica. Eu tambem gostaria de ver o Syrisa ganhar lá na Grecia, não só pelo efeito “vacina” que fatalmente teria aqui em Portugal, mas como sou de uma geração que acreditou em algumas utopias, como o Che, p. ex., gostaria de ver um partido revolucionario chegar ao poder via eleições, que como sabemos é inédito,( o Allende não conta porque ganhou as eleições com um programa moderado), e assistir ao vivo à execução das politicas que criam riqueza e empregos para toda a gente.
      Quanto à inviabilidade do socialismo, que é inevitalmente totalitario, o seu falhanço foi amplamente demonstrado durante setenta anos. O sistema capitalista, eu prefiro chamar-lhe economia de mercado, em que vivemos, apesar dos erros e abusos, tem demonstrado que funciona, e em Democracia. Ora isso faz toda a diferença.

    2. Um país que se reformava aos 58 anos, com 40 jardineiros para cada jardim público e sabe-se lá quantos funcionários para cada papel timbrado não me parece propriamente uma terra que encaixa na ideia de “país capitalista”.

  5. Agora pelos vistos já há culpa. Já pode haver culpa, tem piada ainda há pouco tempo não…

    A culpa é dos Gregos. São eles que geriram mal o seu país.E vão continuar.

    A única coisa que se pode dizer é que uma Minoria de Gregos não queria que os sucessivos governos os endividassem.
    Mas nas Democracias sem limites ao Poder Económico dos Governos – algo que o autor do post concorda, – estas podem endividar os que discordam, as minorias, sem limites.

  6. E a (Santa) Rússia ali tão perto – e a Turquia ainda mais perto…
    Claro, claríssimo , que as continhas têm importância, e muita – mas o raio da primeira metade dos sec.passado ainda causa (deve causar) pesadelos.

  7. Caro Luís: julgo que esse cenário não se confirmará. E tal como a teoria da ‘vacina’ não ocorreu no Portugal de 1975 (antes pelo contrário…) também os gregos rejeitarão ser cobaias de laboratório experimental. Há uma lógica de racionalidade subjacente ao sistema democrático. Creio que essa lógica prevalecerá. Pelo menos numa coisa estaremos todos de acordo: os gregos conhecem bem as consequências do seu voto. Estas legislativas de 17 de Junho funcionarão, no fundo, como uma espécie de referendo ao euro.

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