Por acaso acho que Varoufakis tem inteira razão. O euro não passa de um castelo de cartas e a retirada da carta grega vai ser a queda de todo o castelo, a começar por Portugal e Itália.
Bem pode o Ministro das Finanças italiano proclamar que “a dívida italiana é sólida e sustentável“. Não só a dívida italiana já atingiu os 132% do PIB, como a Itália tem uma população idosa a rondar os 30%, cinco pontos acima da média europeia e continua a crescer. Quem hoje empreste dinheiro a longo prazo à Itália, arrisca-se daqui a uns anos a que o devedor seja um Estado em que a maioria da população é pensionista. Não sei como é que alguém pode considerar uma dívida destas sustentável.
Já Portugal, que também tem uma dívida que já ultrapassou os 130% do PIB, e uma população idosa acima dos 20%, reagiu ao anúncio grego com a antecipação do reembolso ao FMI. Sabendo-se que o total da dívida pública portuguesa é de € 217.126.401.453 o reembolso antecipado de 14 mil milhões de euros, totalmente financiado com a aquisição de nova dívida, não me parece que faça grande diferença. É verdade que os juros estão a cair, mas estamos praticamente em deflação, a qual é mortal para quem tem dívidas. Não foi Cavaco Silva que disse que precisaríamos de um crescimento nominal de 4% todos os anos para conseguir baixar a dívida para 60% em 2037? E onde pára esse crescimento?
O único país que me parece que está verdadeiramente a ganhar com o euro é a Alemanha. E como isto é um jogo de soma zero, os benefícios da Alemanha são negativos para os outros países. Não sei por quanto tempo iremos continuar nesta viagem na irrealidade quotidiana, em que ninguém assume o que parece óbvio para todos. A Grécia pelos vistos já se fartou disto. Vamos ver quanto tempo os outros Estados aguentam.

Bom mesmo é o Rublo.
Nunca iremos crescer os 4% porque a pouca economia que tínhamos morreu, com as políticas de austeridade e a que escapou à morte, foi vendida. Se a Alemanha tem dificuldades nesse crescimento, como iríamos nós tê-lo. Os Gregos, depois de terem sido amordaçados, por governos de incapazes, acordaram do pesadelo e escolheram aqueles que poderiam fazer algo por eles e que está a provar-se que não se subjugam, aos interesses alemães. Nós continuamos a acreditar, em gente que trabalha para o FMI, BCE e UE, e não para os portugueses. É vê-los, nos lugares de destaque nas instituições para as quais governaram. Onde está Carlos Moedas, Victor Gaspar, o ministro da Troika, segundo os irlandeses? Esta é prova provada de que não nos governam, governam-se.
“A Grécia pelos vistos já se fartou disto”.
Acredita que a Grécia melhoraria (melhorará) se saísse (se sair) do Euro?
Acha mesmo que os gregos se fartaram disto, das responsabilidades inerentes a pertencer a um grupo restrito de países com moeda comum? Não lhe parece que os gregos votaram em desespero e contra a maioria dos seus próprios políticos?
Não seria mais avisado esperar para ver. E julgo que não será necessário esperar muito…
Poderemos esperar, mas vai dar ao mesmo. Os gregos não têm como pagar. Algo de diferente tem de acontecer porque continuarem igual é impossível. Não foram os gregos que estoiraram a Grécia, foram aqueles em quem eles confiaram, tal como nós, os governantes. Eles que paguem o mal que fizeram e não as pessoas que não têm culpa.
O autor acabou de concluir que cada dívida é insutentável, extranhamente não tira conclusões daí. Quer fazer mais dívida.
Correcção:
O autor acabou de concluir que cada dívida é insustentável, estranhamente não tira conclusões daí. Quer fazer mais dívida.
O único país que neste momento está verdadeiramente a ganhar com o euro são os EUA mas enquanto mantivermos esta visão paroquial de que as coisas fecham a zeros aqui pela Europa, como se o mundo estivesse como há 100 ou até mesmo há 50 anos, não vamos saír destes raciocínios em circuito fechado.
Se o eixo Paris-Berlim se mantiver o resto é paisagem por aqui:
http://atlas.media.mit.edu/profile/count ry/deu/
Quanto à Itália.
É o único país que pode saír do euro sem grandes sobressaltos internos, tal como já o era há 6 anos atrás, antes da crise.
Com uma enorme capacidade industrial, bem espalhada pelo país e em sectores de tal maneira diversificados que práticamente a podem tornar autónoma se não tiver outra solução, o Sr. Varoufakis bem pode dizer que ela pode saír a seguir pois isso está há anos em cima da mesa, como novidade é fraco.
Aliàs acho que ainda está no euro porque os outros levariam a mal que saísse…
A Alemanha é mesmo o país que tem ganho com tudo isto e nós continuamos impávidos e serenos a prestar vassalagem à senhora Merkel. É uma vergonha que a Alemanha diga que não paga as compensações da segunda guerra mundial à Grécia. Outra vergonha, é aqueles que têm em seu poder, bens gregos, não lhes restituírem tudo o que lhes furtaram. Quem são os alemães? Que querem com tudo isto? Querem a Grécia junta à Rússia? Será que ainda não viram a situação geográfica da Grécia. Querem mais guerra? Afinal quem manda na UE é a Merkel?
A “malta” comeu, comeu. à fartazana… Levou um tremendo susto quando apareceu a conta. Agora, exige “contas à moda do Porto”!
Só que os alemães ( à cabeça) não alinham na paródia !
Fazem eles muito bem.
Meu caro, então todos nós e americanos devemos ser uns grandes parvos alegres. Quando eles precisaram, o mundo ajudou-os e não porque comeram à fartazana, mas porque mataram, massacraram, humilharam, fizeram experiências em vivos, zombaram de tudo e de todos e no fim tomem lá uma ajuda para se erguerem. Foi um prémio pelo mal que fizeram à humanidade.
Os truques lusitanos de como se é capaz de pagar uma dívida e manter o mesmo montante pela contracção de nova dívida nada mais é que o tradicional sistema da banca que aceitava letras e ou livranças no mesmo montante para reformar as anteriores. Neste aspecto considero este governo verdadeiramente artista em matéria reformista, só que lá vai dizendo que isto é para ser feito até 2016. Significa isto que se dá uma no cravo, isto é, pretende-se fazer campanha eleitoral e continuar a tapar os olhos aos que querem manter-se cegos, e outra na ferradura, isto é, talvez não seja tanto assim como estamos a dizer.
Mas mais importante, eles começam a piar fino e parece que se confirmam meus prognósticos, isto é, que já não é só a Suécia que tem embaraços lá pelo norte: inlandes-preve-que-nao-haja-crescimento-e m-2014/
http://observador.pt/2014/08/27/governo-f
Mas não só: a-china-diminuiram-3-2-em_54d6d797a47fcb 797a132150 acoes-caem-20-na-china-em-janeiro_211611.h tml
http://www.sapo.pt/noticias/exportacoes-d
http://economico.sapo.pt/noticias/import
E o Brasil já regista uma enorme timidez no seu crescimento.
Tudo isto para dizer que só mesmo conversa de alemão e seus satélites me convencem que a Grécia vai pôr ordem nesta merda toda.
Vejamos as coisas pelo lado positivo… se o euro desaparecer, quanto vale uma dívida acordada em euros?
Mais um adepto da destruição da sociedade. Marxista como disse.
O Luís identifica, corretamente, o problema do envelhecimento da população como um problema crucial da Europa, especialmente de alguns países. Poucas pessoas têm essa visão clara das limitações que a evolução demográfica impõe à economia.
“O único país que me parece que está verdadeiramente a ganhar com o euro é a Alemanha. E como isto é um jogo de soma zero, os benefícios da Alemanha são negativos para os outros países”.
Repare que o jogo de soma zero envolve todos os países para onde a Alemanha exporta e não apenas os países que estão no Euro e que dentro do Euro a balança não está muito desequilibrada. Além disso, se as importações da Alemanha, por parte de Portugal, tivessem origem em grandes importações de equipamentos, isso poderia ser muito bom para nós, porque estaríamos a fazer investimentos que, no futuro, deveriam ser-nos proveitosos.