Em 2002, a França entrou em estado de choque quando Jean-Marie Le Pen conseguiu passar à segunda volta das eleições presidenciais, ultrapassando o socialista Leonel Jospin. Todos os partidos democráticos aliaram-se então a Chirac, que foi reeleito com 84% dos votos. Nessa altura, no entanto, Jean-Marie Le Pen não conseguiu mais do que 16% dos votos, só tendo passado à segunda volta em virtude da divisão do campo socialista, que posteriormente passou a ser resolvida com a criação de uma espécie de primárias socialistas nas presidenciais.
Ontem, no entanto, a Frente Nacional obteve 47% dos votos numa eleição parcial, só não tendo conseguido a eleição do seu candidato em virtude de todos os outros partidos se unirem contra ela. A França já percebeu, por isso, que nas próximas europeias corre o risco de assistir a uma vitória da Frente Nacional. Para tal contribuem dois factores: Primeiro, a personalidade de Marine Le Pen, bastante mais perigosa do que o seu pai, e que tem feito crescer paulatinamente o seu partido. Em segundo lugar, a incompetência total da Comissão Barroso, cujo liberalismo radical ameaça fazer cair a Europa nos braços do nacionalismo. Tem toda a razão o Ministro francês Arnaud Montebourg quando avisa que Durão Barroso é o carburante da extrema-direita. Efectivamente, a política da Comissão Europeia só tem tido como efeito o crescimento dos partidos nacionalistas e xenófobos em toda a Europa.
Só que a irresponsabilidade da Comissão Europeia ameaça virar-se contra si própria. Efectivamente uma das propostas eleitorais de Marine Le Pen é a saída da França do euro. Como o euro não subsistirá sem a França, se a Frente Nacional alguma vez ganhar as eleições, é certo e seguro que o euro acaba e com ele a União Europeia. E Durão Barroso será o principal responsável por este descalabro.


Barroso é o “bode expiatório”…Holland prometeu o paraíso…. O inferno está a cair-lhe nos braços.
É um filme já demasiado visto!
Venha o Tó Zé!!!!
Confesso que não entendo este post:
(1) Em que é que a atual Comissão Europeia tem sido radicalmente liberal?
(2) A maioria dos comentadores são unânimes em dizer que esta Comissão Europeia tem muito menos poder prático do que anteriores comissões e que Durão Barroso tem sido um chefe muito débil. Como é que, então, o Luís lhe atribui tanto protagonismo?
O radicalismo liberal da Comissão Barroso resulta precisamente na abstenção de qualquer intervenção, deixando a economia europeia à deriva. Eu não atribuo qualquer protagonismo especial a Durão Barroso, que concordo que tem sido muito débil. Saliento, no entanto, que não fazer nada é também uma forma de agir. E neste caso com consequências trágicas.
Como se dizia nos tempos em que Durão Barroso era uma acendalha da extrema esquerda, os extremos tocam-se. Mas Durão Barroso é apenas mais um, há muita gente a contribuir para esse fenómeno, cada um com maior ou menor responsabilidade consoante a visibilidade que tem. Até aqui neste blogue de vez em quando aparecem publicações, de supostos democratas liberais, que ajudam a facilitar esse caminho.
Parece que os franceses esquecem a paupérrima política de Sarkozy e Merkel, e da política chancha de Hollande, mas também de Sócrates e Passos e de outros um pouco por esta Europa, sem esquecer a Holanda, Finlândia e Suécia, agora a braços com os resultados de suas alianças ao estapafúrdio Merkozy.
Se houve (e há) alguém que no contexto europeu tem feito algo com dignidade é a Espanha. É aqui, não obstante alguns inevitáveis prejuízos sociais, que se deve pôr o olho.
É no reforço de políticas comuns, com Espanha, que Portugal poderá ver um pouco da luz que brilha ao fundo do túnel.
Historicamente, as nascentes das tentativas de Imperialismo na Europa estão em França e na Alemanha.
Historicamente, são as pátrias europeias da xenofobia. Da verdadeira xenofobia como a que o Luis Menezes Leitão refere.
Mas é tanto o medo e os fantasmas criados por eles que conseguiram criar numa juventude suburbana, desenraízada e violenta, uma cartilha para seguir.
Em Inglaterra qualquer pessoa pode ser neo-nazi, tem o direito do o ser. Os crimes de violência, provocação e discriminação, são crimes de violência, provocação e discriminação. Ponto final. Têm (os ingleses), no entanto, um ponto fraco (?): o desportivismo.
Não há neo-nazis em Inglaterra porque isso não choca os ingleses, mas há holigans que acompanham o futebol. Que horror!!
Muito boa e pertinente, a reflexão. Só uma dúvida: Durão Barroso manda alguma coisa ou, qual CEO de uma grande multinacional, limita-se a cumprir instruções (ordens?) dos accionistas mais poderosos?
Cá de longe parece-me um pouco excessivo, atribuir a subida da FN apenas à personalidade da sua líder (hipótese já de si discutível) e à “prestação” (passe o futebolês) de Durão Barroso. E sobre a influência desta Comissão será ainda de pensar – digo-o sem ser especialista da “arquitectura” institucional europeia – não só as dificuldades desta década (políticas, nem tanto económico-financeiras) como, e fundamentalmente, a fragmentação do seu topo, em particular após o Tratado de Lisboa, ilustrado pelo surgimento institucional de Ashton e Van Rompuy. Talvez tudo pesado se possa afastar um pouco a mira do nosso compatriota (será ele, realmente, tão mau assim?)
Não é mau , é péssimo , um homem sem coluna vertebral , pronto a vender-se a quem der mais nem isso o obrigue a fazer de mero cicerone de uma cimeira de trogloditas.
Quanto ao post em si é de facto uma boa reflexão pois na minha humilde opinião é a fraqueza da Comissão em assuntos vitais para a vida na Europa que dá força a partidos de extrema direita e nos quais se vão vendo propostas não débeis , com tectos definidos e fundações escorreitas , não as meias tintas habituais dos políticos actuais subservientes de interesses económicos obscuros.
A Alemanha não tem este tipo de partidos porque já tem o poder nas mãos , quem o vê a fugir ( como a França ) é que precisa de lhe dar gáz.
Penso que na Bulgária ou Hungria está um partido semelhante já no poder e que eu saiba ainda não se passou nada.
Hollande prometeu mundos e fundos e já sabemos o que está a acontecer , Sarkozy não teria feito melhor) e depois a malta acha escandaloso que as pessoas votem mais á direita , é a democracia a funcionar.
As pessoas estão fartas de mentiras , meias tintas , decisões embotadas por interesses que não o do país ou da população.
Hoje o deputado Miguel Frasquilho na TVI 24 apresentou um quadro (sobre a % da austeridade desde 2010 versus redução do défice) que achei interessante pois representa de forma clara e inequívoca que a austeridade versou única e exclusivamente sobre os mesmos de sempre levando á destruição de grande parte da economia enquanto que os monopólios e oligopólios permaneceram intactos como sabemos e agora dizem mal da troika que até tinha umas ideias boas (pelo menos as em relação á energia , e câmaras e outras deveria lá haver) mas pasme-se após 2 anos nada aconteceu (o pessoal anda a renegociar) mas sempre a favor de alguns.
Por isso se nada se fizer acreditem que a Europa de Delors irá cair e com ela muitos países entre os quais Portugal e depois não se admirem.
P.S. – Estas negociações para a criação de uma zona franca EU / USA servem a quem ?
Será aos povos ou ás multinacionais (nomeadamente bancos) sem escrúpulos que pululam dos dois lados do Atlântico
Pode dizer-se muita coisa sobre Durão Barroso e da sua equipa, mas não, certamente, repetir o disparate atirado pelo ministro francês Arnaud de Montebourg num momento de chauvinismo exacerbado.
Montebourg e os franceses em geral estão furiosos porque temem que os “produtos culturais” americanos – especificamente o cinema e a música pop – destruam os franceses. O temor é legítimo e devem defender-se, mas a opinião de Barroso não é de todo descabelada. Com efeito, manter um previlégio com legislatura é uma postura reaccionária.
O caso traz para a ribalta uma questão nunca resolvida, que é poder efectivo da Comissão. Quer dizer, a Comissão pode tormar qualquer decisão, desde que não vá contra os interesses dos alemães e/ou dos franceses. Mas, para manter a ficção democrática, convem que ninguém na Comissão mije fora do penico e assim não ter de ser remetido a silêncio pelos bosses da França e Alemanha.
Não sei o que se passou com Durão, sempre tão ciente desta posição cerimonial sem poderes reais. Talvez, por estar no fim do mandato sem hipótese de ser reeleito, tenha finalmente decidido dizer o que pensa.
Note que não estou a concordar com ele, nem com o oposto – apenas gostaria de apresentar as subtilezas da situação e criticar o LML por partilhar a ideia peregrina de que a Comissão tenha algo a ver com a subida da extrema direita. Infelizmente, as razões são mais complexas e profundas e não é mudando a Comissão inteira que irão desaparecer.
Huau! Liberalismo Radical de Durão Barroso!
Isto só pode ser uma piada.
Suspeito que se ele tivesse feito uma Conferência Internacional e tivesse botado um discurso redondo e pateta como Obama já não seria…
Quer uma siderugia, industria pesada, aço ? que tal um plano Quinquenal!? nah isso é sujo e poluente , há melhor! Que tal a asséptica Estratégia de Lisboa com pompa e circunstância? Foi em 2000.
Olhe que não, olhe que não. O único repito único responsável é o Sampaio, que entusiasmou o Barroso a aceitar o cargo.
Gostei do post e é preocupante, de facto. Na ausência de bons, ganham os maus.
Os nacionalismos confrontam o imperialismo… tem sido sempre assim.
Por isso é que se visou sempre atacar os nacionalismos, porque eles são o maior inimigo de programas imperiais.
Aí, o comunismo e o capitalismo estiveram sempre de acordo em agitar o papão nacionalista, como uma visão do inferno, já que esse seria o maior obstáculo de uma política imperialista.
As democracias controladas judiciosamente pelo cinzel de pedreiros imperiais, visaram sempre reduzir qualquer sentimento nacionalista, porque isso lhes reduziria a margem de actuação.
Só o usam e boicotam para servir de contra-exemplo, para ilustrar que é o “caminho errado”.
O nacionalismo é perigoso, mas pergunto – será mais perigoso do que o imperialismo sem rosto?
É que de um império à escala global nem sequer tem para onde fugir…
Sempre com pavor da extrema esquerda e direita. O que interessa é manter tudo na mesma, socialistas e sociais democratas. A corrupçao, o compradio, etc. é só um legado dos extremos. Estes democratas são puros. HIPOCRISIA
Algum dos perspicazes comentadores vive ( ou viveu nos últimos anos ) em território francês?…
O crescimento da extrema-direita francesa é já antigo e tem origem em políticas de imigração laxistas, de um falso cosmopolitismo democrático, que Schengen veio agravar. O fracasso dos últimos governos do país, à direita e, agora, à esquerda, também contribui para a migração dos descontentes, em número cada vez maior, para as margens extremas do sistema político. Com uma personagem simpática e combativa como Marine Le Pen, a coisa, obviamente, complica-se. Neste cenário, não vejo especiais responsabilidades que possam ser atribuídas à Comissão Europeia, até porque esta, mesmo quando lá tinha presidentes mais activos e interventores, não pode nunca imiscuir-se nas políticas internas dos Estados-membros, e são estas que crescentemente vêm desagradando aos franceses.
Um bom artigo de Carrilho sobre o assunto, hoje no DN http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interio r.aspx?content_id=3303837&seccao=Manuel%20Maria%20Carrilho&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco