Não concordo nada com a análise que o Luís Naves faz da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, considerando-o uma “personalidade com indiscutível carisma e conhecimento do país“. E muito menos acho que Marcelo seja “capaz da moderação e da equidistância“, ou “alguém que dê garantias de confiança e firmeza, de um presidente colocado ao centro, capaz de negociar com as diferentes forças, proporcionando entendimentos entre elas“.
Pelo contrário, acho que Manuel Maria Carrilho disse tudo quando o qualificou como “ex-líder partidário, ex-candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, ex-ministro, etc. (tudo funções em que, aliás, nunca se destacou especialmente), titular de uma homília pastoral dominical, no telejornal nacional de várias televisões, como se cada minuto lá passado não estivesse ao serviço de ambições políticas pessoais, óbvias para todos“. Como ele bem diz, durante os últimos 15 anos a sua actividade limitou-se a um comentário televisivo, que constituiu “uma humilhação constante da mais elementar ética jornalista, com comentários combinados, exibição de cachecóis futebolísticos ou oferta de leitões bem temperados, à mistura com a mostra de livros nem sequer folheados, perante o silêncio e a impunidade gerais!“. Mas o que interessa é aparecer na televisão, já que, como uma vez disse Emídio Rangel, a mesma tanto pode vender sabonetes como fazer eleger o presidente da república.
Que moderação e equidistância pode oferecer Marcelo aos outros líderes partidários? Passos Coelho já o qualificou como “um catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político“. Com Paulo Portas são conhecidos os velhos litígios desde a história da vichyssoise. Agora o PSD e o CDS aparecem a recomendar o voto em Marcelo, mas como justificação apresentam apenas o “equilíbrio político“. Importam-se de repetir? Para Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, Marcelo nada representa. Só António Costa parece ter alguma proximidade com Marcelo, o que, deve dizer-se, não o recomenda nada em termos de equilíbrio político. Aliás, com a conhecida habilidade de Marcelo em criar factos políticos, receio que o palácio de Belém se torne o maior foco de instabilidade de que há memória em Portugal.
Apesar disso, eu vou votar em Marcelo Rebelo de Sousa. E a explicação é simples. Reside nos outros candidatos que se apresentaram. Perante um candidato folclórico, sem qualquer currículo político, e que todos os dias nos mimoseia com disparates, uma candidata lançada por uma ala do seu partido, sem mais nada que a recomende, e dois candidatos de partidos da extrema esquerda, que apenas pretendem cumprir os mínimos, é óbvio que eu só poderia votar em Marcelo. Mas não me venham dizer que ele é o melhor candidato. É apenas o candidato menos mau.

Marcelo é o que representa melhor os nossos brandos costumes.
Marcelo é um português suave.
Marcelo é light.
Marcelo é como o falecido padrinho que apanhou o meu ídolo acamado, pegou no país e deixou-o a meio-do-caminho.
Como nunca chegamos ao fim, para irmos andando, Marcelo serve.
Desde que não faça figuras tristes como fez Soares, por esse mundo fora, Marcelo é o ideal.
Até parece escolhido a dedo.
Marcelo é o candidato perfeito para que Portugal, o país mais pobre e talvez o mais analfabeto da Europa ocidental, assim continue.
Eu voto em Henrique Neto, que fez de uma pequena empresa da Marinha Grande a maior do mundo no sector dos moldes.
Foi nº 1, algo que Marcelo está longe de ter sido. Em direito? É um, entre milhares de professores de constitucional. É lido e citado lá fora? Não me consta. Talvez no Brasil, país que idolatra: “para Portugal conseguir lutar pela lusofonia no mundo tem de lutar por dar a supremacia ao Brasil.” e”“Portugal precisa mais do Brasil, do que o Brasil de Portugal”.
Com estas afirmações, que seriam escandalosos mesmo numa república das bananas de má qualidade, não seria melhor ele candidatar-se a sucessor da Dilma?
Gostava de ver a mesma análise aplicada aos outros canditados presidenciais, antes do serem eleitos. Mário Soares, Jorge Sampaio. Tiremos o Cavaco Silva, que é alvo de todos os ataques, não vale a pena.
Qual não tinha ambições políticas? Representava predominantemente apenas uma determinada área política? Tinha defeitos ou características pessoais? Quem os não tem?
Quem é que é imparcial, puro, supra partidário, conciliador, antes de ser eleito?
Qual é coisa qual é ela, que antes de o ser já o era? Lá diz o povo….só a pescada
O Carrilho só dá opiniões e bofetões “bárbaros”…
Qual é a atitude mais ridícula:
– a postura de chefes de partidos, à esquerda e à direita, agindo como auto-assumidos donos dos votos e mentes dos “seus” votantes, ridiculamente a apoiarem os “seus” candidatos a um lugar que deveria, tem que ser, independente de partidos,
– se a ridícula prosápia de candidatos a PR ao auto declararem-se “independente” quando toda a sua artificial vida política foi só feita com “eleições” exclusivamente dentro do partido.
Política de aviários, uma longa tradição em Portugal.
Com os políticos de poder tão impopulares (basta por exemplo ouvir o que as pessoas dizem de Costa ou Passos), convém ao país um presidente que promete exercer os seus poderes e que recusa a ideia de ser rainha de Inglaterra. O discurso de Marcelo é mais consistente do que o dos seus rivais e vê-se que o político hiper-activo tem hoje pose de estado e maturidade. Não o escrevi, mas penso que Marcelo é um homem culto, com mundo, que saberá interpretar os problemas dos portugueses.
Caro Luís Naves. Os seus diagnósticos parecem-se de uma excelente precisão. O que me custa são as conclusões. É que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa é efectivamente a antítese de tudo o que o Luís diagnostica. Como o Luís Menezes Leitão eu estou de acordo que representa o mal menor. Mas, contrariamente a que o Luís (Naves) provavelmente pretendia, convenceu-me, se falta fosse, que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa não é certamente um “bem”, nem sequer um menor.
http://blasfemias.net/2015/12/11/nem-ele/
De Marcelo já disse o que tinha a dizer.
De outro candidato direi a seguir.
Mas uma declaração me intriga neste texto: “… e dois candidatos de partidos da extrema esquerda, que apenas pretendem cumprir os mínimos…”.
O que é que isto quer dizer?
Que quem isto escreve vota, por cálculo, naquele candidato que julga que vai ganhar?!
Que, escrevendo, quer passar essa mensagem a quem o lê?!
Se assim é (e não se vislumbra outra interpretação sustentável), então quem vota assim antes não o escrevesse.
Vou votar nele para não votar em ninguém mais à esquerda. Mas é mais um invertebrado que tolera o AO, é mais um manipulador do regime, mais um dos “consensos”, mais um porteiro da Constituição como agrada à Esquerda — que assim pode manipular o parlamento como bem lhe apetece. Eu preferiria alguém com carácter que soubesse mandar aqueles gajos à bardamerda e dar dois murros na mesa.
É um candidato que tem feito tudo e mais alguma coisa para ser presidente seja lá do for, tem é de o ser. Um candidato que se atira ao Tejo, para ser Presidente da câmara que mais não faz, a não ser comentar tudo e mais alguma coisa, aos domingos, não me seduz minimamente e como tal não votarei nele. São opiniões e a minha é esta.
“É um candidato que tem feito tudo e mais alguma coisa para ser presidente seja lá do for, tem é de o ser.”
Será sina nossa? É que se em vez de “presidente” lá estiver “primeiro-ministro”, teremos António Costa…
Em todo o caso, sim, é o mal menor. E é nessa realidade que vivemos.
Costa
É muito curioso, mas fora os comentadores neste post e meia dúzia de amigos no FB (dos quais, aparentemente, vários alunos de Marcelo) não conheço ninguém que diga que vai votar nele. Incluindo um número razoável de gente que, nos últimos tempos tem votado à direita.
Os votantes em Marcelo Rebelo de Sousa vivem na clandestinidade. E provavelmente vão votar nele de olhos fechados. O que não o vai impedir de ser eleito logo à primeira volta.
O candidato menos mau? Será,mas para quem ? Não conheço Vossa Senhoria,porém pela presente declaração, todo um carácter se mostra,toda uma personalidade se revela. Vejamos: a menos má imagem? Aprecia o fácies risonho de quem tudo pega pela rama? O candidato com mais mundo? Por mais que o Marcelito viaje,não tem mais milhas percorridas que um tripulante da TAP novato,e ter mundo exige olhos que o vejam,ouvidos que o ouçam e cabeça que o compreenda. Experiência política? Não tem tanta como a múmia tinha e veja que cena bonita o Boliqueime fez. Super resumindo: fique lá com a prenda,vote nela,mas no fim não venha pedir para não estragar o que o afilhado Marcelo nunca fez.