Em ano de centenário da república, a causa monárquica acaba de ganhar mais um adepto. No programa Directo ao Assunto, da RTP N, Emídio Rangel elogiava ontem o "supremo magistrado da nação" espanhola – isto é, o Rei Juan Carlos – por não fazer críticas ao Governo nos seus discursos, ao contrário do que sucede com o Presidente da República em Portugal. Para Rangel, a atitude do monarca espanhol é exemplar: as "agências de ratings", sempre atentas aos discursos políticos, penalizam o nosso país sempre que Cavaco Silva abre a boca para falar da crise económica.
O comentador da RTP-N poderia ter ido mais longe: além de apontar Espanha como exemplo a seguir em Portugal, faltou-lhe referir o caso ainda mais emblemático do Reino Unido, onde a respeitável Rainha Isabel II, além de jamais beliscar o Executivo com um só sussurro majestático, permite mesmo que sejam os assessores governamentais a redigir-lhe as mensagens ao Parlamento e ao país, não vá alguma "agência de rating" pigarrear com uma frase mal colocada entre vírgulas. É, aliás, o exemplo perfeito de "cooperação institucional": o "supremo magistrado da nação" papagueia o que o Governo lhe põe à frente.
Admiro cada vez mais a capacidade argumentativa de Emídio Rangel no seu afã de defender o Executivo socialista. Mas escusava de procurar exemplos no estrangeiro. Também por cá tivemos um "venerável Chefe do Estado" que só dizia o que o Governo autorizava. Chamava-se Américo Tomás. Não consta que alguma "agência de rating" alguma vez se tenha queixado dele.


estou a tentar enviar-te um mail, mas vem sempre para trás…!
Está cheio. Só depois de almoço fica operacional. O doutor Pacheco tem razão: as agências de comunicação entopem os ‘mails’ dos jornalistas.
Emídio Rangel é candidato a chefe da Casa Civil do Presidente da República. Ou melhor: a camareiro-mor da Casa Civil do Rei de Portugal.
Paulo Teixeira Pinto que se cuide: está aqui um nome alternativo para liderar a Causa Monárquica (acho que não se chama assim, mas também não faz mal).
O irmão do Emídio Rangel tem uma voz tal e qual a do dito cujo, penso chamar-se Rui, e não é que levo cada susto quando o ouço na RTP1.
ps. nunca ouvi vozes tão iguais, é espantoso!
.. e havia agências de rating na altura? ;))
(kidding em registo sério)
Haver, havia. Mas não era a mesma coisa…
Emídio Rangel está “cego” de tanta paixão, chega a fazer pena;))
Cada governo tem os seus arautos televisivos, Maria. Este não foge à regra (a não ser no número, que é maior).
Parabéns pela excelente escolha da foto para ilustrar o texto.
abr
Receio ser processado pelos simpáticos bichinhos por violação do direito de imagem.
E isso foi não usando o berbequim.
O que seria se o tivesse usado…
Pior que o berbequim é aquele sem-fim de graxa ao Governo.
Também ouvi o Rangel, Pedro. Está cada vez mais patético.
Ouvi-lo invocar o Rei de Espanha como modelo a seguir em Portugal foi um dos picos do pensamento rangélico, Joana.
Tadito do Rangel, desde que apanhou do Dantas (ou foi o contrário?) nunca mais foi o mesmo. Um sapateiro a tocar rabecão. E um deslumbrado completo. Será que precisava?
Chloé, claro que precisa. Não tarda a sua voz de “rabecão” vai chegar ao céu. Vai uma apostinha?