O bom exemplo de Américo Tomás


Pedro Correia,

 

Em ano de centenário da república, a causa monárquica acaba de ganhar mais um adepto. No programa Directo ao Assunto, da RTP N, Emídio Rangel elogiava ontem o "supremo magistrado da nação" espanhola – isto é, o Rei Juan Carlos – por não fazer críticas ao Governo nos seus discursos, ao contrário do que sucede com o Presidente da República em Portugal. Para Rangel, a atitude do monarca espanhol é exemplar: as "agências de ratings", sempre atentas aos discursos políticos, penalizam o nosso país sempre que Cavaco Silva abre a boca para falar da crise económica.

O comentador da RTP-N poderia ter ido mais longe: além de apontar Espanha como exemplo a seguir em Portugal, faltou-lhe referir o caso ainda mais emblemático do Reino Unido, onde a respeitável Rainha Isabel II, além de jamais beliscar o Executivo com um só sussurro majestático, permite mesmo que sejam os assessores governamentais a redigir-lhe as mensagens ao Parlamento e ao país, não vá alguma "agência de rating" pigarrear com uma frase mal colocada entre vírgulas. É, aliás, o exemplo perfeito de "cooperação institucional": o "supremo magistrado da nação" papagueia o que o Governo lhe põe à frente.

Admiro cada vez mais a capacidade argumentativa de Emídio Rangel no seu afã de defender o Executivo socialista. Mas escusava de procurar exemplos no estrangeiro. Também por cá tivemos um "venerável Chefe do Estado" que só dizia o que o Governo autorizava. Chamava-se Américo Tomás. Não consta que alguma "agência de rating" alguma vez se tenha queixado dele.

17 comentários em “O bom exemplo de Américo Tomás”

  1. Tadito do Rangel, desde que apanhou do Dantas (ou foi o contrário?) nunca mais foi o mesmo. Um sapateiro a tocar rabecão. E um deslumbrado completo. Será que precisava?

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