As moções de censura analisam-se, para além do mais, pelo contexto, pelo texto e pela oportunidade. O contexto apela ao juízo de censura propriamente dito. Refere-se a uma apreciação global do mérito da actuação do Governo. Sob este prisma, apenas os fundamentalistas negarão o desastre de um Governo sem programa e sem acção. O texto, por seu lado, diz respeito à moção, à fundamentação da censura e às alternativas propostas. Deste ponto de vista, não existirá consenso. O Bloco focar-se-á em questões como o corte dos salários da função pública ou o aumento dos impostos, isto é, em medidas viabilizadas pelo PSD no Orçamento de Estado. Quanto a propostas, as do Bloco não serão, seguramente, as do PSD. Da mesma maneira, a oportunidade do PSD não é esta. Quem viabilizou o Orçamento de Estado de 2011 há uns meses não pode embarcar numa moção de censura quando ainda não se conhecem os primeiros dados da execução orçamental. O juízo de censura que existia no final de 2010 é o mesmo que existe agora. Se quisesse exercê-lo, o PSD deveria ter chumbado o orçamento. A percepção de que Sócrates é, cada vez mais, uma caricatura que lidera um Governo fantasma tem que ser provada objectivamente pelas contas públicas. Assim, para o PSD a oportunidade resultará de uma derrapagem da execução e/ou de uma intervenção externa em Portugal. É isto que o PSD deve dizer claramente aos portugueses. Da mesma maneira, deverá apresentar de imediato a sua moção de censura se alguma daquelas circunstâncias se verificar. Todavia, isto não significa que a moção do Bloco seja inócua. De momento, são previsíveis as seguintes consequências: i) o Governo vai continuar absolutamente paralisado, afastando-se inclusivamente a possibilidade de uma remodelação que se adivinhava iminente; ii) Sócrates vai poder usar o seu disfarce de Calimero no Carnaval, invocando a irresponsabilidade dos adversários e recebendo de graça um alibi para a degradação das condições de financiamento e, se vier a ser esse o caso, para a aceitação sem reservas de tudo quanto Merkel vier a impor; iii) esse alibi será invocado até à exaustão mesmo depois da votação da moção de censura como forma de quebrar o nexo de causalidade entre a responsabilidade política do Governo e uma intervenção externa ou a adopção de novas medidas duras que vierem a ser impostas por Merkel; iv) moções subsequentes criarão a ideia de uma oposição sedenta de poder e que não olha aos meios nem ao interesse do país. Assim, é bem possível que o Bloco consiga o seu objectivo: manter o governo ligado à máquina por mais uns meses. Sócrates continuará incapaz de governar mas, com os cordelinhos puxados por Louçã, poderá ir acenando. O que não é coisa pouca para alguém que está já em estado de cadáver político.
O Bloco é porreiro, pá!
Rui Rocha,

Pois é, Rui, este (des)Governo está e continuará ligado à máquina de “ventilação financeira” do BCE por mais algum tempo, quiçá por poucas semanas, até que… Caputf!!!
Sim, entretanto vamos ter o espaço mediático com a Mouçã de censura a servir de arremesso e a entreter a malta…
Oh Rui, acha mesmo que o Passos Coelho pode borregar, fugir à responsabilidade de ir a votos e de formar governo, nesta altura? Alguém neste país lhe vai perdoar essa cobardia? Se pela terceira vez seguida o Passos servir de capacho ao Sócrates, nunca mais ninguém o quer para nada. E é claro que o país perde mais uma oportunidade de dar o salto de que necessita!!
Mário, é preciso nascer duas vezes para estar mais convencido do que eu da incompetência de Sócrates. Mas, creio que borregar seria entrar na pândega pela mão de Louçã. O PSD deve ser coerente. Aprovou o orçamento, deve agora esperar pela execução. E se a situação continuar insustentável, deve apresentar a sua própria moção. Identificando os motivos e propondo alternativas. A queda do Governo deve servir para sabermos quais as propostas de mudança do PSD. E isso uma moção do bloco não vai clarificar.
Desculpa Rui,
Não é pandega, é pôr isto nos eixos. Ninguém vai perdoar ao Passos, hoje ou no futuro, que tenha o pássaro na mão e o deixe fugir. Uma moção só tem vencimento com os votos conjuntos da direita e da extrema esquerda, o momento que mais interessar ao PSD não interessará ao BE, não adianta esperar, há que saber aproveitar as ocasiões, ser dinâmico e provar capacidade de liderança, mesmo nos momentos menos favoráveis. As taxas de juro chegaram ontem ao 7,65%, que mais sinais económicos precisamos para perceber que este governo não pode, nem sabe, resolver a situação financeira do país. O orçamento foi uma boa desculpa para adiar, dar tempo, mostrar responsabilidade. Esse tempo passou. Manter a inactividade e prosseguir com as desculpas que o Sócrates nos dá, para ele continuar no poleiro, é perder tempo e mostrar incapacidade de acção…
Concordamos na consequência, não na oportunidade, Mário. É uma questão de tempo até nos encontrarmos.
Inteiramente de acordo, Rui. É por demais óbvio que o Bloco não quer eleições mas apenas manter Sócrates ligado à máquina. É demasiado evidente que o Bloco acha que isto está para brincadeiras e, por isso, continua a brincar. O deputado José Manuel Pureza afirmou já hoje que se a direita aprovar a moção cai no ridículo : é preciso ter lata!
É urgente avançar para eleições para tratarmos de dois quistos que crescem a olhos vistos na sociedade portuguesa e que são evidentemente malignos: Sócrates e o BE . Ambos têm que ser postos no devido lugar!
Também ouvi as declarações de Pureza, Eduardo. A admissão clara de que o BE pretende brincar com os mecanismos democráticos e parlamentares.
Justamente. Também escrevi sobre isso precisamente a partir do seu post: http://quintaemenda.blogs.sapo.pt/4 0178.html
Bom fim-de-semana!
Esta moção que o BE diz ir apresentar, na minha opinião vai criar um problema ao Passos e ao PSD que não esperavam! Assim como o M. Alegre há meses atrás encostou o PS à parede e deu no que deu, o Louçã está agora a fazer o mesmo a um partido que de momento não tem qualquer interesse em ir para o governo. Um dilema, coitados!!! aprovam, não aprovam? em qualquer das hipóteses vão sair-se mal! E quem se fica a rir mais uma uma vez, quem é??
Acho que o problema só se vai pôr para o PSD se não tomar já uma posição clara e não definir de imediato as condições em que apresentará uma moção de censura, Ana Sofia.
Estamos em sintonia!