O bacilo totalitário


Pedro Correia,

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Nenhuma sociedade está imune à praga totalitária. Esta é a principal lição a extrair de um dos melhores ensaios sobre ética política em forma de romance jamais escritos. Publicada no rescaldo imediato da II Guerra Mundial, A Peste, dividida em cinco capítulos à semelhança das tragédias clássicas, é uma poderosa alegoria da França ocupada pela tropa nazi – cenário aqui transposto para uma cidade da Argélia natal de Albert Camus, subitamente infestada de ratos surgidos das suas entranhas putrefactas. Os animais, portadores da morte em forma de peste, fazem retroceder os seres humanos aos abismos medievais. Os bairros urbanos são postos de quarentena. Orão, em solo argelino ainda sob administração francesa, tal como Paris escassos anos antes: os ratos andavam fardados e usavam suástica.

O cenário é aterrador. «Como imaginar, por exemplo, uma cidade sem pombas, sem árvores e sem jardins, onde não se sente o bater de asas nem o sussurro de folhas, uma cidade neutra, para dizer tudo?» Onde o medo impera e o futuro se torna uma palavra desprovida de sentido.

No meio do drama, muitos revelam a pior face: surgem os cobardes, os que se aproveitam da desgraça alheia para fazer dinheiro, os que se deixam vergar ao dedo do destino. Mas há também os que recusam capitular, os que se mostram solidários sem reservas, os que dão combate sem tréguas ao bacilo portador do mal absoluto. Heróis ou santos? Não, apenas homens em toda a dignidade que esta palavra contém. Em revolta aberta contra as injustiças, tenham as insígnias que tiverem, num mundo alheio à misericórdia divina. Como Camus põe na boca do médico Rieux – personagem fulcral na resistência ao letal invasor – em diálogo com o perplexo padre Paneloux, que aludira a um eventual castigo de Deus como forma de punição dos pecados: «Hei-de recusar até à morte esta criação em que as crianças são torturadas.» 

Sem vacilações nem ilusões: «O bacilo não morre nem desaparece nunca.» Permanece oculto no meio de nós.

10 comentários em “O bacilo totalitário”

  1. o Pied Noir desconhecia o totalitarismo do largo dos Ratos e os diversos Padrinhos à Puzo
    em 71, quando habitava na banlieu sud, ouvi uma canção da Resistência a respeito das Panzer « les loups se sont arreté à Massy »
    esta pandemia começou mal e vai acabar pior
    não se fez o que se devia para confinar o virus em vez dos contribuintes e para finalizar com chave de ouro convocaram-se eleições legislativas

  2. Pour le MERS-coronavirus, il faut mettre tout cela en perspective avec les pneumonies. Les pneumonies
    et les infections respiratoires ça fait plusieurs centaines de millions de cas, 2,5 millions de morts. Les choses s’améliorent bien depuis une trentaine d’années. Il y avait 4,5 millions de morts, il y en a maintenant 2,5. Grâce à
    deux choses : les antibiotiques systématiques, puisque les gens y compris quand ils ont des infections virales sont partiellement sensibles aux antibiotiques et meurent surtout de surinfections, et la vaccination antipneumococcique. Moi je recommande aux gens qui ont peur des infections virales de se faire la vaccination anti-pneumococcique, quel que soit l’âge,parce que c’est la meilleure prévention étant donné que ce sont souvent les pneumocoques qui tuent. Par exemple, dans la grippe espagnole, ce sont surtout les pneumocoques qui ont tué les gens qui avaient cette grippe virale.

  3. Venho aqui para abordar um tema recente que permanece oculto no meio da sociedade: o aborto. Políticos e afins, incluindo os e as feministas, pretendem continuar a encapotar o assassinato.
    Para o efeito deixo aqui um recente filme que escolhi traduzido para espanhol e que se designa por Unplanned. Trata-se de um facto real que tem como principal protagonista Abby Johnson.
    Quem estiver interessado, em particular os/as criminoso(a)s que desejem reabilitar-se, podem ver aqui:
    https://www.youtube.com/watch?v=wM4qwf1tlmI

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