O arroz carolino na política portuguesa.


Luís Menezes Leitão,

Nas suas Memórias, Pedro Theotónio Pereira relata um episódio ocorrido em 1937 quando era Ministro do Comércio e Indústria do governo de Salazar. Como a guerra civil de Espanha tinha provocado problemas no abastecimento de bens alimentares no país, viu-se obrigado a recorrer a alternativas nas importações de arroz. Um dia Salazar convida-o para uma reunião na sua residência, onde discutem os assuntos relativos ao seu Ministério. A certa altura repara que Salazar pára de falar de um assunto que estava a tratar e tira os óculos, sinal de que pretendia mudar de assunto. E diz singelamente a Theotónio Pereira: “A Maria contou-me que o arroz que vocês andam a distribuir é uma porcaria. Quer-se o arroz carolino, que é o de que toda a gente gosta, e não se encontra em lado nenhum“.

 

Theotónio Pereira fica gelado, pois nunca pensou que, como Ministro, teria que discutir abastecimentos com a governanta de Salazar. Mas engole em seco, e pede que Salazar chame a D. Maria para se juntar à reunião. Ouve atentamente as reclamações desta, toma nota e promete resolver o assunto, o que de facto faz, reforçando a importação do arroz carolino para que não houvesse falha no abastecimento.

 

Passaram 80 anos e o drama político do arroz carolino voltou, uma vez que a Assembleia da República aprovou por unanimidade uma proposta do PCP a recomendar um maior consumo de arroz carolino. Na altura em que o Parlamento recebeu um relatório arrasador sobre o colapso dos serviços de Estado em Pedrógão Grande, os deputados  entretêm-se com a magna questão do arroz carolino. Depois admirem-se que os portugueses lhes dêem o arroz.

14 comentários em “O arroz carolino na política portuguesa.”

  1. Mas mais engraçado é aprovarem que os cães podem entrar nos restaurantes (desde que se portem bem, suponho)

  2. Concordo por inteiro com a proposta do PCP. É uma afronta à história e cultura do país ver a miudagem a fazer as receitas populares dos seus avós usando agulha. Saudades de um arroz de pato como deve ser, tirado do forno molhado e meio empapado. Agora serve-se tudo seco como se comêssemos caril. E têm depois o descaramento de usar o arroz italiano, risoto, como se este também não fosse da mesma espécie do carolino. Saiba o LML que carolino só há em Portugal, Itália e Japão. Isto de defender independências tem de ser até às últimas consequências. Diga não à suspensão do arroz nacional.

  3. Espero que o arroz carolino seja obrigátorio só nos restaurantes que aceitarem cães molhados e gatos pernetas com pulgas, porque é uma merda tão grande que só um animal deformado merece comer a ração dos comunistas.

  4. Por momentos pensei que o post nos ia explicar como a campanha do arroz levou à privatização dos estuários do Tejo e Sado…

  5. Sugiro aos senhores jornalistas um saltinho à cantina da amada Assembleia da República, só para avaliarem da coerência cerealífera e piscívora dos queridos deputados…

  6. Mas a realidade é que os portugueses não dão aos políticos o arroz. Veja-se as últimas eleições! Não era necessário nenhum relatório dos incêndios de Pedrógão para em primeira instância saber quem eram os responsáveis. E o que vimos nas eleições é que o partido do governo saiu reforçado! E agora com o conhecimento do relatório a postura da ministra do mai é impensável!
    E como é que se justifica esta atitude por parte do povo? Como sempre: o mais mal é de quem vai pois quem cá fica se não come depenica.
    Quanto à atitude dos políticos está em conformidade com gente que não é séria e irresponsável.

  7. o grave problema do arroz está nos fungos que o acompanham
    existe legislação e análises a nível europeu
    o pior cultiva-se no Paquistão.

    estou ao seu dispor se estiver interessado em alimentação científica destinada a evitar situações degenerativas

  8. ENQUANTO ISSO PAPAM E SERVEM ARROZ MALANDRO
    É indispensável acentuar que uma das sementes e apoiante de sempre da arrozada Marquês está agora com os restos da caldeirada que dedicadamente patrocinou, exibindo os mesmos tiques do chef.
    O histórico deste por ações e contradições deve ser denunciado e exposto publicamente.
    Revelar totalmente a nu a qualidade perversa de um nada recomendável personagem é além do mais uma ação com contornos patrióticos.
    Casos pessoais e politicos de que a comunicação social amiga tem feito sepulcral silêncio.
    Desde as chaves guardadas da associação de estudantes, até ao método rasteiro de assalto ao poder, passando entre outras pela Casa Pia, pela recusa não muito distante em engendrar a formação de governos no parlamento que mais tarde veio a praticar miseravelmente com jogo sujo preparatório no segredo de caves bafientas.
    Um impostor despudoradamente execrável não pode esbracejar livremente na impunidade.
    De um e outro, os mesmos de sempre que amparam e respiram agrupados na mesma loja contaminada, ai jesus, que nunca de nada souberam e a nada conseguem responder, e que encavalitando-se no mesmo escorrega à desfilada juram que jamais viram uns aos outros levar no pacote as calças rotas.
    Lido:”Não haveria Sócrates sem o PS”. Notável resumo a pedir arroz para os ajudantes de cozinha.

    1. Nem mais.
      Uma gamela onde o fundo era muito fundo e não dava para ver nada, mas quase todos mamando.
      Gente sem dignidade.

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