O acordo do Brexit.


Luís Menezes Leitão,

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É raro assistirmos ao descalabro de um governo em directo. Hoje parece que é isso o que se está a passar no Reino Unido. Parece que os ministros estão na situação daquele célebre dito brasileiro: “Se fugir, o bicho pega, se ficar o bicho come“.

6 comentários em “O acordo do Brexit.”

  1. Nunca poderia ser fácil um brexit.
    Intuo que se trata do início de uma viragem naquilo que tem sido a globalização e a integração política em grandes comunidades.
    Juntemos ao Brexit as medidas protecionistas de Trump, o movimento independentista da Catalunha, as políticas restritivas às migrações…
    Até parece que, à imparável comunicação universal, corresponde o recrudescer dos regionalismos e dos nacionalismos.
    Parece…
    João de Brito

    1. O que me parece é que a partir do momento em que a União Europeia caminha para ser uma federação de Estados, a existência de estados plurinacionais nessa federação deixa de fazer sentido. As nações que fazem parte do estado plurinacional aspiram a passar directamente para membros da federação, sem se subordinar a uma estrutura intermédia. É isso que desejam a Catalunha e a Escócia. Foi por se terem apercebido disso que os ingleses — e só estes — quiseram que o Reino Unido saísse da União Europeia. Não sei, no entanto, se não terão precipitado as coisas. É óbvio que a solução encontrada para a Irlanda do Norte também vai ser reclamada pela Escócia.

  2. Dizem muito mal do governo May, mas o facto é que ninguém se oferece para se colocar no lugar dele.
    Toda a gente está descontente com o governo de May, mas ninguém se propõe substituí-lo, porque sabem perfeitamente que não conseguiriam fazer melhor.
    Os trabalhistas estão tão divididos internamente sobre o Brexit como os conservadores. E os conservadores que são a favor do Brexit fartam-se de mandar vir, mas já se aperceberam perfeitamente de que as teses que defenderam e defendem são inaplicáveis, porque levariam a economia ao colapso.
    Enfim, eu tenho pena da May.

  3. o descalabro de um governo em directo

    Não há descalabro nenhum. Os ministros fogem e atacam o governo, mas só com a boca. Na verdade, o governo May esá perfeitamente sólido, porque toda a gente sabe que não há outra opção viável.

  4. Filipe II ( ou I, à vontade do freguês…), Luís XIV, Napoleão, Hitler – “nothing new about the West Front”.
    Têm , isso sim , de controlar a deriva demográfica – o clássico problema do ovo da serpente…

  5. Excelente frase para ilustrar tal situação!

    Ontem, lendo as notícias que iam chegando sobre abandonos de cadeiras e projectos aprovados que não são os acordados e ameaças de desintegração e milhares de milhões em troca de nada, lembrei-me daquele desenho em que a raposa tem a cabeça na ratoeira e o lobo se lhe chega aos flancos “Quando as coisas correm mal, lembre-se: podem piorar”.

    Teresa May nunca teve perfil. Mas teve a coragem que faltou aos promotores do Brexit. Penso que estará de Novichok…

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