«Devagar, como se tivesse todo o tempo do dia,
descasco a laranja que o sol me pôs pela frente. É
o tempo do silêncio, digo, e ouço as palavras
que saem de dentro dele, e me dizem que
o poema é feito de muitos silêncios,
colados como os gomos da laranja que
descasco. E quando levanto o fruto à altura
dos olhos, e o ponho contra o céu, ouço
os versos soltos de todos os silêncios
entrarem no poema, como se os versos
fossem como os gomos que tirei de dentro
da laranja, deixando-a pronta para o poema
que nasce quando o silêncio sai de dentro dela.»
Nuno Júdice, O som do silêncio, in Guia de Conceitos Básicos, DQuixote, 2010

Lindíssimo poema.
Que bom que haver gente que assim escreve.
é isso mesmo, João:)
O mesmo não se passa com o meu comentário:)))
E só agora reparei.