Novo banco, história velha.


Luís Menezes Leitão,

 

Tinha escrito aqui que a solução encontrada para o BES era um desastre, devido aos inúmeros litígios judiciais que iria causar, podendo estender o colapso a toda a Banca, e que no fim, tal como no BPN, seriam os contribuintes a pagar a factura. Na altura, a minha posição foi criticada por inúmeros comentadores, que louvavam esta medida. Agora o desastre da solução encontrada está à vista com a administração do Novo Banco em debandada. É evidente que o Novo Banco não vale o dinheiro que o Estado lá colocou e que, por muita publicidade que todos os dias faça, a sua marca não tem qualquer valor num sector altamente competitivo. Por isso, ninguém sabe o que fazer. Se o mesmo fosse vendido hoje, será por tuta e meia, ficando o Estado a arder com a maior parte do dinheiro que lá colocou. Se for vendido mais tarde, corre o risco de ainda valer menos, saltando o Estado de administração em administração, deixando arrastar as coisas numa penosa decadência. Em qualquer dos casos serão sempre os contribuintes a pagar a factura. Na verdade, a solução Banco Bom-Banco Mau vale tanto como a história do Lobo Mau e do Capuchinho Vermelho, só servindo para adormecer as criancinhas. O problema é que os investidores não são criancinhas para acreditar piamente na pureza do Bom, agora que o que era Mau foi expulso. Por isso os resultados estão à vista. Pena é que haja tanta gente que prefere continuar a acreditar em contos de fadas, em lugar de ver a dura realidade à sua frente.

8 comentários em “Novo banco, história velha.”

  1. Entretanto, esta não-solução, idiotice óbvia, vai dar dinheiro a muita gente… porque o dinheiro que saiu do Estado certamente que não se evapora, e irá servir para encher as “bolsas” habituais – à custa dos bolsos habituais.

    Quando se diz que 5 anos de pena é pesado, não se tem em conta a dimensão dos crimes que vão sendo cometidos nestas governações, num cúmulo de roubos a milhões de cidadãos.
    E depois, não é só isso, é também o próprio atentado ao Estado de direito:
    https://www.youtube.com/watch?v=TYZphsY-_R8
    … e não precisa de ser provado em tribunal, os factos não desaparecem.

  2. Reconheço que as coisas estão a ficar feias e que a solução encontrada não será tão boa quanto eu pensava, mas o que seria bom é que apresentassem uma melhor ou, ao menos, que sugerissem pistas para resolver este grave problema.
    Dizer que estamos metidos num sarilho enorme é fácil e não resolve nada, encontrar formas de o resolver é que teria interesse.

  3. A dura realidade é que pagamos sempre. Não vejo em que é que é pior assim.
    Como foi com o BPN- em que os acionistas continuam impavidos parece-me mais escandaloso ainda.O que continuou na mesma foi a “eficiencia” dos reguladores. Nada que os portugueses achem “estranho”. Para quem é bacalhau basta.

  4. Hoje julgo compreender o facto de a situação do tal de Novo Banco não ser gerida através da constituição de um fundo com a gestão da CGD para completar, e bem, o desenho então encontrado. Para mim um banco só pode ser gerido pela experiência de outro banco, quando está em causa dinheiro público.

    E a explicação que me ocorre em todo este imbróglio é que a dita Europa, entenda-se BCE, entenda-se banca alemã em particular, já deve ter garantido a recuperação do dinheiro emprestado ao BES, e agora o assunto é nosso. E parece-me que no futuro alguém vai “assar” o governador do BdP; e o governo, que governa para injectar fundos, parece que não quer governar os fundos que pagamos. Espero estar enganado no meu raciocínio. E espero que o PR tome a atitude que Portugal necessita verdadeiramente e não aquela que ele julga precisarmos. Mas que o faça depois se esclarecer o imbróglio do PS.

  5. Visto na perspectiva da conversa de esplanada, o seu ponto de vista até poderia fazer sentido, mas não tem adesão à realidade. É do tipo das declarações que o professor catedrático da Universidade de Coimbra José Reis fez ontem à RTP, ou da entrevista que Mário Soares resolveu dar também à RTP a defender as malfeitorias de Ricardo Salgado: patéticas e sem sentido.
    Anda um país inteiro a fazer força para que a solução que o Banco de Portugal encontrou para evitar a falência do maior banco português corra mal. Ainda não perceberam que a satisfação que daí poderiam tirar lhes sairia dos bolsos.
    É nestas situações que me apetece dizer que não há limites para a estupidez…

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