Notícias de uma manifestação verdadeira ou deve ser o que chamam de jornalismo interpretativo


escafandro,

Funcionária – «jornalista» parece-me exagero – da SIC Notícias entrevista criança de 5 ou 6 anos no Terreiro do Paço.

«Porque estás aqui?»

«Porque… não sei.»

«Não sabes? Mas percebes que é importante cá estar?»

«Uhhh…»

«Um dia perceberás.»

16 comentários em “Notícias de uma manifestação verdadeira ou deve ser o que chamam de jornalismo interpretativo”

  1. Também foi muito esclarecedor ver a jornalista Joana Latino (SIC) abraçada a um manifestante, ao chegar ao Marquês de Pombal, e a fazer a reportagem…
    Perguntar aos manifestantes “que solução alternativa tem para Portugal?” é que não. Talvez gaguejassem como uma representante do movimento Que Se Lixe a Troika ontem no Expresso da Meia-Noite…

    1. Não vi esse abraço. Aliás, ontem vi muito pouca televisão.
      Quanto à alternativa, ninguém estava lá para dar soluções, só para se mostrar irritado com o problema. Ainda assim, parece que é “tomarmos conta das nossas vidas” – seja lá isso o que for.

  2. “Foram 400 mil? 500 mil? 800 mil? Um milhão e meio?” (lido no Público). Quer-me cá parecer que estas “previsões” ainda são mais malucas que as do Gaspar…

    1. Bom, mas isso, não sendo uma notícia (notícia seria um número razoavelmente exacto – e correcto), pelo menos é honesto. Eu até preferia que o Gaspar fizesse algo similar: «A… queda… do PIB… ficará… entre… os… 0,8 e… os 3,3… por cento… Quanto… ao… desemprego… estará… nos dois… dígitos.»

  3. E agora, uma pergunta de algibeira:
    Porque é que este (suposto) milhão e meio, que se diz farto de ser sempre governado pelos mesmos, que os políticos são todos iguais e é preciso mudar tudo, que querem uma democracia mais participativa, que querem demitir este governo e meter a ‘Troika’ na rua, etc, etc, etc e tal., não recolhe as parcas 7500 assinaturas necessárias, forma um partido político e ganha as eleições legislativas e/ou autárquicas com uma perna às costas, sem precisar de coligações, cambalachos ou chapeladas, e começa realmente a governar o país, seguindo o processo democrático que tanto exortam?
    Será porque:
    a) Não são assim tantos quanto isso.
    b) Metade (ou mais) foi à manifestação porque pensava que o Tony Carreira ia cantar depois do Zeca Afonso.
    bb) Pensavam que era mais um mega piquenique do Continente.
    c) São uma fachada para o PCP a brincar aos movimentos cívicos (basta contar a quantidade de panfletos e autocolantes que por lá andavam). Ou vice-versa.
    cc) São uma fachada para o BE/MAS a brincar aos movimentos cívicos (idem) . Ou vice-versa.
    d) Não têm soluções para um Portugal sem-‘Troika’/falido, que é igual entre si mas distinto de um Portugal pós-‘Troika’.
    e) Todas as anteriores (e mais algumas).

    1. Respondendo-lhe a sério, essencialmente d.
      Mas não é impossível (digo eu; o Vasco Pulido Valente garante o contrário) que surja um movimento qualquer similar ao de Beppe Grillo que leve atrás muita gente.

      1. Concordo consigo , é uma hípótese , ainda que não me pareça que arraste tanta gente como lá .
        Em Itália há um certo horror aos governos por isso mudaram-nos pelo menos 60 vezes nos últimos 65 anos .

        Mas Itália é um país que funciona com os “coronéis” dos ministérios , os directores-gerais que vão garantindo a governabilidade do país , isso não se passa em mais nenhum país da Europa.

        Por outro lado as enormes diferenças sócio-económicas , à medida que se vai de Norte para Sul , arrastam consequências que não se verificam em qualquer outra grande economia .

        Entretanto vão acontecer coisas em Itália , o Movimento em causa já não sabe muito bem o que vai fazer com tanto voto , quando se recebe votos dos ricos e dos pobres , da esquerda e da direita , dos novos e dos velhos , não é linear que se possa fazer muito do que se prometeu .
        E quando o que se prometeu agrada a todos é evidente que não vai servir a ninguém , para dar aos canalizadores tem que se tirar aos professores e vice-versa e por aí fora , nada é elástico e há que fazer escolhas um dia .

        De resto começa a haver algum silêncio à volta daquilo nos media , talvez porque tenham finalmente ido ler o programa do “Movimento” e não lhes tenha agradado na parte que lhes toca .
        A ideia de que o “Movimento fala à esquerda” é retirada da leitura que a esquerda faz do programa mas onde só lê o que lhe convém pois , lá pelo meio , há muita coisa que de esquerda pouco tem e não é novidade lá pela terra .

        Convém ler o tal programa .
        Foi o que eu fiz e dá para perceber muita coisa .

        1. Nos jornais li que uma das tais propostas de Grillo é internet grátis para todos, e, já que é na net que estamos, duas palavras sobre o assunto: para início de conversa, para aceder à net é preciso um equipamento qualquer, mas suponho que não chegará a tanto a luminosa ideia. Será então apenas suportada pelos contribuintes a existência de abundantes locais onde esses equipamentos ligados à net estejam à disposição de quem quiser passar lá a tarde/noite à vontaducha a ver gajas nuas ou a aprender a fazer cocktails molotov? Ou será que cada um deixa de pagar o que paga à PT ou à ZON lá do sítio e passa a aceder à net à borliú? E quem paga o que cada um deixa de pagar? Mais uma vez, o contribuinte, mesmo que nem utilize? E porquê a net grátis e não os jornais ou os livros ou a ópera ou o pão ou o leite? Fiquei mesmo baralhado…

          1. Grátis é sempre uma palavra chave. Mas o Manuel João Vieira sempre se candidatou a presidente da República com ideias de oferecer um Ferrari a cada português e está lá o Cavaco há 2 mandatos.

            Proponho também um jogo. Abram o Facebook e procurem fotos dos protestos “orgânicos” e “cívicos” sem cartazes e faixas do PCP/MAS (o BE anda meio arredado destas lides, deve ser da liderança acéfala, perdão, bicéfala).

          2. De facto fala da cobertura completa de ADSL a nível nacional mas tem o cuidado de não entrar muito em pormenores .

            Resta saber se quer pô-la dentro de casa de cada um ou na rua , pormenor que não é de menos pois a internet cada vez cai mais do céu (a famosa « nuvem ») mas os aparelhos custam dinheiro a fazer , a montar e a manter .

            Se fôr dentro de casa estamos conversados .
            Se fôr « na rua » propõe desde já determinado sistema que não cito para evitar publicidades desnecessárias (está lá no programa) .
            O sistema só tem o inconveniente de « dar » 22MB/s até 7 kms e 4.5 MB/s até 15 kms.
            Os custos de manutenção disto tudo devem ser bons e entusiasmantes .

            Mas propostas como a de nenhuma cadeia de televisão com cobertura nacional poder ter como accionista maioritário uma entidade privada e nenhum dos accionistas poder ter mais de 10% não é má ideia …
            Se a isso juntarmos que as licenças respectivas serão leiloadas (sic) de 5 em 5 anos e que quer acabar com o sindicato dos jornalistas , fica tudo mais composto .

            Acabar com órgãos autárquicos que cubram menos de 5000 habitantes também seria bem recebido por cá , bem como as promoções exclusivamente por mérito na Saúde Pública .

            São 128 medidas , umas muito genéricas e outra nem tanto , é impossível não estarmos de acordo com 2/3 delas – o problema é quando , depois de as lermos , paramos para pensar e perguntar-mo-nos como é que aquilo se põe na prática.

            Também lá está a impossibilidade de pessoas condenadas em tribunal se poderem candidatar a cargos (sem especificar quais) .
            Aos públicos já é o caso , por isso ele próprio não foi candidato .

          3. Esqueci-me de focar um ponto essencial e que justifica a importância dada à net pelo « Movimento 5 Estrelas » e acho que responde à última questão que pôs :

            – Participação directa dos cidadãos nas reuniões públicas via web

            Assim , na comodidade do seu lar e entre duas visitas aos outros sites , o cidadão aprova e quiçá irá votar tudo o que lhe pareça simpático e sirva os seus interesses.
            Se serve os de outros já hoje é indiferente a quase toda a gente .

      2. P.f. não dêem ideais ao Nilson ou ao Nilas ou lá que diabo é o nome do fulano; aquele palerma dos óculos coloridos e barba de 3 dias para dar mais estilo e que não tem graça nenhuma.

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