Notícias da Terra Média


Ana Vidal,

O estranho Verão deste ano voltou a trazer-me uma Sintra de que ainda me lembro em criança: muita névoa, muita humidade e um friozinho permanente que me transportam de imediato à infância. Por momentos volto a sentir-me num conto de fadas, princesa numa floresta mágica habitada por elfos, duendes e árvores que falam. Um cenário português digno de Tolkien, a que nem falta a voz longínqua do meu avô, apontando a serra coberta de nuvens brancas: “Vês? A serra de Sintra tem neves eternas.”

(Nota: as fotografias são da net mas podiam ser minhas, tiradas hoje mesmo)

15 comentários em “Notícias da Terra Média”

  1. E talvez fique bem isto aqui

    Vamos hacia los árboles… el sueño
    Se hará en nosotros por virtud celeste.
    Vamos hacia los árboles; la noche
    Nos será blanda, la tristeza leve.

    Vamos hacia los árboles, el alma
    Adormecida de perfume agreste.
    Pero calla, no hables, sé piadoso;
    No despiertes los pájaros que duermen

    Alfonsina Storni não se importará…

    1. Pois é, Leonor, mas será só impressão nossa, pura nostalgia?
      Tenho a semsação de que agora há muito mais sol nesta zona, mas não sei se o filtro do tempo tem alguma coisa que ver com isto…

      1. Não tenho dúvidas, Ana, há incomparavelmente mais sol de há uns dez anos a esta parte. Felizmente. Passar verões a fazer braço-de-ferro com este clima estuporado não me deixou quaisquer saudades, mas isto sou eu que gosto de luz, sol e calor.

  2. A névoa tem mistérios, Ana, por isso gostamos tanto dela. As fotos parecem mesmo um conto de fadas, lindíssimas!

  3. Sabíamos que o Verão tinha chegado, numa qualquer manhã de Domingo em que o meu pai dissesse: vamos tomar o pequeno almoço a Sintra. Não me lembro quanto tempo demorava a viagem, até porque na infância o tempo não se conta nos relógios. Mas lembro-me que a viagem demorava o tempo de eu rever mentalmente as páginas de alguns dos livros da Colecção Azul. Porque nesse tempo eu acreditava firmemente que os irmãos Grimm teriam decerto passado pela Serra de Sintra.

    1. É bem verdade, Cristina, na infância o tempo não se conta nos relógios. Em Sintra conta-se em histórias, nuvens, pedras e fontes. 🙂
      Gostei de saber que também tem memórias de infância daqui.

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