O estranho Verão deste ano voltou a trazer-me uma Sintra de que ainda me lembro em criança: muita névoa, muita humidade e um friozinho permanente que me transportam de imediato à infância. Por momentos volto a sentir-me num conto de fadas, princesa numa floresta mágica habitada por elfos, duendes e árvores que falam. Um cenário português digno de Tolkien, a que nem falta a voz longínqua do meu avô, apontando a serra coberta de nuvens brancas: “Vês? A serra de Sintra tem neves eternas.”
(Nota: as fotografias são da net mas podiam ser minhas, tiradas hoje mesmo)



E talvez fique bem isto aqui
Vamos hacia los árboles… el sueño
Se hará en nosotros por virtud celeste.
Vamos hacia los árboles; la noche
Nos será blanda, la tristeza leve.
Vamos hacia los árboles, el alma
Adormecida de perfume agreste.
Pero calla, no hables, sé piadoso;
No despiertes los pájaros que duermen
Alfonsina Storni não se importará…
Fica muito bem, mesmo! E acho que ela não se importará, nem as árvores. 🙂
Obrigada, Fanas, sempre atento.
Mafra está igual. Exactamente como na minha infância também.
Pois é, Leonor, mas será só impressão nossa, pura nostalgia?
Tenho a semsação de que agora há muito mais sol nesta zona, mas não sei se o filtro do tempo tem alguma coisa que ver com isto…
Não tenho dúvidas, Ana, há incomparavelmente mais sol de há uns dez anos a esta parte. Felizmente. Passar verões a fazer braço-de-ferro com este clima estuporado não me deixou quaisquer saudades, mas isto sou eu que gosto de luz, sol e calor.
A névoa tem mistérios, Ana, por isso gostamos tanto dela. As fotos parecem mesmo um conto de fadas, lindíssimas!
São lindas sim, Fátima. E eu nunca faria fotografias que fizessem justiça à beleza que está Sintra por estes dias. 🙂
Os deuses amam Sintra porque Sintra é Sintra, ou Sintra é Sintra porque os deuses a amam? Ai… apeteceu-me… Inclino-me para a primeira hipótese.
Boa pergunta, Fernando. Também me inclino para a primeira hipótese, acho que Sintra é ainda mais antiga e mais poderosa do que os deuses… 🙂
Há magia em Sintra. Em qualquer estação do ano. Sem dúvida um dos dez motivos para gostar ainda mais de Portugal.
Sem dúvida. E eu encontro mais de dez, apesar dos pesares. 🙂
Sabíamos que o Verão tinha chegado, numa qualquer manhã de Domingo em que o meu pai dissesse: vamos tomar o pequeno almoço a Sintra. Não me lembro quanto tempo demorava a viagem, até porque na infância o tempo não se conta nos relógios. Mas lembro-me que a viagem demorava o tempo de eu rever mentalmente as páginas de alguns dos livros da Colecção Azul. Porque nesse tempo eu acreditava firmemente que os irmãos Grimm teriam decerto passado pela Serra de Sintra.
É bem verdade, Cristina, na infância o tempo não se conta nos relógios. Em Sintra conta-se em histórias, nuvens, pedras e fontes. 🙂
Gostei de saber que também tem memórias de infância daqui.
Lindíssimas as fotos, Ana! 🙂
São mesmo, Isabel.