Em Janeiro deste ano, com grandes parangonas de propaganda e já com a crise a galopar, José Sócrates lançou uma iniciativa a que chamou Emprego 2010. Isto para tentar dar algum crédito à proclamação de fé que emitira meses antes, quando previu a melhoria do desemprego em 2010. Esta iniciativa acaba de naufragar, com o aval da ex-sindicalista Helena André, agora ministra do Trabalho, a quem ontem competiu a ingrata tarefa de dar a cara pelo toque a finados das medidas prematuramente desaparecidas.
Termina – antes de começar – o prolongamento por seis meses do subsídio social de desemprego. Termina – antes de começar – a redução do prazo mínimo de descontos para se ter acesso ao subsídio de desemprego, que regressa ao anterior limite de 450 dias. Termina – antes de começar – a linha de crédito bonificado aos desempregados para fundarem micro-empresas. Termina – antes de começar – a eliminação do pagamento adicional de abono de família do terceiro ao quinto escalão.
Sócrates, desta vez, não estava lá. Também não estivera na véspera, quando o ministro da Economia admitiu o aumento das tarifas dos transportes públicos. Fê-lo sem concretizar, numa visita a Bruxelas, como começa a ser hábito neste Governo: Teixeira dos Santos já fizera o mesmo quando anunciou o aumento global dos impostos, entre a vitória do Benfica no campeonato e a visita do Papa a Portugal. Mas o presidente da Associação Nacional de Transportes Rodoviários de Passageiros, numa espécie de porta-voz improvisado do Governo, logo especificou: os aumentos oscilarão entre 3% e 4%.
Tudo isto, repete-se até à náusea, em nome do combate à crise. É curioso: há um ano e meio, quando concedeu aos funcionários públicos o maior aumento salarial desde 2001, prevendo já o ano eleitoral – com europeias, legislativas e autárquicas – Sócrates agiu como se não houvesse crise. Já fizera o mesmo em Maio de 2008, quando decidiu reduzir o IVA de 21% para 20%, com uma notável incapacidade de previsão da derrapagem das finanças públicas que agora está à vista de todos. “Foi um erro”, conclui o insuspeito Daniel Bessa, ex-ministro da Economia de António Guterres.
É na capacidade de antever as crises que se avalia a competência de um governante. E é na frontalidade de assumir e rectificar os erros cometidos, sem delegar essa missão em terceiros, que se avalia a coragem desse mesmo governante. Em qualquer destes testes, o primeiro-ministro já chumbou.


Permito-me apenas acrescentar que a capacidade de previsão é o que evidencia o bom profissional ou o bom gestor, onde quer que ele esteja.
Excelente post, Pedro!
Obrigado, MA. É como diz: nem só na política a capacidade de previsão é essencial.
Mas está a ser coerente e visionário no apoio a Manuel Alegre.
Ou não?
Pois, é mesmo não.
É a vida…
Coerente no apoio a Alegre? Nim.
Só tenho três coisas a dizer: notável incapacidade de previsão, o primeiro-ministro já chumbou e “no hay siaco”.
Sí, no hay bolsa. Pero… que vamos a hacer sin él? Dónde vamos a poner todas las tonterías que escuchamos todos los días?…
Tenemos un problema! Sólo uno más.
No conozco a tío más coñazo en toda Europa.
Os economistas são como o João Pinto do FCP , prognosticos no fim do jogo é com eles .Sócrates, antes da crise do subprime pos o deficit de 6,8 deixado pela direita, em 2,7 %. Hoje ninguem fala da Irlanda, Finlandia e Espanha, muitas vezes evocados como exemplos de governação. Haja seriedade. Só dou alguma importância aos economistas empresários que são poucos, a maioria são treinadores de bancada como o Daniel Bessa. Previram alguma coisa? boa Noite.