Notas de um Verão a Norte – o regresso a Paredes de Coura


João Pedro Pimenta,

Os jornalistas musicais portugueses costumam dividir a humanidade em dois grandes grupos: os que estiveram no concerto dos Arcade Fire no festival de Paredes de Coura de 2005 e os que não estiveram. Eu insiro-me numa terceira via: os que estiveram lá nesse mesmo dia e não viram os Arcade Fire.

 

Sim. Em 2005, por uma hora, dadas as recusas de última hora de dilectos amigos meus em seguir comigo, que já tinha bilhete, perdi o concerto dos estreantes Arcade Fire, que ao que asseguram os assistentes, ficou para a história como uma “epifania”, o “espectáculo da década” que “catapultou o festival”, etc. À época conhecia o grupo e já tinha ouvido algumas canções de Funeral, o álbum inicial, e ainda hoje Rebellion (Lies) continua a ser a minha faixa favorita dos canadianos. Mas como a minha ideia era ver os Pixies, precedidos dos Queens of the Stone Age, não liguei muito, mas ficou um travo de pena. Vi depois os Arcade Fire em Lisboa, num espectáculo memorável ao lado da ponte Vasco da Gama. Mas ainda havia uma lacuna por cicatrizar. Este sábado, finalmente, encontrei os canadianos em Paredes de Coura, treze anos depois de eles se terem ido embora antes de eu chegar. Com mais discografia em cima, e a entrega e a emoção de sempre. Talvez as expectativas que estavam muito lá em cima ficassem ligeiramente goradas, até por não ser a primeira vez que os via. E o último álbum, em destaque, é o mal amado da discografia dos Arcade. Mas começaram logo com ele, com uma bem disposta Everything Now (o vídeo atrás traduzia como “tudo agora”), seguida dos hinos do costume – Rebbelion, pois claro, e ainda faixas de Neon Bible, The Suburbs e Reflektor, tudo a acabar num muito celebrado Wake Up, com a plateia literalmente iluminada. No dia com mais público de sempre do festival, os Arcade Fire regressaram a terras do Alto Minho. 2005 está enfim vingado.

arcade coura.jpg

 

4 comentários em “Notas de um Verão a Norte – o regresso a Paredes de Coura”

  1. Ahhhhh, não fui só eu que me roí dois anos seguidos e bilhete na mão – no Super Bock Super Rock: Pearl Jam num ano, Alice in Chains no seguinte. Dói!!!! E ainda não ultrapassei

  2. A Paredes de Coura nunca fui; em 2007 não os fui ver ao Super Bock Super Rock por preferir ver The White Stripes ao Alive (escolha de que jamais me arrependerei); vi-os em 2011 no Meco, num grande concerto que só não foi o melhor da noite para mim porque os Portishead, enfim, jogam noutro campeonato.

    Hoje tenho-os um pouco como os Muse: gostei muito dos primeiros álbuns, ouço-os ainda com alguma frequência, mas os trabalhos mais recentes não me convenceram. Enfim, uns e outros pelos vistos continuam magníficos ao vivo. Se num destes dias voltarem a Lisboa sou bem capaz de ir lá vê-los só para ouvir a “No Cars Go”.

  3. Assistir ao vivo os Pixies por si só é motivo suficiente para ir a um festival. Tudo o resto é paisagem… o que em Paredes de Coura se reveste de outro significado.

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