Notas à margem (2)


Adolfo Mesquita Nunes,

De um ponto de vista literário, a felicidade não é o mais interessante dos estados. A não ser, claro está, se dela duvidarmos e a quisermos desmascarar, o que já nos afasta da própria. Mas o mesmo não pode dizer-se das pessoas felizes, que as há literatura fora, e que gosto de perseguir. Não é contradição: as pessoas felizes não vivem em felicidade. É por isso que, se me tivesse sido dada a oportunidade, gostaria de comentar com o Graham Greene essa coisa de ‘Mostrem-me um homem feliz e eu mostrar-vos-ei amor próprio, egoísmo, maldade ou então uma absoluta ignorância’, que o Scobie diz no Nó do Problema.

7 comentários em “Notas à margem (2)”

    1. Digo no post, reli-o agora que respondo ao teu comentário, que a felicidade não é o mais interessante dos estados em literatura. Mas, já na linha do que queria responder-te, e respondendo, desfaço o aforismo: a felicidade não tem sido o mais interessante dos estados em literatura.

      É que, afinal de contas, podemos estar perante desconhecimento (desculpável se uma qualquer obra estiver por aí escondida, ou menos desculpável se alguma grande obra me estiver a escapar, que as pode haver) ou, atrevo-me, perante uma ausência de talento particular para a felicidade, coisa que pode terminar de um momento para o outro. Talvez esteja para chegar a revelação da felicidade em literatura.

      De qualquer maneira, pessoas felizes são um achado em literatura. Não as pessoas em felicidade, coisa mais, lá está, sem graça. Mas pessoas felizes apesar da infelicidade.

      E a propósito disto, do obras escondidas (assunto que me interessa muito, como pode ver-se aqui http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3606924.html), reencontro o tema para o próximo post desta série.

  1. Tive um professor de Português, cujas palavras nunca esqueci.

    “Não há felicidade plena, apenas momentos felizes.”.

    Cristina Silva

    1. É verdade, Cristina. Ou, pelo menos, é essa a minha percepção. A felicidade para mim, ou esses tais momentos (ou até, para ser mais rigoroso, o estado de felicidade que alcança quem sabe como superar os momentos de infelicidade), é o que mais me deslumbra numa personagem.

      1. “(…) o estado de felicidade que alcança quem sabe como superar os momentos de infelicidade) (…)”

        Estou sempre a aprender. Ainda não conhecia esta versão, mas já ficou retida. Palavras sábias. Saber viver, é preciso. Eis uma grande verdade.

        Realmente, faz-me pensar. Sentirmos a felicidade não é só quando tudo corre às mil maravilhas. Custa sofrer, mas é nestes momentos que podemos sair mais fortes, e isto nos mais variados aspetos da nossa vida. Obrigada.

        Cristina Silva

  2. Um dos cinco títulos de que mais gosto deste que é um dos meus autores de sempre.
    Os outros são ‘A Inocência e o Pecado’, ‘O Poder e a Glória’, ‘O Fim da Aventura’ e ‘Os Comediantes’.

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