Nós merecemos melhor


Pedro Correia,

“A eleição de Cavaco Silva não foi uma batalha de valores”, disse esta noite um comentador alinhado com o Presidente da República num programa de televisão, procurando justificar o injustificável. Sem perceber, este comentador só dá razão a quantos criticam a leitura minimalista dos poderes presidenciais que tem sido feita por Cavaco desde que chegou a Belém: vale a pena eleger um Presidente da República por sufrágio universal se esse escrutínio não resultar de “uma batalha de valores”? A resposta é obviamente negativa. Mas é escusado levar a novidade à tribo de incondicionais do actual inquilino de Belém. Diga ele o que disser, cale o que calar, omita o que omitir, conceda o que conceder, obtém sempre o aplauso caloroso dos membros desta tribo. Merecem o Presidente que têm. Mas nós, que somos mais, merecemos melhor.

7 comentários em “Nós merecemos melhor”

      1. Gostava de acreditar que o que se passa é a escolha de um mal menor, caro Pedro.

        Porque implicitamente estaria a admitir que ainda temos capacidade para pensar (como povo), e assim, a esperança de um dia poder ouvir o “Grito do Ipiranga” não teria morrido em mim.

        Infelizmente parece-me que já chegamos a um estado de bovinidade tal que já nem sequer optamos por um mal menor. Apenas nos deixamos estar, ruminando, com mais ou menos asia, a forragem que nos vão servindo (em louça da Vista Alegre).

        Um abraço

  1. Concordo com o comentador pró-presidente: de facto, tudo visto, conclu-se que “A eleição de Cavaco Silva não foi uma batalha de valores”, embora o comentador tropece um bocadinho na língua pátria (a eleição nunca pode ser uma batalha, o debate que a antecede é que pode ser).
    Mas o problema está exactamente aí: porque qualquer eleição democrática deve ser a resultante de um debate aprofundado sobre valores.
    Além de que, queira-se ou não, Cavaco Silva apresentava-se como o homem capaz de respeitar e fazer respeitar valores como a honradez, o trabalho honesto, a seriedade na política, a preocupação de bem fazer, a elevação de espírito – tudo valores que se podem encontrar nas suas intervenções.
    Em qualquer caso há muito que sabemos que Cavaco é parte do problema, não é parte da solução.
    Medina Carreira é parte da solução.
    Bagão Félix idem.

  2. Ainda haverá uma “tribo de incondicionais” de Cavaco Silva, para além da família e amigos pessoais?
    Suspeito que ele continua a ser o candidato do PSD não porque gostem dele mas porque apostam na tradição dos portugueses votarem “em quem já conhecem” (aliás já escrevi sobre isto no meu blog).
    Mas querer que ele vença por ser da área, quando tem sido um PR completamente irrelevante, parece-me coisa de tontos.
    Nada de novo, afinal.

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