Nos 35 anos do SNS


Teresa Ribeiro,

Há um filme de James L. Broooks que recordo recorrentemente sempre que vem à baila a discussão sobre os méritos e deméritos de um serviço nacional de saúde. Não sendo sobre assuntos médicos, Melhor é Impossível revela com toda a clareza o que pode acontecer a uma família americana quando não tem dinheiro para pagar um seguro de saúde decente. Costumo recomendá-lo aos meus amigos liberais que tanto choram o dinheiro dos impostos que é gasto com tamanha inutilidade.

 

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27 comentários em “Nos 35 anos do SNS”

  1. O SNS para começar é um crime de silêncio.
    Como é um projecto político do regime os jornais e TV’s censuram tudo o que ocorre no SNS.
    Erros médicos, taxas de infecções, excesso de mortalidade, atrasos em operações .
    Nada se sabe. E não se sabe por causa de uma única coisa: Política dos defensores do SNS. Censura activa de todos os Partidos.
    Outra coisa que os defensores do SNS não querem que se discuta é onde se gasta o dinheiro do SNS. Quais as doenças prioritárias. Quem morre por não ser prioritário. Em que circunstâncias (Euros) é alguém considerado intratável.

    Podemos ainda falar do aborto no SNS: um crime.

    1. Tem andado distraído. Não são poucas as notícias relativas ao SNS.
      Ainda esta semana está a correr a polémica sobre as VMER.
      Também não percebo porque carga de água pensa que um sistema privado seria mais transparente. Isto num país onde os bancos privados “perdem o rasto” a milhões que têm de ser repostos pelos contribuintes, sem aparecer um acusado judicialmente que seja.
      Andaram a vender como boa uma banca parasita sem vergonha nenhuma.
      Já sei que vai dizer que os banqueiros são todos uma cambada de socialistas. Até tem razão, socializam o prejuízo num instante.

    2. Quanto ao erro médico – que deve ser chamado de negligência médica – em 2010 parece que existiram 184 processos em tribunal.

      Quanto a taxas de infecção hospitalar, anda pelos 10%.

      Finalmente, o tempo de espera médio para cirugias está em 2,8 meses.

      Tudo isto facilmente obtenível com uma consulta no Google… É a censura no seu esplendor.

  2. Um serviço de saúde pública como o que temos, existe apenas em alguns países da Europa, na Austrália, no Canadá e pouco mais. Como sabemos nem os Estados Unidos têm um esquema público de saúde ao serviço da generalidade da população. É portanto um “luxo” que devemos preservar.
    Por isso não devia servir para fazer politica barata como acontece em Portugal, e se o queremos preservar, temos de saber como é que o podemos e queremos pagar.
    Não é criando todos os anos buracos de centenas de milhão de euros que se preserva o SNS, porque um serviço essencial para a população não pode viver em permanente sobressalto financeiro.
    É patético ouvirmos um senhor que foi ministro dos assuntos sociais durante pouco mais de meia dúzia de meses, passar a vida a dizer, e os média a repetir, que é o pai do SNS, e estou a referir-me a António Arnauth que passa a vida a gritar que vem aí o lobo; ele é tanto pai do SNS como eu sou pai dos filhos dele, se os tiver.
    Para mais, defender um direito indiscutível numa sociedade democrática como é o acesso aos cuidados de saúde, porque está consignado na Constituição diz bem da maneira como o “pai” da criança olha pró filho: tens constitucionalmente direito à vida, mas se tens dinheiro para comer, vestir e calçar, isso não interessa para nada. Alguém há-de pagar…até ao dia.
    Infelizmente, sou há mais de vinte anos um “cliente” mais assíduo do que gostaria do SNS; posso testemunhar sobre a boa qualidade quer dos serviços, quer de quem lá trabalha. Mas tenho uma enorme dificuldade em perceber porque é que entre 2000 e 2010 a despesa com o SNS duplicou. É isso que nos devia preocupar a todos, não são os estados de espírito do Dr Arnauth.

    1. Sim, é um luxo que devemos preservar e pagar conforme as nossas possibilidades. Não há dinheiro para sustentar um serviço “tendencialmente gratuito para toda a gente”.
      Quanto aos “gastos crescentes”, não nos podemos esquecer que em parte se relacionam com as novas tecnologias que estão associadas à prática da Medicina. A tendência é para a Saúde ser cada vez mais cara, mas claro que há erros de gestão para corrigir e muita corrupção a minar as contas do sector.

      1. Haverá ainda assim, creio, que usar de alguma moderação ao chamar-lhe um luxo. Sê-lo-á por comparação com o que sabemos existir noutros lugares (e convirá, acredito, escolher bem os termos dessa comparação), mas atenta a absurda carga fiscal que por cá se suporta – sempre anunciada como de contingência, sempre temporária, mas afinal nunca aliviada e até apresentada sob nomes (“sobretaxa de solidariedade” e coisas afins) que convocam a mais firme cidadania – é de perguntar se não será afinal o SNS um elementar dever do estado e uma nossa, cidadãos, elementar exigência. Dever e exigência de que o estado se vai paulatinamente demitindo.

        Admita-se que de facto seja insustentável um serviço universal e integralmente gratuito (que nunca o seria, afinal, ainda que nada se pagasse quando a ele se recorresse), até por essa crescente complexidade e associada despesa da medicina, mas não andará esse argumento a ser utilizado – e algo ingénua e muito convenientemente aceite, de plena boa fé, por todos (quase, enfim) nós – para lá do admissível, por parte de uma administração pública que há muito perdeu o pudor e que, de uma ou de outra cor, mente reiteradamente com a tranquilidade do sono dos justos?

        Perante o saque fiscal a que assistimos, que pagamos obedientemente e que até acreditamos poder ser de facto uma inevitabilidade, cabe perguntar se será o melhor o uso feito das receitas assim recolhidas. Se não continuaremos – ou por nós o poder – a ter uma visão muito peculiar do princípio de que os contratos são para ser honrados. É que na altura em que esse princípio se revela afinal tão impraticável quanto o do SNS universal e gratuito, parece-me que este, e não só este, pagou e paga uma parte desproporcionada das consequências. Sob a muito oportuna, e até à náusea invocada, capa da impossibilidade de um utópico princípio de gratuita universalidade.

        Costa

  3. Fui fazer um exame a um hospital público, uma laparascopia diagnóstica e foi totalmente grátis. Foram 4 dias de internamento e uma intervenção tecnicamente difícil. Não entendo como foi possível não pagar nada, poderia perfeitamente pagar 250~500 €, quem sabe é a isto que se referem os seus amigos liberais?

    1. Ó amigo por quem sois…
      Se ficou com um peso na consciência tem bom remédio… faça um donativo desses 500 euros a um hospital ou então melhor ainda, da próxima vez recorra a um hospital privado que já fica com a carteira mais leve.
      Ele é com cada um…

      1. Estimado Pedro Almeida, se devo ou não recorrer a um hospital público não é da sua conta, se devo ou não contribuir para o financiamento do SNS pagando, na medida do possível, os actos médicos por mim requeridos, mereceu-lhe o comentário desprezível que escreveu.

        1. O financiamento do SNS e de milhentas outras coisas públicas faz-se pelo pagamento de impostos, quem mais ganha mais contribui e ainda bem… falando nisso, referiu que nada pagou, ora se nada pagou significa que é isento de taxas moderadoras, o que significa que deve ter rendimentos mesmo muito baixos, ora se mesmo assim não se importava de pagar 500 euros será que isso significa que os seus rendimentos não são declarados às finanças??? Ou afinal sempre pagou qualquer coisa???
          O liberalismo em Portugal geralmente começa no bolso esquerdo e acaba no bolso direito do liberal.

          1. Comentário bem parvo no que respeita ao que pensa do Sr.Luís Marques.

            Ou o Sr. Luís Marques não pode estar isento e ter filhos que o ajudem?

            Gente triste esta, sempre a bater nos outros que nem mal lhes fizeram…

          2. A sua ignorância é insultuosa, paguei taxas moderadoras de consultas, análises e rx, não paguei nada pela intervenção cirúrgica. Pretendi dizer que me parece errado o SNS ser universal e gratuito, há necessidade de cretinas insinuações de fuga aos impostos?

    2. Os meus amigos liberais, talvez porque gozam de excelente saúde, não se incomodam com a ideia de se tranferir a totalidade dos serviços de saúde para o sector privado, mesmo sabendo que tal significa subordinar a prestação de cuidados de saúde a objectivos meramente comerciais.
      A medicina é muito cara. Se estiver inteiramente sujeita às leis do mercado, os melhores cuidados de saúde só serão acessíveis aos ricos. Mesmo os melhores seguros de saúde não cobrem tudo. Se por azar os beneficiários passarem a padecer de uma doença crónica e cara a prazo despedem-nos. É nisto que os meus amigos liberais não gostam de meditar.

        1. Não havendo dinheiro para sustentar um serviço “tendencialmente gratuito para toda a gente” devemos pagá-lo conforme os nossos rendimentos. É isso que defendo, caro Luís Marques. O problema é a aplicação deste princípio. Se se estabelecer, como pretende este governo, que a partir de um rendimento superior ao do salário mínimo já todos somos ricos, perde-se o sentido de justiça que lhe está implícito.

    3. Caro Luis Marques,

      Mas Vc. já paga mais: o SNS é financiado pelo Orçamento Geral do Estado, logo se tem mais posses, admito que pague mais impostos, logo, de facto, paga mais.

      1. Eu sei que pago mais por via de impostos, repito que me parece que a ideia de SNS universal e gratuito é insustentável. Declaração de interesses: encanta-me o liberalismo.

    4. Como certamente pagará os impostos e os outros custos sociais, certamente que paga pelo SNS e pagou pela intervenção. A questão, como a coloca, não faz sentido. A questão é como tornar o SNS sustentável, não como passar a pagar individualmente por cada custo em que se incorra.

      Por comparação: na Holanda fiz uma apendectomia. Internamento, cirurgia, análises e medicamentos. Não vi uma única conta. O seguro pagou tudo porque tendo um fundo de múltiplos contribuintes para o mesmo fundo é possível pagar os custos de todos (genericamente paga-se no total mais ao seguro do que se gasta). O SNS tem o mesmo princípio, mas envolvendo toda a população e, pormenor importante, não excluíndo nada (os seguros estabelecem muitos limites). E, claro, sem ter como objectivo o lucro.

      A questão não é como pagar esses 200-500 euros individualmente. É como garantir que o SNS os pode pagar sem que tenha buracos financeiros.

  4. Realmente, os liberais (que palavra tão mal escolhida para quem mais não defende do que o regresso da lei na selva às sociedades modernas) deviam viver na América sem dinheiro nem saúde para sentirem na pele as consequências de viver no sistema que tanto defendem.
    Ou no Burkina Faso, que vai dar ao mesmo.
    Ou, por este andar, em Portugal, daqui por mais uns anitos…

    1. Tem toda a razão: depois de os socialistas conquistarem o poder em 2015, lá para 2017 o SNS estará outra vez a rebentar pelas costuras, como estava em 2011. Pode ser que então volte outra vez um governo neoliberal, ou ultraliberal, ou o que a esquerda despesista e bempensante lhe queira chamar, para pôr novamente o SNS nos eixos. E aí teremos de ouvir o “pai” da criança a gritar de cada vez que lhe puserem um microfone e uma camara de tv à frente, que “querem destruir o SNS ” universal e tendencialmente gratuito. O costume.
      Comparar o Burkina Faso com o país dos gringos, é um insulto para o Burkina Faso. Mesmo em assuntos de saúde pública.

  5. O nosso médico de família durante 20 anos, deixou o SNS para abrir consultório. Isto foi há uns 12 ou 13 anos. Por consequência, há cerca de 13 anos que ninguém por aqui tem médico de família, porque não tinham profissional de saúde para nos atribuir, ou antes, os poucos médicos que tinham já comportavam nos seus ficheiros mais utentes do que aqueles que lhes seria humanamente possível atender. Estamos “inscritos” no centro de saúde, a aguardar que nos seja atribuído um médico de família. Felizmente, vai para 20 anos que subscrevemos um seguro de saúde. O que na altura nos pareceu excessivo, tornou-se presentemente numa bênção exactamente porque não estamos a rejuvenescer.
    Penso como a Teresa. Todos os que puderem investir num seguro de saúde, não hesitem. A oferta é grande, o que torna a escolha facilitada. Tenham em consideração que a idade e as maleitas com que ela nos brinda, pesam muito nas subscrições. Tenho amigos bem mais novos que gostariam de subscrever um produto que lhes supra as necessidades do foro clínico e não conseguem.

    1. Os seguros de saúde (nos quais, já agora, se pode incluir a ADSE) são um excelente complemento ao SNS mas não o substituem. A grande vantagem dos seguros de saúde é a rapidez de atendimento e/ou a possibilidade de escolha do médico. No caso de internamentos, a possibilidade de se “optar” pelo comforto. No entanto os seguros de saúde não atendem aos casos-limite que o SNS cobre por ser um serviço universal. Isto incluí não só doenças crónicas com custos elevados como cirurgias e tratamentos mais complexos. Vc. não encontra (pelo menos para já) nenhum hospital privado que as providencie, por dois motivos: um, de escala (a “carteira de clientes” é sempre menor que um serviço universal), e o outro de custo (um serviço privado não vai fazer algo que lhes dê prejuízo, já um público sim).

      1. Viva, Carlos. Tem toda a razão quando diz que os seguros de saúde devem complementar e não substituir o SNS. No meu caso substitui completamente. Tenho um excelente seguro-empresa-família, que não é barato, concordo, mas abrange desde medicamentos, cirurgias, internamentos , exames complementares de diagnóstico, estomatologia com comparticipação em aparelhos correctivos, comparticipações em lentes oftalmologicamente prescritas, etc.
        Ainda há bem pouco tempo fiz uma RM que detectou uma hérnia cervical incapacitante, por preço inferior ao da taxa moderadora numa consulta de urgência num hospital público. Bem sei que somos clientes de longa data e que provavelmente estes produtos já foram descontinuados, mas para mim é a única alternativa a um serviço que me pôs, a mim e à minha família, numa lista de espera permanente, de há cerca de treze anos a esta parte.

        1. Olá Dulce. Perdoe-me a presunção, mas no seu caso contínua a ser um complemente e não uma substituição. Para pessoas com (bons) seguros – como aparentemente é o seu caso e acho que é o meu – o que “dispensamos” são os cuidados primários, exames e pequenas intervenções hospitalares. Mas temos a segurança de se nos acontecer algo grave, o SNS (em príncipio) está lá. E sem o risco de nos cancelar a cobertura no ano seguinte.

          Um aparte, tendo por base a última frase do parágrafo anterior: os seguros de saúde deveriam, por lei, ser vitalícios após subscrição, salvo cancelamento por falta de pagamento. E o agravamento dos prémios (após subscrição) deveria estar contratualizado até ao final do contrato e ser função única e exclusivamente da idade (i.e. aumenta “x” com cada ano ou escalão étario – o que aumenta poderia variar de pessoa para pessoa, de acordo com a avalição de risco efectuada pela seguradora).

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