Nos 200 anos de Chopin (I)


Pedro Correia,

20 comentários em “Nos 200 anos de Chopin (I)”

  1. O filme é um espanto. E Chopin, irrepetível. Nenhum alemão ou austríaco jamais poderiam compor assim, com tamanho sentido belo da tristeza.
    (Desde que conheci a Polónia e os polacos, gosto de dizer que somos parecidos em muita coisa, e somos mesmo).

    1. O que mais admiro nos polacos é a coragem e o estoicismo que têm demonstrado sempre ao longo da História. Têm a fibra dos sobreviventes. E não reconheço essas qualidades como as que possam definir-nos, Chloé. Claro que, comparados com eles, temos sido muito poupados ao martírio para poder demonstrá-las…
      Mas acho que percebo o que quer dizer: no sentido do belo – sempre associado à nostalgia e à tristeza – somos de facto parecidos.

      1. Acho que é isso que a Chloé quer dizer. Porque a verdade é que, ao contrário dos polacos, nunca fomos mártires das nações poderosas (com excepção de Espanha, mas com certa brandura durante os dois primeiros Filipes).

      2. De facto eu falava numa pincelada geral e não nas provações dos jugos (agora sim..) a que foram sujeitos. Também não quero reclamar particular conhecimento deste povo, mas o que é certo é que percorri boa parte da Polónia e convivi com bastantes polacos. Até temos em comum o mar e as canções sobre a perda e os que não voltam. Ninguém se lembraria logo do mar quando pensa na Polónia, não é? Mas esta coincidência foi-me apontada por uns polacos em Swinoujscie , na região de Wolin , que inacreditavelmente sabiam bastante sobre Portugal e o fado.
        São um povo discreto e introvertido, hospitaleiro, sem grande culto do ego e muito espiritual (ou, se preferirem, muito sentimental).
        Cultivam a poesia ( assisti a um número de declamações num bar nocturno, imagine-se, não percebíamos nada da língua mas ninguém piou, porque só o tom chegava).
        Também são uns bons copofónicos , Nasdrovia é o brinde…
        Como viajei em trabalho, posso afinçar finalmente que nessa matéria é que não são parecidos com o cromo português. Pontuais, organizados e cumpridores – suspeito que foi a herança da escola soviética que os entortou 🙂
        Volto portanto à minha: Chopin era um polaco total, e eu só percebi isso depois de lá ter estado.

        1. Nesse caso, Chloé, tem muito mais conhecimento de causa do que eu, que conheço muito pouco da Polónia e não tive esse convívio tão prolongado e directo. Mas concordo com as afinidades que aponta entre os dois povos: discretos, introvertidos e hospitaleiros. Nessas (e na “copofonia”…) revejo-nos, de facto.
          🙂

          1. Também gosto muito da Polónia, dos polacos e da cultura polaca. Senti uma comoção imensa ao visitar o local de Varsóvia, junto à Cidade Velha, onde existiu o gueto judeu. Senti uma emoção indescritível ao conhecer Auschwitz, onde se viveu o inferno na terra. Adorei conhecer Gdansk – a antiga Dantzig, à beira-Báltico, onde se respira história. Adorei conhecer Cracóvia, uma das mais belas cidades da Europa.

            E adorei este filme do Polanski.

          2. Também estive no gueto judeu. É uma emoção muito especial, apetece fazer uma vénia imaginária em sinal de respeito profundo. Visitei igrejas até dizer chega (eles adoram mostrá-las). E achei os antiquários ou velharias uma tentação.
            Enfim, da Polónia só trouxe uma única mágoa: a comida. Nunca vi quem tanto gostasse de oferecer arenque cru, sopa de peixe e iguarias de aspecto e aroma duvidoso, que sujeitavam a duras provas os sagrados princípios de boa educação dos comensais 🙂

          3. Mal me lembro do que lá comi, o que deve significar que nada achei de especial. Mas senti emoções muito fortes na Polónia, nomeadamente ao visitar os antigos estaleiros Leinine, em Gdansk, onde começou a queda do comunismo em 1980, com a revolta da classe operária (Marx tinha razão) liderada por Walesa.

    1. Obrigado, Ariel. Também achei belíssimo o filme do Polanski, que me tocou profundamente: jamais esquecerei a cena que trago aqui. Creio ser uma das melhores formas de assinalarmos hoje o bicentenário de Chopin, um compositor de que sempre gostei (e um virtuoso do piano).

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