O filme é um espanto. E Chopin, irrepetível. Nenhum alemão ou austríaco jamais poderiam compor assim, com tamanho sentido belo da tristeza. (Desde que conheci a Polónia e os polacos, gosto de dizer que somos parecidos em muita coisa, e somos mesmo).
O que mais admiro nos polacos é a coragem e o estoicismo que têm demonstrado sempre ao longo da História. Têm a fibra dos sobreviventes. E não reconheço essas qualidades como as que possam definir-nos, Chloé. Claro que, comparados com eles, temos sido muito poupados ao martírio para poder demonstrá-las… Mas acho que percebo o que quer dizer: no sentido do belo – sempre associado à nostalgia e à tristeza – somos de facto parecidos.
Acho que é isso que a Chloé quer dizer. Porque a verdade é que, ao contrário dos polacos, nunca fomos mártires das nações poderosas (com excepção de Espanha, mas com certa brandura durante os dois primeiros Filipes).
De facto eu falava numa pincelada geral e não nas provações dos jugos (agora sim..) a que foram sujeitos. Também não quero reclamar particular conhecimento deste povo, mas o que é certo é que percorri boa parte da Polónia e convivi com bastantes polacos. Até temos em comum o mar e as canções sobre a perda e os que não voltam. Ninguém se lembraria logo do mar quando pensa na Polónia, não é? Mas esta coincidência foi-me apontada por uns polacos em Swinoujscie , na região de Wolin , que inacreditavelmente sabiam bastante sobre Portugal e o fado. São um povo discreto e introvertido, hospitaleiro, sem grande culto do ego e muito espiritual (ou, se preferirem, muito sentimental). Cultivam a poesia ( assisti a um número de declamações num bar nocturno, imagine-se, não percebíamos nada da língua mas ninguém piou, porque só o tom chegava). Também são uns bons copofónicos , Nasdrovia é o brinde… Como viajei em trabalho, posso afinçar finalmente que nessa matéria é que não são parecidos com o cromo português. Pontuais, organizados e cumpridores – suspeito que foi a herança da escola soviética que os entortou 🙂 Volto portanto à minha: Chopin era um polaco total, e eu só percebi isso depois de lá ter estado.
Nesse caso, Chloé, tem muito mais conhecimento de causa do que eu, que conheço muito pouco da Polónia e não tive esse convívio tão prolongado e directo. Mas concordo com as afinidades que aponta entre os dois povos: discretos, introvertidos e hospitaleiros. Nessas (e na “copofonia”…) revejo-nos, de facto. 🙂
Também gosto muito da Polónia, dos polacos e da cultura polaca. Senti uma comoção imensa ao visitar o local de Varsóvia, junto à Cidade Velha, onde existiu o gueto judeu. Senti uma emoção indescritível ao conhecer Auschwitz, onde se viveu o inferno na terra. Adorei conhecer Gdansk – a antiga Dantzig, à beira-Báltico, onde se respira história. Adorei conhecer Cracóvia, uma das mais belas cidades da Europa.
E adorei este filme do Polanski.
Também estive no gueto judeu. É uma emoção muito especial, apetece fazer uma vénia imaginária em sinal de respeito profundo. Visitei igrejas até dizer chega (eles adoram mostrá-las). E achei os antiquários ou velharias uma tentação. Enfim, da Polónia só trouxe uma única mágoa: a comida. Nunca vi quem tanto gostasse de oferecer arenque cru, sopa de peixe e iguarias de aspecto e aroma duvidoso, que sujeitavam a duras provas os sagrados princípios de boa educação dos comensais 🙂
Mal me lembro do que lá comi, o que deve significar que nada achei de especial. Mas senti emoções muito fortes na Polónia, nomeadamente ao visitar os antigos estaleiros Leinine, em Gdansk, onde começou a queda do comunismo em 1980, com a revolta da classe operária (Marx tinha razão) liderada por Walesa.
Excelente escolha para esta dupla homenagem, a Chopin e a Szpilman . O filme de Polanski é belissimo.
Obrigado, Ariel. Também achei belíssimo o filme do Polanski, que me tocou profundamente: jamais esquecerei a cena que trago aqui. Creio ser uma das melhores formas de assinalarmos hoje o bicentenário de Chopin, um compositor de que sempre gostei (e um virtuoso do piano).
Eu também gosto muito dos violinos de Chopin…
O Pedro poderia ter a gentileza de colocar neste blogue um linque para aquele no qual escrevo, o Speakers’ Corner.
Quites. Está retribuído.
Ainda ha 2 dias, como deve ter reparado, fizemos aqui uma ligaçao directa ao seu blogue.
Ou a relatividade das coisas: a melhor arte por uma lata de feijões. Esta cena vale o filme.
Uma das mais comoventes cenas de sempre do cinema. Adorei o filme de Polanski – e esta cena em particular.
O filme é um espanto. E Chopin, irrepetível. Nenhum alemão ou austríaco jamais poderiam compor assim, com tamanho sentido belo da tristeza.
(Desde que conheci a Polónia e os polacos, gosto de dizer que somos parecidos em muita coisa, e somos mesmo).
O que mais admiro nos polacos é a coragem e o estoicismo que têm demonstrado sempre ao longo da História. Têm a fibra dos sobreviventes. E não reconheço essas qualidades como as que possam definir-nos, Chloé. Claro que, comparados com eles, temos sido muito poupados ao martírio para poder demonstrá-las…
Mas acho que percebo o que quer dizer: no sentido do belo – sempre associado à nostalgia e à tristeza – somos de facto parecidos.
Acho que é isso que a Chloé quer dizer. Porque a verdade é que, ao contrário dos polacos, nunca fomos mártires das nações poderosas (com excepção de Espanha, mas com certa brandura durante os dois primeiros Filipes).
De facto eu falava numa pincelada geral e não nas provações dos jugos (agora sim..) a que foram sujeitos. Também não quero reclamar particular conhecimento deste povo, mas o que é certo é que percorri boa parte da Polónia e convivi com bastantes polacos. Até temos em comum o mar e as canções sobre a perda e os que não voltam. Ninguém se lembraria logo do mar quando pensa na Polónia, não é? Mas esta coincidência foi-me apontada por uns polacos em Swinoujscie , na região de Wolin , que inacreditavelmente sabiam bastante sobre Portugal e o fado.
São um povo discreto e introvertido, hospitaleiro, sem grande culto do ego e muito espiritual (ou, se preferirem, muito sentimental).
Cultivam a poesia ( assisti a um número de declamações num bar nocturno, imagine-se, não percebíamos nada da língua mas ninguém piou, porque só o tom chegava).
Também são uns bons copofónicos , Nasdrovia é o brinde…
Como viajei em trabalho, posso afinçar finalmente que nessa matéria é que não são parecidos com o cromo português. Pontuais, organizados e cumpridores – suspeito que foi a herança da escola soviética que os entortou 🙂
Volto portanto à minha: Chopin era um polaco total, e eu só percebi isso depois de lá ter estado.
Nesse caso, Chloé, tem muito mais conhecimento de causa do que eu, que conheço muito pouco da Polónia e não tive esse convívio tão prolongado e directo. Mas concordo com as afinidades que aponta entre os dois povos: discretos, introvertidos e hospitaleiros. Nessas (e na “copofonia”…) revejo-nos, de facto.
🙂
Também gosto muito da Polónia, dos polacos e da cultura polaca. Senti uma comoção imensa ao visitar o local de Varsóvia, junto à Cidade Velha, onde existiu o gueto judeu. Senti uma emoção indescritível ao conhecer Auschwitz, onde se viveu o inferno na terra. Adorei conhecer Gdansk – a antiga Dantzig, à beira-Báltico, onde se respira história. Adorei conhecer Cracóvia, uma das mais belas cidades da Europa.
E adorei este filme do Polanski.
Também estive no gueto judeu. É uma emoção muito especial, apetece fazer uma vénia imaginária em sinal de respeito profundo. Visitei igrejas até dizer chega (eles adoram mostrá-las). E achei os antiquários ou velharias uma tentação.
Enfim, da Polónia só trouxe uma única mágoa: a comida. Nunca vi quem tanto gostasse de oferecer arenque cru, sopa de peixe e iguarias de aspecto e aroma duvidoso, que sujeitavam a duras provas os sagrados princípios de boa educação dos comensais 🙂
Mal me lembro do que lá comi, o que deve significar que nada achei de especial. Mas senti emoções muito fortes na Polónia, nomeadamente ao visitar os antigos estaleiros Leinine, em Gdansk, onde começou a queda do comunismo em 1980, com a revolta da classe operária (Marx tinha razão) liderada por Walesa.
Excelente escolha para esta dupla homenagem, a Chopin e a Szpilman . O filme de Polanski é belissimo.
Obrigado, Ariel. Também achei belíssimo o filme do Polanski, que me tocou profundamente: jamais esquecerei a cena que trago aqui. Creio ser uma das melhores formas de assinalarmos hoje o bicentenário de Chopin, um compositor de que sempre gostei (e um virtuoso do piano).
Cena inesquecível.
Comovente, Teresa. Comovente como poucas.
Outro que vai “passar”no meu blogue brevemente Pedro.
Óptimo, Pedro.