Depois das estações de metro, os teatros. É certo que as obras de manutenção de um edifício como o Teatro Tivoli, dados os custos envolvidos, provavelmente, só desta forma poderiam acontecer. O pai adoptivo UAU e o padrinho BBVA estão, com certeza, muito satisfeitos. Mas acrescentar um apelido destes soa tão estranho… E ainda bem que optaram pela sigla. Teatro Tivoli Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, embora certamente mais imponente, seria ridículo. Eu não dei pela cerimónia de aspersão mas deve ter sido muito discreta.
Nome emprestado e a prazo
Ana Lima,

É um fenómeno já comum no desporto, e ninguém se queixa.
Por exemplo, temos o estádio de futebol de Braga, nomeado Estádio AXA (da companhia de seguros).
E temos diversas equipas de ciclismo que têm o nome de empresas patrocinadoras.
É um fenómeno comum no desporto, sim. Mas eu queixo-me. 🙂
Estive a ler a notícia. Para não variar, parece que a coisa esteve “em cima da mesa”. A limitação do léxico jornalístico começa a ser aflitiva.
É rebaptizá-los, Ana…
E o que é que lhes chamaríamos, “mudança de paradigma”? 🙂
Ou a famigerada ‘janela de oportunidade’, sempre escancarada?
É que já não se aguenta… fico com vontade de os “despoletar” a todos!
Tempo, demos tempo ao tempo.
Um dia, poderá passar a Teatro Tivoli 北京.
Tivoli Pequim.
Pois, isto de rebaptizar edifícios, basta começar…
…fazer casa de penhores, o que foi viveiro de amores, é ideia que não cabe cá nas minhas…
É melhor começarmos a conviver com estas ideias porque estes não serão casos isolados.
Percebo-te, mas é muito preferível este mecenato de bancos e empresas do que ver degradar, apodrecer e cair espaços culturais em Lisboa. Como o antigo cinema Paris, hoje pasto de ratazanas, na Domingos Sequeira, o antigo cineteatro Odeon, ali nas Portas de Santo Antão, a ameaçar derrocada a todo o momento, o ex-cinema Europa, em Campo de Ourique, que acaba de ser vítima do camartelo, ou os teatros do Parque Mayer, para não falar no Vasco Santana, que estava na Feira Popular, e tantos tantos tantos outros nesta cidade que aos poucos vai perdendo a memória.
Esses exemplos são muito tristes. Ainda no fim-de-semana passei em Campo de Ourique e fiquei a olhar o sítio do Europa. Fica tão estranho…
Eu concordo em absoluto com o mecenato. Mas penso que poderiam colocar uma placa durante as obras e outra após a explicar o contributo do mecenas, bem como outro tipo de campanhas que desse visibilidade à operação. Não vejo que seja necessária a alteração do nome. Parece-me que, em Itália, na obra do Coliseu de Roma, financiada pela Tod´s, e que levantou tanta polémica, não se atreveram a tanto…