Noite de São João


Pedro Correia,

 

Fabulosa noite de São João. Tavira inteira parece estar na rua: largas centenas de pessoas concentram-se na Praça da República vendo desfilar as marchas. Habitantes locais, algarvios de outras paragens e turistas das mais diversas proveniências cruzam-se nas rotas amenas destas ruas. Há arraiais, uns mais organizados outros mais espontâneos. Assam-se sardinhas. As esplanadas abarrotam de gente que há meses ansiava por jantar ao ar livre.

Como uns saborosos camarões grelhados num restaurante junto ao rio. Do som da televisão chega-me a voz do primeiro-ministro, que vem agora defender a instalação de portagens nas sete auto-estradas “sem custo para o utilizador” (SCUT). Mas ressalvando que os “residentes” (residentes onde?) e os “utilizadores regulares” (com que regularidade?) ficarão isentos do pagamento, o que tresanda a monumental trapalhada. Trocando por miúdos: mais uma bandeira eleitoral que deu maioria absoluta ao Partido Socialista em 2005 acaba de ser rasgada com a mesma ligeireza e a mesma irresponsabilidade com que foi lançada. A sigla terá forçosamente de mudar: passará a ser CCUT (com custos para o utilizador).

Desinteresso-me rapidamente do telediário, concentrando-me na paisagem que tenho à minha frente. Por mais vezes que aqui venha, não me canso de contemplar este rio, hoje iluminado por uma lua quase cheia. Chega-me ao longe o som dos arraiais que não tarda a sobrepor-se ao da televisão. Os camarões estão óptimos. O Governo é péssimo, mas isso agora não me interessa nada.

8 comentários em “Noite de São João”

  1. Enquanto andas de férias por tavira, puseram o Pinho do Allgarve a chefiar o conselho de administração da fundação Szene-Arpad-Vieira da Silva. Suponho que a recompensá-lo por ter demolido a casa do Garrett…

  2. Meu caro,

    “O Governo é péssimo, mas isso agora não me interessa nada.”

    Alheie-se disso e vá descansar. Não vale a pena. Boa foto…

    Melhores desejos de boas vacaciones,

  3. Pois é. É curioso ver que o famoso principio do utilizador/pagador de repente passa a ser o do utilizador eventual ou esporádico/pagador.

    Ou seja contra o principio da solidariedade (que devia ser o defendido por um governo dito socialista) passa a opor-se o principio da territorialidade, ou coisa parecida: os cá da terra não pagam, só pagam os turistas.

    Os americanos é que têm uma expressão boa para este tipo de decisões e raciocínios: “they have their heads too far up their asses”.

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