Noite de equívocos


Rui Rocha,

Ouvi, na rádio, apenas uma parte da declaração ao país de José Sócrates e a totalidade da intervenção de Eduardo Catroga. Ouvi um ou dois comentários, também na rádio, logo a seguir às intervenções. Não acompanhei qualquer debate ou comentário na televisão. Acabo de dar uma volta pelos blogues do “costume”. Posso ter perdido alguma informação relevante e não fui influenciado pelas centenas de opiniões que, admito, já terão sido emitidas nos meios de comunicação social. A impressão com que fico é que José Sócrates esteve muito mal esta noite. Na actual situação, uma intervenção em que não se diz aos portugueses praticamente nada sobre o que vai acontecer, é uma tremenda falta de respeito. Sócrates optou claramente pela politiquice e pelo eleitoralismo. Deixar os portugueses suspensos por mais umas horas, na tentativa de marcar pontos eleitorais, é uma maldade sem nome, própria de quem não vê para lá do seu umbigo. Por isso mesmo, a resposta do PSD falhou completamente o alvo. Catroga exprimiu-se mal. E não disse o que devia. Tentar colher louros e imputar uma derrota a Sócrates quando ainda não se conhecem as medidas equivale a tentar caminhar sobre a água. Na falta de dados para uma avaliação técnica, o único comentário pertinente era político. E este só podia ser no sentido de salientar a falta de respeito de Sócrates que já referi. Neste momento, enquanto não se abre a caixa de pandora, a conclusão provisória só pode ser uma de duas: ou estamos perante mais uma farsa protagonizada por Sócrates (se as medidas ou condições da ajuda não tiverem a suavidade que este pretendeu atribuir-lhes), ou é completamente incompreensível que Sócrates tenha adiado por tanto tempo o pedido de auxílio externo. Em todo o caso, a intervenção do Primeiro-Ministro tem o efeito de eliminar qualquer imputação de responsabilidade ao PSD pela não aprovação do PEC IV. Se o pacote de ajuda é assim tão favorável, com juros razoáveis, o PSD fez muito bem. Se não é, a encenação de Sócrates é de tal maneira condenável que anula qualquer outro juízo de valor negativo. Uma coisa é certa. Os pavões de S. Bento fazem muito mais barulho do que Teixeira dos Santos.

14 comentários em “Noite de equívocos”

  1. A paranóia anti-socrática continua. A comunicação do primeiro ministro serviu para desmentir algumas das baboseiras que circulavam sobre as medidas que a Troika ia impôr e que preocupavam os portugueses. Fez mal? Faltou ao respeito a alguém? Faltas de respeito, insinuações sujas, ofensas descabeladas, está ele a sofrer quase diariamente há seis anos a esta parte. O vosso problema é que ele não verga.

    1. A paranóia está do lado de quem defende contra toda a evidência um Primeiro-Ministro arrogante, incompetente e que, ao longo dos últimos meses geriu o país como um brinquedo. Ao sabor dos interesses da sua agenda política. Os dados do desemprego, da dívida pública, os défices, os cortes nos salários e nas pensões, o aumento de impostos, a diminuição dos níveis de protecção social, a recessão que se prolongará para os próximos anos, não foram obra de qualquer comentador ressabiado e parcial. Têm um nome. O do Primeiro-Ministro que, em 2009, em plena campanha eleitoral, aumentou os funcionários públicos e diminuiu o IVA. Cada um defende o que quer, mas não é difícil perceber onde está a paranóia.

    2. … A desonra deste PM… vem de longe… de muito longe… para aqui chegar: -” Jamais governarei com o FMI”… Palavras para quê… é um artista portuguûes!!!

  2. O especulador e catastrofista Sócrates (palavras dele) devia ser preso por ter pintado o FMI das cores do diabo. Borrou-se alarvemente na própria pintura. Quanto ao acompanhante, e com o devido respeito pela pessoa real, só pode ter-se tratado de uma figura recuperada do banido contra-informção “. Custa a crer que a tirania possa atingir tal grau de violência sanguinária e falta de pudor. Penoso de ver.

    1. O psicodrama a que os portugueses foram submetidos por José Sócrates ao longo do último ano e as taxas de juro que o país teve que pagar pela sua exclusiva teimosia e incompetência são algo de absolutamente inaceitável, Amarques.

  3. Basta lê-lo, basta lê-los, basta ouvir a vossa cassete, para saber onde está a paranóia. Quero, no entanto, lembrar-lhe, educadamente, que o meu comentário foi ao seu comentário sobre a comunicação do primeiro ministro a desmentir as baboseiras que circulavam na comunicação social direitinha. Só isso!

  4. De acordo. Excepto num ponto: Sócrates não esteve mal. Sendo exímio no que chamou “politiquice” e “eleitoralismo”, e como muitos portugueses parecem não conseguir raciocinar para além desses níveis, a comunicação dele foi eficaz. Já Catroga esteve mal (claramente, não é um político mas um técnico tentando fazer política).

    1. Sim, Jaa. Posso admitir que a comunicação fosse eficaz se partirmos do princípio da falta de espírito crítico de parte da opinião pública. O ter estado mal era uma avaliação que não se dirigia à eficácia, mas à correcção da atitude.

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