
Um dos melhores conselhos, em matéria de técnica de escrita, foi dado certa vez pelo escritor e pedagogo colombiano Tomás Rueda ao jovem Eduardo Caballero Calderón, que na década de 30 do século XX ensaiava os primeiros passos na literatura.
Disse-lhe o mestre: “No trates de escribir bonito. No dejes que se te vea la gramática.”
É um conselho que vale para todas as épocas, para todas as latitudes. A escrita tem muito de pessoal. Tem de irromper sem artifícios. Límpida como a de Borges, depurada como a de Pessoa, torrencial como a de Kerouac. Mas sem pomposidades, sem adstringências.
O estilo diz tudo sobre o seu autor.
Para escreveres bem, evita as frases feitas, as frases batidas, as frases de efeito fácil mas vazias de conteúdo.
Arruma as ideias, escreve como pensas, desvenda-te em cada parágrafo.
Assimila as regras gramaticais evitando sempre a prosa canhestra de mestre-escola.
Escrever é isto.

Actualmente a frase feita é “a espuma dos dias”. Não sei onde começou mas é praga.
Eu ando a coleccionar frases dessas. Algumas, já as vomitei. “Em cima da mesa”, por exemplo.
Com as suas variantes. “Dar um murro na mesa” é a mais vulgar. Que mal terá feito a mesa para todos lhe quererem dar murros?
Charles Bukowski era exactamente da mesma opinião. Embora não saiba se Bukowski poderia ter escrito de outra forma tendo em conta a vida que levou.
https://youtu.be/MTPxWkBgW6U
Dificilmente escreveria de outra forma. Se há mérito que não lhe pode ser negado é o da autenticidade.
Pero no es nada fácil…
🌻
Maria
Quanto mais fácil parece, mais difícil se torna. Quem pensar o contrário, anda em contramão. E vai esbarrar-se.
Boas sugestões e bons conselhos,escrever é isso mesmo,é isso tudo que dizes,acima de tudo,devemos de escrever com o que nos dita o nosso coração!!
Há que ler muito, antes de tudo e acima de tudo.
Quanto a livros,oh pah,só se forem livros de poesia ou,então,livros para crianças!! Eu sou uma rapariga de 34anos super adulta,no entanto,no que diz respeito a livros,não sou lá grande fã de leituras,prefiro ouvir música e também ver televisão!! Bom dia de quinta-feira para ti,muitos beijinhos e até breve!!
Para quem escreve, ou pretende escrever, os conselhos ministrados foram deveras úteis; assim o jovem Eduardo Caballero Calderón os tenha seguido para regalo dos seus leitores porque nunca li nada dele.

É dever de quem escreve pelo devido respeito a quem faz o favor de o ler, ser impecavelmente claro e perfeito no seu descritivo. Quer em livro ou blogue.
Cingindo-me ao blogue, que seguramente é poiso onde as ganas escrevinhadoras da malta espoletam através de comentários, a exigência de todos serem impecáveis gramaticistas não se põe. A meu ver nem se coaduna com o espírito da coisa. Pelo menos neste blogue, mais especificamente quando é o Pedro Correia autor do artigo.
Não que não se sirva de um excelente descritivo e impecável gramática, mas se exigisse seriedade gramatical dos seus leitores como poderia utilizar termos de inigualável grandiosidade, tais como asnónimos, croquetes, lampiões, toupeiral e por aí adiante.
Olhe! por mim vai como calha. Não escrevi escorreitinho comme il faut? Paciência, foi porque não calhou. E se não calhou, calhasse, ora essa.
Vai contra os meus princípios concordar com um benfiquista, mas hoje vou prevaricar. Só hoje.
Também acho que a clareza é fundamental, sobretudo, neste tempo de susceptibilidades e equívocos, em que toda a gente lê o que não está escrito ou pior leva tudo à letra.
E acho óptimo o conselho do post. A dificuldade está em conseguir segui-lo.
Subscrevo por inteiro o seu primeiro parágrafo, Isabel.
Ah! muito obrigado, simpática senhora. Estou encantado.
Benfiquista! muito bem. Não se enganou nadinha. E um benfiquista bom.
Nem nunca bati na mulher por o Benfica perder, nem nada. Vá, que também não posso atribuir-me grande mérito pelo feito já que o Glorioso perder é coisa rara, quase impossível de acontecer.
Por aqui se vê a diferença de trato entre uma senhora sportinguista e um adepto esverdeado, intratável por 18 anos de seca. Se fosse o Pedro Correia plantava logo: concordo contigo; ó lampião toupeirado.
Enfim, haja simpatia e humor que o bicho mais cedo ou mais tarde, – agora que se vê derrotado em várias frentes, – elege um general tipo Bruno de Carvalho que num ápice os doutrina ao suicídio colectivo.
Cumprimentos e votos de excelente saúde
Sportinguista? Não, credo. Não me rogue pragas, que começo a deitar fogo pela boca. Nem benfiquista, nem sportinguista, sou do Porto. O bom trato vem da elevação do azul.
Na verdade, não ligo ‘nenhuma’ aos futebóis há muitos anos. Desde que todas as questiúnculas que o cercam passaram a assunto principal das televisões e do País. Mas em nome da antiga devoção, de quem sabe as regras do jogo e chegou a ir ver alguns jogos às Antas e ao Dragão, há que repor a verdade: nada de ‘lagartices’, portista sempre, das que chorou baba e ranho de alegria em 1987 na final Porto-Bayern.
Um dia bom e Saúde.
Bom-dia, senhora Isabel Paulos. Na disposição, já que de dia bom não tem nada.
Congratulo-me, – moderadamente – optar por uma cor um pouco menos deprimente, mas congratular-me-ia vivamente se a tonalidade escolhida fosse a flamejante cor encarnada.
Mas pronto, também não está mal.
Por acaso penso um pouco diferente. Acho que me divirto incomparavelmente mais com as questiúnculas plantadas em directo por Aníbal Pinto, André Ventura, Calado, entre outros fazedores do ridículo humano, do que ver os imortais Charlot e Buster Keaton.
Confesso que têm sido uns tempos muito deprimentes sem os inefáveis senhores.
Mas como o futebol vai voltar, o circo vai retomar.
Um bom fim-de-semana e excelente saúde.
Vou ter de registar algumas patentes em matéria de neologismos. Asnónimos, desde logo.
Eu diria antes que a escrita de Pessoa é natural: tem a voz de como se falava educadamente.
A escrita de Pessoa é muito trabalhada. A tal ponto que parecia natural sem o ser.
Como o fingimento dele, revelado naquela célebre quadra.
Saint German des Prés, ora essa.
Pergunte ao Boris…
JSP
Não ao Johnson, nada de confusões.
Que (a propósito) hoje voltou a ser notícia: oris-johnson-baby-carrie-symonds-gbr-int l/index.html
https://edition.cnn.com/2020/04/29/uk/b
Não recordo quem disse “não gosto de textos de que se vêem os encanamentos”…
Muito bem dito, Luís.
(Parabéns pelo livro, que merece um elogio muito sincero: espero escrever sobre ele em breve.)