No reino dos eufemismos


Pedro Correia,

 

Acabo de ouvir num canal televisivo que uma determinada empresa construtora “rescindiu com 300 colaboradores”. Está tudo errado nesta frase. No espírito e na letra. O mundo laboral parece ter sido liofilizado no discurso jornalístico corrente. Como se a palavra trabalho queimasse. Como se trabalhar fosse algo indigno. Como se um trabalhador devesse ocultar esta sua condição numa sociedade – e num continente inteiro, como bem revelam as estatísticas europeias – onde um posto de trabalho é um bem cada vez mais escasso.

Trabalho, palavra bíblica. “Bem basta a cada dia o seu trabalho”, diz Jesus no Sermão da Montanha. Reescrita à luz da novilíngua dominante, quem trabalha deixou de ser trabalhador: é “funcionário” ou, de modo ainda mais eufemístico, “colaborador”. Pela mesma lógica, não pode ser despedido mas “dispensado”. Ou, de modo ainda mais eufemístico, alguma Alta Entidade da corporação empresarial “prescinde” dos seus serviços. Ou da sua colaboração.

Sempre me ensinaram que o discurso jornalístico, para ser eficaz e competente, devia descodificar todo o jargão encriptado, que obscurece a mensagem em vez de a tornar transparente. Nos dias que correm, sucede precisamente ao contrário: o jornalismo abdica demasiadas vezes de clarificar a mensagem, obscurecendo-a por cumplicidade activa com as “fontes” ou por mera preguiça intelectual.

No reino dos eufemismos, não se trabalha: “colabora-se”. E ninguém é despedido: há apenas quem “cesse funções” ou veja os seus préstimos “prescindidos” por alguma entidade empregadora em fase de “reestruturação” ou “reavaliação” das potencialidades do mercado. Mas as coisas são o que são, mesmo que as palavras ardilosas procurem camuflar uma realidade nua e crua.

A empresa construtora despediu 300 trabalhadores. Assim mesmo, ponto final. A realidade, só por si, já é suficientemente dura. Não juntemos ao drama do despedimento a injúria de ver esta palavra banida do dicionário jornalístico quando está mais presente que nunca na vida real.

60 comentários em “No reino dos eufemismos”

  1. Faz parte da cumplicidade entre o jornalista e as suas fontes. Se a empresa publica um comunicado a dizer que “rescindou” com os “colaboradores”, o jornalista, para não ofender a fonte – que, ao fim e ao cabo, é uma grande e importante empresa -, repete os eufemismos utilizados por esta.
    Ademais, o jornalista evita desta forma investigar o assunto. O “colaborador” não estaria necessariamente ligado à empresa por um contrato de trabalho, mas eventualmente apenas por um contrato de prestação de serviços. Ou seja, poderia ser um “recibo verde” e não um genuíno trabalhador do quadro da empresa. O jornalista, para evitar o trabalho de estar a investigar a natureza exata do contrato de “colaboração”, limita-se a reproduzir o que a empresa comunicou.

    1. Admito que isso suceda pelo motivo que indica na maior parte dos casos, o que não serve de atenuante mas de agravante pois essa prática nada tem de jornalismo: para tal efeito qualquer porta-voz empresarial serve.

      1. Caro Pedro Correia, permita-me tratá-lo por caro apesar de não nos conhecermos. Na realidade o seu texto está excelentemente extruturado, assim como a ideia que procura passar. Mas há também uma leitura que deve ser feita através da excelente imagem que publica neste seu post. Na realidade, ao olhar para a foto do homem carregando a pedra para o topo da montanha, ocorreu-me de imediato o mito de Sísifo. Sísifo, filho de Éolo e fundador de Corinto, condenado pelos juízes dos infernos (talvez aqui se inclua a Merkel e tantos outros. O nosso Passos, aparentemente, quer ir mais longe) a empurrar um rochedo para o alto de uma colina, para dali o precipitar para o outro lado, mas esta (a pedra) voltava sempre a rolar pela mesma encosta até ao ponto de partida. Este mito tornou-se, em todas as literaturas, o símbolo de uma tarefa árdua, sempre renovada e jamais realizada. Tudo isto para dizer que a foto que publicou, para mim, é o mais belo texto que podia ser redigido.

        1. Agradeço as suas palavras elogiosas, caro Anónimo. Não sei se costuma visitar este blogue. Mas, não sendo esse o caso, fica desde já convidado a visitá-lo regularmente.

          1. Fico grato pelo seu convite, assim acontecerá. Apresento as minhas desculpas pelo erro no meu comentário. Onde está “extruturado” deve ler-se estruturado. Este erro deveu-se à proximidade da letra X e da letra S no teclado. Bem haja.

    2. Naturalmente por ter medo der ser ele o próximo rescindido.

      A principio foram os judeus, depois os polacos, a seguir o meu vizinho. Quando me tocaram à porta já não tinha ninguém em quem me apoiar.

      A história quando se repete, é com a tragédia que nos bate à porta.

  2. Concordo em absoluto. As palavras contam. Este tipo de conjugação, por exemplo, ajuda a consolidar a ideia de que falar em luta de classes não faz sentido.

    Afinal, um colaborador é um par, não um subordinado. E nesta lógica a relação empregador/colaborador é uma mera justaposição de interesses comuns entre duas entidades igualmente livres.

    Chamar colaborador escamoteia a assimetria de poder que a relação patrão/trabalhador encerra, com que é no fundo o cerne da luta de classes.

    Mas, agora pergunto, se os colaboradores dos jornais começam a usar uma linguagem que não agrada aos seus patrões, o que é que os espera?

    1. As palavras contam, exactamente. E têm um significado muito preciso, como os jornalistas devem saber. Trabalhador é trabalhador, funcionário é funcionário, colaborador é colaborador. Cabe ao jornalismo competente aplicar a palavra mais rigorosa a cada situação, sem escamotear a realidade.

  3. Concordo completamente Pedro. Só que essa denominação parece ter apenas um sentido. Já que ninguém anda à “procura de colaboração”, quando muito de emprego…

    E amanhã, o que vamos ter são mais 300 desempregados (ou seja mais trezentos que foram despedidos do trabalho), nos, por enquanto, Centros de Emprego.
    A não ser que passem à denominação yuppie de “Centros da Colaboração”, ou “Incolaboração”! Ou será “Descolaboração”….

    Ai esta “yuppagem”, que está a precisar de uma vassourada…

    1. Há um filme recente, intitulado ‘Nas Nuvens’, que descreve bem essa triste realidade dos nossos dias. Com o George Clooney no papel principal. É um filme sobre o mundo do trabalho e as dramáticas consequências do desemprego – algo raro na arte contemporânea, que parece fugir desse tema como o diabo da cruz. Curiosamente, no ano em que se celebra o 150º aniversário do lançamento d’ «Os Miseráveis», de Victor Hugo.

  4. Muito bom.
    Não digo excelente, porque não quero diminuir o elogio!
    Também hoje em dia “excelente” tornou-se tão vulgar que um “muito bom” já lhe é superior.

    1. Tem toda a razão quanto à banalização dos superlativos. Já escrevi aqui sobre isso e voltarei a escrever, pois o tema não se esgota. Num mundo em que tudo parece “genial” ou “excepcional”.
      Agradeço as suas palavras.

  5. Concordo com a defesa do texto claro. Por outro lado, sentindo-se o autor deste post como um Sísifo, chamo a atenção para a falta de exactidão da sua representação dessa personagem, não há homem que consiga empurrar um pedra daquele tamanho por uma ladeira com aquela inclinação, teria que antes acarretar muita areia para ter um plano inclinado abordável. Devemos ser exactos nos textos mas também nas imagens.

    1. A propósito de eufemismos, acabo de ouvir o Helder Postiga dizer este autêntico colar de pérolas, Zé: «O jogo contra a Macedónia não foi o mais bem sucedido da selecção.»

  6. RP e ou preguiça em tudo. É mais fácil fazer copy paste das palavras que vêm no documento da empresa.

    Aqui está mais um exemplo de asneira grossa no título que mais uma vez não liga com o texto.
    Quando se fala voltar aos mercados” é o mercado da dívida e não foi de isso de que Cavaco falou, nem sequer usou “voltar” ou seja onde se esteve no passado :

    http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/cavaco-para-voltar-aos-mercados-portugal-tem-de-deixar-os-sofas-de-lisboa

  7. Gostei bastante deste seu artigo. Trata um tema actual, de forma simples, directa e bastante interessante. Tudo o que é necessário para um bom artigo. Curiosamente, este tema é transversal a todas as filosofias económicas e a todas as sociedades. Como simples exemplo, posso-lhe dizer que, quando morreu o Samora Machel , o governo moçambicano, que tinha uma “economia centralizada” copiada da URSS, fez publicar um PRE (Programa de Reabilitação Económica) que, pela primeira vez pós-independência, permitia a “desvinculação” de trabalhadores… Já agora e a talhe de foice, dir-lhe-ei que corria em Moçambique de então, o rumor de que o Samora Machel tinha “sido assassinado” exactamente para poderem implementar o tal PRE , com o qual ele não concordava. Ele morreu em finais de 1986 e o programa foi implementado no inicio de 1987. Talvez coincidência, não acha? Não poderia ser, uma vez que o PRE era “apoiado” pelo FMI e pelo Banco Mundial. Ou será que poderia…? Desculpe-me o devaneio. Estou a fugir ao tema. Cumprimentos.

  8. Jornalismo puro é o que ainda alguns jornalistas fazem,os mais conceituados e os que têm consigo uma escola digna desse nome,todos os outros,a grande maioria escreve aquilo que lhes mandam ou encomendam,para além disso outro problema os afecta ou fazem jornalismo como mandam os cânones ou correm o risco de serem “dispensados”,porque a estrada da Beira não é a mesma coisa que a beira da estrada.

    1. Há felizmente ainda muito bom jornalismo em Portugal, Fernando. O problema é que também no jornalismo o trabalho é cada vez mais precário. Há jornalistas experientes, com dez anos de profissão, exercendo responsabilidades editoriais, a ganhar 600 euros por mês.

  9. Pedro, estou totalmente de acordo consigo e permita-me elogiar o seu “arrojado” texto nestes tempos conturbados da nossa sociedade em que certos assuntos são tabu. Parabéns!

    Uma palavra também para a foto que acompanha o texto, que seja uma fonte de inspiração para todos nós alcançarmos o nosso objectivo, pois sem esforço nada se consegue!

    Cumprimentos,
    Pedro Montenegro

  10. Concordo 100% com o seu comentário. Os media acabam por ter uma grande responsabilidades pois são uma espécie de gatekeepers: se este vernáculo é aceite pelo media é também disseminado junto das pessoas que o aceitam como vulgar. Faz lembrar a utilização (estúpida) dos estrangeirismos e das siglas. CEO, assistant manager, coaching, personal trainer e quejandos, minam o quotidiano com um vocabulário anormal, só porque é chique. E foi precisamente desde que os media adoptaram este vocabulário empresarial que ele aceite pelas pessoas.

    1. Aqui está um comentário com o qual concordo plenamente, é como o “Muffin”, pobre queque que parece ter sido “dispensado”, ou aquela palavra que me irrita profundamente quando dita por portugueses, o famoso wherever…E por aí a fora.

    2. Toca num ponto importante, Paulo F. Dentro de alguns dias hei-de escrever aqui sobre essa absurda disseminação de estrangeirismos que chega a ser totalmente ininteligível. Acentuando o divórcio entre os jornais e os leitores.

  11. Eu acho que colaborador é que está correcto! Colaborador inclui os trabalhadores e outras pessoas com funções mais “intelectuais”. Reparem que só ouvimos “trabalhadores” da boca de um membro do partido comunista ou de um sindicalista, a palavra “trabalhador” tem uma enorme conotação de esquerda, por isso passou a ser associada ao proletariado, às pessoas que trabalham de sol a sol e recebem muito pouco. Quem tem instrução e desempenha funções de gestão, técnicos especializados, funções na área financeira, etc. e recebe um bom salário, não está incluido no grupo dos trabalhadores a quem a esquerda se refere. É por isso que se foge de usar a palavra, pois hoje em dia pertence aos comunistas quando se referem ao seu público-alvo, as pessoas com pouca instrução e que não vão além dos 500€/mês.

  12. Desconheço a situação em concreto mas há uma clara distinção, no direito laboral, entre o que é rescindir um contrato e despedir um trabalhador.

    Não será essa a questão?

      1. Peço desculpa, mas discordo com esse ponto. Faço-o do ponto meramente teórico porque, com efeito desconheço a notícia e os seus contornos.

        Uma coisa é escolher palavras para dar um tom ou outro a uma notícia, outra é escolher as palavras correctas e ser rigoroso. Uma notícia que utilizasse o termo despedir seria falsa, se estivéssemos a falar de rescisões. Claro que em ambas estamos a falar de situação de desemprego e claro que é altamente provável que 300 trabalhadores tivessem rescindido porque não tinham alternativa. Porém, isso não invalida que os termos correctos não sejam utilizados: rescisão é uma coisa e despedimento é outra.

        Parece-se que utilizar termos que são manifestamente errados sobre o ponto de vista técnico-jurídico para evidenciar o desemprego seria tão grave como o contrário. Por isso é que o rigor na escrita jornalística me parece tão importante – as interpretações devem ficar para quem lê.

        1. Sem ironia, CSS: desejo sinceramente que mantenha o seu posto de trabalho – partindo do princípio que o tem e não se trata de alguém cuja “colaboração” foi “dispensada” pela entidade patronal – e que não o perca nem por “dispensa” nem por “rescisão”.

  13. Parabens pelo texto. Do que mais precisamos nesta altura é de quem chame os bois pelo nome. è o que se exige aos jornalistas, dos jornais da radio e televisão, que saiam da sua zona de conforto e digam com palavras que todos compreendam o que se está a passar e deixem de se refugiar atrá de palavras sem sentido, que só servem para mascarar a verdade e nalguns casos ( a maioria), para agradar ás suas fontes de informação.

  14. É mesmo despedido, sem mais nada! E cada vez há mais despedidos e ninguém quer saber! Tenho impressão que vivemos algo virtual, ou que é realmente normal ser despedido, haver despedimentos, encerrar empresas, acabar de facto com Portugal. Estamos de facto a precisar de cantar bem alto: “Heróis do mar, Nobre Povo”! Acordem portugueses não se deixem afundar!

  15. Muito boa observação! E infelizmente não é apenas nos “trabalhadores” que isso acontece… Também na expressão de “Os Portugueses” em vez de “Nós Portugueses”. Como se não fossemos Portugueses! Será uma tentativa de nos fazerem crer que os Nossos problemas (Nós portugueses), na verdade são problemas Deles (Os Portugueses)?

    Cumprimentos,
    José Eduardo

  16. Eh pá…ainda vives no mundo de há 50 anos…… actualiza-te…. pareces o SG do PCP que ainda fala como se estivessemos em 1890…….

  17. afro-americanos = negro
    hispânicos = mexicanos, cubanos e outros originários latinos.
    criadas de servir = empregadas domésticas ou auxiliares de apoio doméstico
    contínuos = auxiliares de acção educativa ou agentes operativos
    caixeiros viajantes de medicamentos = delegados de informação médica
    caixeiros das lojas = técnicos de vendas
    bandos étnicos = grupos de jovens
    operários e outros funcionários = colaboradores
    crianças irrequietas ou com bicho carpinteiros = crianças com comportamento disfuncional hiperactivo
    cábulas assumidos = alunos de desenvolvimento instável
    gordos e os magros = pessoas atingidas por uma disfunção alimentar
    os afectados por mongolismo = sofrem de síndroma do cromossoma 21
    mães solteiras = família monoparental
    aborto = interrupção voluntária da gravidez
    cegos = invisuais (mas não denominamos os surdos de “inauditivos” nem os paralíticos de “inmovimentáveis”
    débeis mentais = indivíduos com atitude não vinculativa
    fábricas = unidades produtivas
    analfabetismo nacional = iletracia
    alunos que chumbam = alunos “retidos”
    1.ª e 2ª classes nos comboios = conforto e eurística

    Assim:
    anões = cidadãos verticalmente desfavorecidos
    grandes obesos = seres horizontalmente beneficiados

  18. Concordo plenamente, mas isso é um problema social e não só jornalístico. O problema é que a própria linguagem social começou a mudar os nomes das profissões, como se ser Continuo ou Empregado de Limpeza fosse alguma ofensa. Agora são “Auxiliares de Educação” e “Técnico de Limpeza”, mas fazem exactamente o mesmo…Mas já o Eça de Queirós falava dos disparates dos eufemismos. Qualquer dia destes contratam-se serviços de técnicas sexuais…

    1. Tem razão, o problema não é só jornalístico. Mas o jornalismo ‘eufemístico’ difunde e propaga estas expressões, tornando-as parte do vocabulário comum. Algo que considero profundamente criticável.

  19. (Peço, que se possível, leia este meu comentário, que foi alterado, e eliminar os anteriores, tendo este a introdução em falta. Obrigado)

    Em resposta a este texto, oferece-me o seguinte comentário que enderecei ao autor do mesmo, apesar de entender o seu ponto de vista, tendo a minha ousadia de realçar, na minha opinião, o meu delito de opinião, o seguinte:

    Não sei qual o problema, da terminologia das palavras que se empregue, quando se sabe o sentido da frase.
    Não sei qual o problema, de quem escreve que opte por esta ou aquela palavra, sendo a intenção do significado, o importante.
    Não sei qual o problema, de quem lê, quando sabe e entende o que se quis dizer.
    O problema é este: muito se fala, fala-se e fartam-se de falar.
    Os canais televisivos, as rádios, os blogues,…, há comentadores, comentaristas, especialistas, curiosos, académicos, políticos, e quem seja tudo isto junto, ex-tudo desde ex-políticos, ex-professores, ex-desportistas, ex-qualquer coisa,…, toda a gente, “todo o mundo” como dizem os brasileiros. Fala-se, falam e fartam-se de falar…
    É este o problema, fala-se demais.
    Não é que a livre expressão esteja mal, não! é o excesso dela. De falar por falar. Todos querem o seu tempo de antena. Todos e ao mesmo tempo.
    É este o problema, fala-se muito e faz-se pouco.
    Pouco, do que se deveria fazer: fazer-se mais e falar menos.
    Não interessa trabalhar muito, muitas horas, pode-se trabalhar menos e melhor.
    Não se devia dar importância à forma, mas ao conteúdo, não à estética mas ao interior, da realidade patente, visível a todos excepto a quem estiver enclausurado no seu universo imaginário, precisará de ouvir, de ler, de tanta notícia, de tantos comentários, de tantas pessoas, a toda a hora.
    Como se fosse o modo como se diz, mudasse o que existe.

    TITO COLAÇO
    29.05.12

  20. aleluuuuiiiiiaaaaaaaa. este parece ter o mesmo “chup” que eu. E não percisou de estar debaixo da ponte ou a comer do caixote do lixo para acordar!!!! haja DEUS!!!!!
    há 4 minutos · Gosto

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *