Penso que fui das poucas pessoas a dizer (veja-se aqui e aqui) que a resolução do BES iria dar um buraco maior do que o próprio BES e que o empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução nunca iria ser pago, sob pena de a banca em geral colapsar. Agora sabe-se que, em lugar dos 4,4 mil milhões gastos, apenas nos oferecem pelo Novo Banco uns módicos 750 milhões e ainda exigem garantias de 2,5 mil milhões. O pedido de garantias é muito avisado, sabendo-se dos riscos de litígios que a medida de resolução decretada pelo Banco de Portugal, com o Governo na praia, iria provocar. Mas, apesar disso, o preço é espantoso. Como bem escreve hoje João Quadros no Jornal de Negócios:
“750 milhões pelo Novo Banco? Aposto que a Remax fazia melhor que o Sérgio Monteiro. Não podemos vender o Novo Banco aos vistos gold? Ou aproveitar os balcões para fazer uns hostels?
Como se não bastasse, a proposta da Lone Star, segundo se diz, é em torno dos 750 milhões, mas a garantia pedida ao Estado é de 2,5 mil milhões de euros. Isto não é vender o Novo Banco, é pagar pelo dote da mais nova“.
É por isso que agora surge a proposta mirabolante de nacionalizar o Novo Banco, tão ao agrado da extrema-esquerda. Devem estar milagrosamente esquecidos do que deu a nacionalização do BPN, onde o Estado estoirou 6.000 milhões para depois revender o banco nacionalizado por 40 milhões.
Os Bancos são negócios como quaisquer outros. Se não são viáveis, devem ser liquidados, com perdas para os credores e os grandes depositantes. Fazer os contribuintes suportar negócios inviáveis só serve para provocar a ruína do Estado. E antes de fazerem qualquer disparate, comecem mas é a olhar para os juros da nossa dívida.

“Penso que fui das poucas pessoas a dizer ” E também foi das poucas pessoas a dizer “do svidanhia, isto é, adeus” a Gueterres. As suas previsões são pouco credíveis.
“Os Bancos são negócios como quaisquer outros.”
Não são, não!
Os negócios financeiros são burlas.
São negócios de casino.
João de Brito
A questão é simples: o BCE salvaguardou os empréstimos feitos ao Bes e o BdP recuperou os 3,5 mil milhões.
http://www.jornaldenegocios.pt/mercados/d etalhe/caixa_e_bes_emitem_38_mil_milhoti ldees_de_euros_em_diacutevida_garantida_ pelo_estado
http://observador.pt/2014/08/11/banco-de-p ortugal-emprestou-3-500-milhoes-ao-bes-d ois-dias-antes-de-o-dividir/
http://expresso.sapo.pt/dossies/diario/n ovo-banco-ja-pagou-35-mil-milhoes-ao-ban co-de-portugal=f885703
Resumindo, o que preconizei devia ter sido feito em tempo útil. Está escrito nos comentários resposta aos seus textos que anexa.
Recordar é viver:
Confrontada com as declarações do líder do PS, António Costa, que acusou o Governo e o governador do Banco de Portugal de terem cometido um “gravíssimo erro”, quando quiseram criar a ilusão de que a resolução sobre o BES seria feita sem custos para os contribuintes portugueses, Maria Luís Albuquerque disse apenas que as matérias de estabilidade financeira “merecem reflexões e comentários muito ponderados”.
“Aquilo que digo é aquilo que sempre disse – e que tive oportunidade de dizer na comissão de inquérito ao BES (Banco Espírito Santo): que os contribuintes não serão chamados a cobrir qualquer prejuízo com este processo. Isso cabe ao Fundo de Resolução”, disse a ministra das Finanças.
Se não são viáveis, devem ser liquidados, com perdas para os credores e os grandes depositantes.
Pois é isso mesmo que a lei europeia atualmente determina, mas parece que todos os governos fogem a aplicá-la como o Diabo foge da cruz. Nenhum político quer ver à sua porta “lesados” a reclamarem o seu dinheiro, o dinheiro que depositaram ou investiram em bancos. O governo português esforçou-se denodadamente por liquidar o BANIF antes que a nova lei europeia passasse a aplicar-se. E o governo italiano está-se a esforçar o mais que pode por liquidar os seus bancos sem que a lei europeia tenha que ser aplicada.
Em suma: o Luís Menezes Leitão, e eu, somos a favor da lei europeia, mas nenhum governo a quer jamais pôr em prática!
é tudo a apoiar a destruição do sistema financeiro português…venha o islamico!!!
Creio que a venda do BANIF foi acompanhada por uma injecção de 2,1mil milhões de euros! Como liquidar, agora, o Novo Banco, com perdas evidentes para os grandes depositantes depois de o Governo ter zelado pelas perdas dos lesados do GES!? As contradições acumulam-se e a justiça revela-se cada vez mais distante do horizonte do possível!