![758791[1].jpg 758791[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21607320_ZraTE.jpeg)
(Novembro de 1919 – Julho de 2004)
ESTA GENTE
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
Sophia de Mello Breyner Andresen (Geografia, 1967)

Uma voz em nome de muitas vozes de silêncio.
Verdadeiramente encantador,gostei imenso desse poema,

A Sophia era uma excelente escritora,deixou-nos obras muito bonitas,