No centenário de Sophia


Pedro Correia,

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(Novembro de 1919 – Julho de 2004)

 

ESTA GENTE

 

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

 

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

 

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

 

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

 

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

 

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

 

Sophia de Mello Breyner Andresen (Geografia, 1967)

2 comentários em “No centenário de Sophia”

  1. Verdadeiramente encantador,gostei imenso desse poema,
    A Sophia era uma excelente escritora,deixou-nos obras muito bonitas,

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