No centenário de Sena


Pedro Correia,

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(Novembro de 1919 – Junho de 1978)

 

DESTA VERGONHA DE EXISTIR OUVINDO

 

Desta vergonha de existir ouvindo,

amordaçado, as vãs palavras belas,

por repetidas quanto mais traindo

tornadas vácuas da beleza delas;

 

desta vergonha de viver mentindo

só porque escuto o que dizeis com elas;

desta vergonha de assistir medindo

por elas as injúrias por trás delas

 

ao mesmo sangue com que foram feitas,

ao suor e ao sémen por que são eleitas

e à simples morte de chegar-se ao fim;

 

desta vergonha inominável grito

a própria vida com que às coisas fito:

Calai-vos, ímpios, que jurais por mim!

 

Jorge de Sena (As Evidências, 1955)

5 comentários em “No centenário de Sena”

  1. Como amanhã é dia das beldades, eu sugiro ao Pedro Correia que olhe para Rabi Peerzada (ou Pirzada). É mesmo gira!

  2. A beleza natural alheada das paixões humanas: La Tour de Carol nos Pirenéus.
    Testemunho de gratidão: A uma calista em Milão.
    Ambos do livro Peregrinatio.

  3. O poema está lindo,contudo,fala de mentiras,odeio mentiras e odeio as pessoas que passam a vida mentindo,tal como indica o poema,eu,por exemplo,sou uma pessoa bastante sincera e honesta,gosto de ser assim,sincera e honesta!!

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