Na tomada de posse do IV Governo, reunido na clássica foto da escadaria de S. Bento, com George Bush e com Mário Soares e Almeida Santos
Foi em 7 de Maio, como hoje, que a sua morte súbita transformou para sempre o país e o PSD: Carlos Mota Pinto tinha 48 anos, uma vida intensa de professor na Faculdade de Direito e uma notável biografia política, para quem se dedicou à causa pública e à pátria por pura e dura missão democrática sem nunca perseguir ambições balofas, procurar sinecuras ou ceder à corrupção da pequena grande vidinha do poder.
Foi fundador do PSD, em 1974. Foi Primeiro Ministro de Portugal no 4º Governo Constitucional, por iniciativa presidencial de Ramalho Eanes (76/77). Mas vai sempre regressando à sua Universidade, produzindo incansavelmente, criando uma escola científica perene e ensinando, deixando nos seus alunos aquela inesquecível e cativante marca de grandeza que era a sua abertura (tão rara nesses tempos).
Reemerge depois quando é outra vez mais difícil, nos despojos da derrocada que se segue ao triste período do atentado de Camarate e do inexpressivo mandato de Pinto Balsemão, integrando nessa altura a Troika do PSD (com Eurico de Melo e Nascimento Rodrigues), antes de passar à liderança única do partido. Já exercia então as funções de Vice-Primeiro Ministro do 9º Governo Constitucional (83/85), no célebre Bloco Central, chefiado por Mário Soares. O eterno Mário Soares.
Quantos governos em tão pouco tempo…
Carlos Mota Pinto foi acima de tudo um homem destemido e de consensos. Um trabalhador infatigável e enérgico que acreditou em Portugal e dele teve uma visão maior e construtiva. Um não desistente que desprezou jogadas e desconcertou os carreiristas – os de dentro e os de fora do PSD. Os mesmos que lhe iam, aos poucos, fazendo perder a paciência. Esses mesmos, sim, que deixaram semente e se multiplicaram desde então.
Foi fundador do PSD, em 1974. Foi Primeiro Ministro de Portugal no 4º Governo Constitucional, por iniciativa presidencial de Ramalho Eanes (76/77). Mas vai sempre regressando à sua Universidade, produzindo incansavelmente, criando uma escola científica perene e ensinando, deixando nos seus alunos aquela inesquecível e cativante marca de grandeza que era a sua abertura (tão rara nesses tempos).
Reemerge depois quando é outra vez mais difícil, nos despojos da derrocada que se segue ao triste período do atentado de Camarate e do inexpressivo mandato de Pinto Balsemão, integrando nessa altura a Troika do PSD (com Eurico de Melo e Nascimento Rodrigues), antes de passar à liderança única do partido. Já exercia então as funções de Vice-Primeiro Ministro do 9º Governo Constitucional (83/85), no célebre Bloco Central, chefiado por Mário Soares. O eterno Mário Soares.
Quantos governos em tão pouco tempo…
Carlos Mota Pinto foi acima de tudo um homem destemido e de consensos. Um trabalhador infatigável e enérgico que acreditou em Portugal e dele teve uma visão maior e construtiva. Um não desistente que desprezou jogadas e desconcertou os carreiristas – os de dentro e os de fora do PSD. Os mesmos que lhe iam, aos poucos, fazendo perder a paciência. Esses mesmos, sim, que deixaram semente e se multiplicaram desde então.
Corria o ano de 1985 e Portugal que éramos teria sido de certeza bem diferente se ele não nos tivesse deixado.


sem nunca […] procurar sinecuras ou ceder à corrupção da pequena grande vidinha do poder
Sim, mas isso seria ele, que o PSD era outra coisa. O PSD, sobretudo a nível local, que era de onde lhe vinha a força, era um partido de sinecuras e pequena grande vidinha, aliás tripulado em boa parte por pessoas que já lá estavam no tempo da Outra Senhora.
Por isso mesmo, creio que, com Mota Pinto ou sem ele, o destino de Portugal teria no final sido o mesmo, contrariamente ao que afirma o último período do post.
Está completamente enganado, Luís Lavoura. Mota Pinto não provinha de qualquer estrutura local e não era daí, portanto, que lhe vinha a força. Sempre pertenceu às estruturas centrais do PSD, de que foi fundador, tendo sido um dos mais destacados deputados da ‘Constituinte’. Portanto, não tinha geografia regional, no sentido que lhe dá.
Quanto ao PSD (ou PPD, o que seja), é claro que partilhava de todos os vícios da vidinha pública portuguesa, como também afirmo no post. Foram esses, aliás, que lhe fizeram a vida negra e nunca lhe perdoaram a formação do bloco central.
A minha frase “que era de onde lhe vinha a força” era ambígua e você interpretou-a mal. O “lhe” referia-se ao PSD e não a Mota Pinto. O que eu queria dizer era que a força do PSD provinha da sua implantação local, não que a força de Mota Pinto proviesse dela.
Ah: era ambígua, pronto. Tudo bem.
Mota Pinto foi uma figura nacional e só a história feita pela rama, a rama dos factos, ignora o seu real protagonismo (pelo qual, aliás, não se bateu).
Mas quanto a cumplicidades locais e quanto génese partidária, não vejo diferença entre PSD e PS.
Quanto ao resto, o poder local foi precisamente o emblema da democracia, o traço diferenciador.
Não tinha expressão até aí.
Merecida homenagem, neste 7 de Maio.