“Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
– Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.” (Herberto Helder)
Que tenham todos um Natal. Penso que isso já seria bom. E que eu possa repartir convosco a saúde, a felicidade e o sucesso a que tenha direito. O resto, se não se importam, o que me vai na alma, prefiro guardar para mim.



Já seria bom que todos tivessem Natal.
Mas nem isso muita gente tem.
Repartir com os outros o sucesso a que tenham direito… A forma é para mim um pouco confusa, mas julgo ter entendido a mensagem. O reconhecimento do mérito como primeiro critério seria a melhor prenda natalícia que poderíamos receber.
Devolvo a dobrar, a si, à família e aos amigos, os votos de Boas Festas.
Feliz Nata!
Feliz Natal, Sérgio. Grande abraço.
Quanto ao poema de H. Hélder, não posso deixar de o relacionar com o que aconteceu, pior, com o que tem acontecido no SNS.
No poema, há amigos que enlouquecem.
Nos hospitais, há amigos que morrem.
Aqueles, enquanto os livros ardem.
Estes, enquanto os médicos estão de fim de semana.
Já muito se disse e se escreveu a respeito.
No entanto, ainda não li nem ouvi aquilo que está na base da tragédia.
O problema não são os médicos que existem.
O problema são os médicos que não existem.
E não existem porque há uma Ordem que, em conluio com o poder político, a partir de certa altura, ergueu um muro feito de números clausos, com o único objetivo de proteger os rendimentos da classe.
Já há muito que reparámos que, entre nós, as instituições funcionam mais em função dos interesses dos seus agentes do que em função do objetivo para que foram criadas.
Mas, quando se trata da educação e da saúde, os efeitos são, de facto, uma tragédia!
Uma paixão (no sentido do poema)!